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Reflexão do Evangelho: Os presépios atuais

Reflexão do Evangelho: Os presépios atuais
24 de dezembro de 2018 CEBI Secretaria de Publicações
Leia a reflexão do evangelho para o dia 25 de dezembro. O texto fala da passagem de Lucas 2,1-14, e a reflexão pertence à Ana Maria Casarotti.

Os presépios atuais

Nestas últimas quatro semanas, a Liturgia nos convidou a preparar-nos para esta grande festa que celebramos hoje: o Nascimento do Salvador, o Messias, o Senhor.

Tempo de Advento, de espera no Senhor que Vem morar conosco. Para isso, percorremos diferentes situações que nos impedem de acolher o Senhor que chega para ficar conosco. Textos do Antigo e do Novo Testamento refletiam essas possibilidades e acrescentaram a espera gozosa na Vinda do Senhor.
Assim, convidaram-nos a ter uma esperança firme e confiante no Senhor, viver com os olhos e ouvidos atentos, vendo e escutando os gemidos de tantas pessoas que vivem em situação de marginalização, rejeitadas pela sociedade.

Um chamado à conversão, a aguçar nossos sentidos para não sermos surdos às vozes que gritam continuamente ao nosso redor. Impelidos a atuar e não deixar que a desconfiança e as dúvidas sobre o Messias habitem em nós, gerando desesperança e desânimo.

Ele é Boa Nova desejada por tantas pessoas e povoações inteiras ao longo de séculos. Porém, para reconhecê-lo é preciso se preparar. Hoje, celebramos este grande e inesgotável mistério do Deus da “Palavra que se fez pessoa e armou sua tenda entre nós” (João 1,14).

E “deu o poder de se tornarem filhas e filhos de Deus a quem crer em seu nome” (João 1,12).

No texto de hoje, vimos que, naquele tempo, o imperador César Augusto realizou um recenseamento, possivelmente para saber quantas pessoas pertenciam ao seu Império e, assim, poder cobrar tributos.
“Todos iam registrar-se, cada um na sua cidade natal”. Também José e Maria tiveram que ir “até a cidade de Davi, chamada Belém, na Judeia”, pois “José era da família e descendência de Davi”.

Tiveram que fazer essa caminhada de onde se encontravam, apesar da gravidez avançada de Maria. As condições na viagem não eram cômodas, como deve ter acontecido a muitas pessoas pobres.
Lamentavelmente, não é somente uma realidade própria daquela época. Pensemos nessa situação que hoje vemos refletida em tantas realidades brasileiras que obrigam as pessoas a sair de sua cidade à procura de trabalho, do pão para suas famílias.

Aquelas que moram em lugares, por exemplo, no nordeste brasileiro, onde a falta de abastecimento de água e o consumo de “outras águas” gera problemas de saúde. Como mostrou um estudo do Banco Mundial, “a variabilidade das chuvas e a intensidade das secas no Nordeste continuarão aumentando até 2050, com graves efeitos para a população, caso os governos locais não invistam em infraestrutura e gestão hídrica.”

Também a situação dos Sem Terra, grande movimento que continuamente tem que desafiar situações de risco e assassinato pelos que detêm o poder. Incidentes gerados pela despreocupação e indiferença dos poderosos diante dos que moram em condições infra-humanas. Obrigados a sair à procura de uma alternativa, arriscando a sua vida e a vida de seus filhos/as no desejo de uma tentativa diferente, como acontece periodicamente com os imigrantes e refugiados.

O Evangelho de hoje relata que, estando em Belém, chegou a hora de Maria dar à luz, e o único espaço que encontraram foi numa manjedoura, “pois não havia lugar para eles dentro da casa”.

Disse o Papa Francisco em referência ao presépio montado na Praça São Pedro: “Na dolorosa experiência destes irmãos e irmãs migrantes, voltamos a ver a experiência do Menino Jesus, que, no momento de seu nascimento, não encontrou abrigo e nasceu na gruta de Belém, sendo depois levado ao Egito para fugir da ameaça de Herodes”.

Cuidemos com ternura e carinho deste menino frágil. Nele estão espelhadas numerosas vidas que caminham ao nosso lado e nos convidam a ir ao seu encontro. Assim como os pastores, anunciemos o sinal do recém-nascido que nos foi comunicada.

“Deixemo-nos atrair com alma de crianças ao presépio, porque ali se compreende a bondade de Deus e se contempla a sua misericórdia, que se fez carne humana para comover o nosso olhar” (Papa Francisco).

Unidos na oração, cantemos e louvemos a Deus, dizendo: “Glória a Deus no mais alto dos céus, e paz na terra às pessoas por ele amadas.”

Publicado originalmente no site do IHU Online.

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