Reflexão do Evangelho

Os olhares para as faces de Jesus de Nazaré – Marcos 3,20-35

O evangelho de hoje apresenta uma cena que desperta múltiplos olhares para Jesus de Nazaré. Assim como na dinâmica do cotidiano, somos instados a ver a vida sob perspectivas diversas. O que vemos é fruto de vivências, saberes, ideologias, intencionalidades que nem sempre dialogam com a realidade.

Encontros acontecem, os abraços são possíveis quando as energias fluem com liberdade.  Quando o coração deseja algo mais, o melhor pode surgir. O texto apresenta como cenário a casa para onde Jesus volta. Os personagens: uma multidão que o segue, os parentes que o acusam de insanidade, os líderes religiosos que o descredibilizam. Por fim, a mãe e seus irmãos. O que acontece na narrativa diz das distintas formas de olhar para o Nazareno.

Sempre é tempo de pensarmos no modo como olhamos para as pessoas. Há olhares risonhos, distraídos, mas há um momento mágico, num instante de graça, quando a força dos olhos se cruzam numa sintonia fina, baixa a guarda para ser quem é. Olhar profundo de aceitação. Reciprocidade no mesmo tom.  Há de construir caminhos livres para que os afetos circulem e se multipliquem.

No texto, os olhares são diversos e emitem julgamentos contundentes sobre a pessoa de Jesus de Nazaré. Sua própria trajetória ensejou cada forma com que recebeu cada olhar. Viveu rodeado pelos empobrecidos e não poupou crítica às autoridades religiosas, pois identificava o quanto determinadas práticas eram danosas para os pequeninos e pequeninas.

Os parentes o olharam como “louco” (v.21). Logo, todo louco precisa ser contido. Assim é o olhar de muitos para quem leva a vida numa perspectiva diferente da maioria. Assim fizeram com o “endemoninhado gadareno” em Marcos 5, 4-5. O louco, sem filtros nem regras deve ser retirado do convívio social. É vergonha para a família. Por não se submeter aos ditames de uma sociedade excludente, passa a ser visto como louco, mesmo por aqueles que estão no círculo familiar. Esta é parte do preço a pagar ao trilhar pelos caminhos do reino.

Os líderes religiosos o demonizaram (v.22). Por que têm tanta pressa em demonizar o diferente? Por que o que incomoda e desafia é imputado como demoníaco? Esta acusação pesou sobre Jesus naqueles dias, mas continua sendo a tônica acusatória contra todos as pessoas que assumem posturas e valores que confrontam as bases tradicionais da religião hegemônica. Essa estratégia continua vitimando comunidades inteiras com suas legítimas bandeiras de fé e luta.

O outro olhar é lançado sobre a família de Jesus (v.33). Aqui há o alargamento da visão sobre ser família. Para além da núcleo primeiro, ser família passa pela compreensão de valores que unem e sedimentam as relações humanas. Tem a ver com a profundidade espiritual que norteia a experiência nos diferentes estágios da caminhada.

O cuidado de Jesus ao responder a alguns desses olhares é admirável. Ele não se deixou moldar pelo olhar de outros, mas foi pedagógico no falar. Aos religiosos, adverte da necessidade de aprender a ver o agir de Deus, onde a divina Ruah sopra com liberdade. Fechar os olhos para esta manifestação é se negar a ver o óbvio, não tem perdão. Aos que trilham os caminhos da vontade de Deus, declara-se filho, irmão e irmã (v.35).

Ante as declarações do evangelho, lancemos os olhares de quem senta para ouvir os ensinamentos e levanta para partilhar cada palavra de libertação e acolhida a todas as pessoas com quem cruzarmos na jornada existencial.

Waldir Martins Barbosa – CEBI-BA

situs judi bola AgenCuan merupakan slot luar negeri yang sudah memiliki beberapa member aktif yang selalu bermain slot online 24 jam, hanya daftar slot gacor bisa dapatkan semua jenis taruhan online uang asli. idn poker slot pro thailand

Seu carrinho está vazio.

mersin eskort