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Quem crê, vê para além das máscaras, das pedras e das tumbas!

Quem crê, vê para além das máscaras, das pedras e das tumbas!
8 de abril de 2021 Zwei Arts

Leia a reflexão sobre João 20,19-31, texto de Itacir Brassiani.

Boa leitura!

A experiência e a fé na ressurreição de Jesus Cristo dão-se em ritmo de missão. Por isso, as portas da Igreja não podem permanecer fechadas, especialmente por medo ou por comodismo. A paz oferecida pelo Senhor ressuscitado que se faz presente no meio de nós, reunidos em oração ou distanciados por responsabilidade, nos envia como cordeiros que carregam o pecado do mundo. Reforcemos, então, nossos vínculos com a comunidade, reconheçamo-lo presente nos irmãs e irmãos nossos e partamos em missão.

O evangelista sublinha que era noite e que as portas estavam muito bem fechadas. Os discípulos estavam desanimados, amedrontados, sem perspectivas. É o mesmo escuro pavoroso que eles haviam experimentado quando atravessaram sozinhos o mar agitado, depois que Jesus saciara a fome de uma multidão e recusara o poder político (cf. Jo 6,16-21). Esse escuro tenebroso lembra também a escuridão que se fez às três horas da tarde, quando Jesus fora crucificado. Ao medo da possível perseguição pelas autoridades judaicas se juntava a frustração pela imagem de um Messias crucificado, sem poder, abandonado por todos/as.

O que dói na consciência dos discípulos é a traição, a negação e a deserção. Por isso eles não formam exatamente uma comunidade, mas um grupo rachado, frustrado, envergonhado. Porém, os muros do remorso e do medo não impedem a manifestação de Jesus, e ele se faz presente inesperadamente no meio daquele grupo desarticulado. E a sua primeira palavra não é de advertência ou acusação, mas de acolhida e pacificação: “A paz esteja com vocês!” E lhes mostra as feridas nas mãos e no lado esquerdo, assegurando que sua história concreta é importante, que sua presença não é mera fantasia e que seu amor fiel e solidário continua.

A alegria, tão característica da Páscoa, não brota apenas da certeza de que ressuscitaremos um dia, mas também da experiência atual e cotidiana de não sermos condenados/as, de sermos aceitos/as como amigos e amigas de Jesus de Nazaré, apesar dos nossos insuperáveis limites, traições e deserções. Mas a alegria e a paz radiantes da Páscoa podem também esconder um risco: podemos ficar de tal modo extasiados com as imagens de anjos e com as palavras de paz, pela visão de um Cristo exaltado e sentado à direita do Pai, que esquecemos que nossa missão de discípulos/as está apenas começando.

Por isso, depois de afirmar que vem trazer a paz, Jesus confere claramente uma missão aos discípulos: “Assim como o Pai me enviou, eu também envio vocês”. Trata-se de continuar seu próprio trabalho de carregar nas costas a dor e o peso provocados pelo pecado estruturado e institucionalizado no mundo. É como se ele nos confiasse a tarefa de lixeiros, de passar pelas ruas, estradas e campos recolhendo as imundícies produzidas pela cultura egoísta e violenta. É a missão de sermos os cordeiros de Deus que tiram o pecado do mundo. E esta missão urge, não pode ser postergada para um hipotético amanhã, para quando tivermos tempo.

Esta missão também não pode ser terceirizada ou deixada à responsabilidade dos outros. Jesus Cristo diz claramente que o pecado que não eliminarmos permanecerá aqui, diminuindo e ferindo a vida de muita gente e garantindo o privilégio de poucos. Pois o pecado é a cumplicidade com a injustiça que fere as criaturas, e perdoar significa dissolver os laços que vinculam as pessoas a essa cumplicidade, torná-las livres frente à necessidade de cada um cuidar apenas de si e deixar a Deus o cuidado dos mais fracos. Jesus pede que as comunidades cristãs sejam espaços de acolhida, diálogo, amor mútuo e de luta pela justiça.

Tendo recebido o Espírito Santo, os discípulos, antes desanimados e medrosos, tiveram a coragem para inovar e a força para perseverar no ensinamento de Jesus de Nazaré; na união fraterna, para além de todas as fronteiras; na partilha do pão e de todos os bens; na oração e na liturgia. É assim que eles dão testemunho da ressurreição de Jesus Cristo. Abraçar a fé em Jesus Cristo ressuscitado vincula os discípulos e discípulas aos irmãos e irmãs, à partilha dos bens “conforme a necessidade de cada um”, à alegria radiante frente a cada acontecimento, à simplicidade profunda e cordial. Faz de nós uma Igreja solidária e em saída às periferias.

Aqui viemos, Jesus de Nazaré, Cordeiro de Deus que nos imuniza contra o vírus do egoísmo, para encontrar as pessoas que acreditam em ti, para tocar tuas chagas e acolher de novo teu mandato missionário. Dá-nos tua paz, e envia sobre nós teu Espírito, a fim de que não nos cansemos de dialogar e construir pontes, e experimentemos a felicidade de crer para ver, de acreditar apoiados no testemunho de vida dos outros, de fazer da nossa vida um serviço os irmãos e irmãs. Vem em nosso auxílio para não virarmos as costas à comunidade dos homens e mulheres de boa vontade, pois sem ela não conseguimos te reconhecer. Amém! Assim seja!

Itacir Brassiani msf