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A Libertação do fundamentalismo religioso

A Libertação do fundamentalismo religioso
22 de junho de 2020 Comunicação
Por Marcos Aurélio – CEBI Rio Grande do Norte
“Ele nos capacitou para sermos ministros de uma nova aliança, não da letra, mas do Espírito; pois a letra mata, mas o Espírito vivifica.”
(2 Coríntios 3:6).
O fundamentalismo religioso é antigo, sua prática já existia no tempo de Jesus. Basta uma leitura cuidadosa dos Evangelhos para percebemos essa prática, de maneira constante, sobretudo entre os líderes religiosos, que para legitimar as opressões, se valiam de uma leitura superficial e literal da escritura, por meio de manipulações e acréscimos à lei, desprezando a prática da compaixão, da misericórdia e do amor ao próximo.
Jesus de Nazaré fez duras críticas ao fundamentalismo religioso de seu tempo. Não se calou diante da hipocrisia dos escribas e fariseu, que exaltavam a lei em suas minúcias em detrimento do amor ( Mateus. 23:23), profetizou contra um modelo de espiritualidade que buscava a aparência e desprezava a prática dos valores do Reino de Deus, impondo fardos pesados ao povo, que sob opressão religiosa não conseguia suportar. Jesus ensina o caminho da libertação das forças de dominação, a partir das boas novas de esperança. (Mateus 23:4).
O subversivo de Nazaré escancarou as pretensões do fundamentalismo extremado de seu tempo. Jesus se posicionou contra a superioridade das lideranças, que se comportavam como a casta superior da religião judaica, criticou a pretensão de serem únicos, detentores da verdade, considerando-se absolutos quanto à interpretação da lei. Às lideranças do sistema religioso, Jesus os desafia a serem os menores entre os irmãos. (Mateus:23:11)
Em sua caminhada na luta pela libertação dos grilhões do fundamentalismo religioso, Jesus despertou a fúria e o ódio do clero judaico, por isso sempre estavam procurando um momento oportuno para assassiná-lo. No caso do fundarmentalismo, o ódio é gerado no coração quando os velhos fundamentos são abalados, sob perigo de ameaça. É o desejo de dominação, de superioridade, de vingança e outros males gerados pelo fundarmentalismo em seus extremos, chegando ao extremo que causa assassinato e violência como no caso de Estevam, vítima de apedrejamento religioso.
Na história da igreja, o fundamentalismo sempre esteve presente em seus diversos seguimentos denominacionais. Hoje não mudou muito. A maioria das denominações, ainda com algumas pequenas tentativas de avançar, não conseguem se libertar das correntes do fundamentalismo religioso presente por vários séculos nas igrejas que se denominam instituições cristãs. As velhas idéias e práticas continuam entranhadas, sobretudo em estruturas hierárquicas e na maneira de ler a bíblia e o zelo extremado pela “sã doutrina” de suas denominações.
Assim como foi no tempo de Jesus e da igreja do primeiro século, o fundamentalismo religioso de hoje se fecha em seu mundo de superioridade e exclusão. Por se considerar dono de uma verdade pura e absoluta, odeia o diálogo e a diversidade, exclui radicalmente os que forem contrários às suas velhas idéias, sejam teológicas, filosóficas, culturais ou sociais. Não há espaço para novos diálogos, nesse contexto facilmente criam seus inimigos. O fundamentalismo religioso odeia o novo, a humanização, a diversidade, a simplicidade, o reconhecimento do erro. Assim como os senhores de escravos nos EUA no tempo da escravidão, usam a bíblia para legitimar a opressão e a morte.
Em tempos difíceis em que vive nosso país, a libertação do fundamentalismo religioso deve ser uma luta constante, sem tréguas, libertação comunitária, a partir do caminho do Jesus de Nazaré, na realidade da vida, em nosso contexto de hoje, sem jamais aceitar a velha proposta de negociar o Evangelho do reino de Deus, sem temer intimidações ou violências.