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Violências e Leitura da Bíblia: Seminário realizado na Colômbia conta com a contribuição do CEBI

Violências e Leitura da Bíblia: Seminário realizado na Colômbia conta com a contribuição do CEBI
29 de janeiro de 2015 Centro de Estudos Bíblicos
Violências e Leitura da Bíblia: Seminário realizado na Colômbia conta com a contribuição do CEBI

Pode a Leitura Popular da Bíblia ajudar a enfrentar situações de violência? Como a da sociedade colombiana? De que forma os textos bíblicos podem ajudar em processos de reconciliação em países marcados por violência estrutural?

Perguntas como essas acompanham as 41 pessoas que participam, do Encontro da Rede Glocal de Leitura Popular/Contextual da Bíblia, que tem como tema Violências e Leituras Contextuais da Bíblia. Realizado entre os dias 25 e 31 de janeiro de 2015, em Bogotá/Colômbia, o evento conta com a presença de várias organizações que trabalham com leituras bíblicas na perspectiva libertadora e comunitária na América do Sul, América Central, América do Norte, África e Europa. Há pessoas de Colômbia, Guatemala, Costa Rica, Estados Unidos, Brasil, Escócia, Inglaterra, Holanda, África do Sul, Camarões e Quênia.

O encontro tem propiciado a partilha experiências de leitura popular da Bíblia nos contextos de violência e os instrumentos utilizados na facilitação dos processos vivenciados em cada realidade local. O grupo busca de forma conjunta encontrar luzes que orientem a caminhada, no desafio de superação das violências praticadas contra a pessoa humana, muitas vezes violências legitimadas em nome de Deus.

Realizado com o apoio de ICCO/Kerkinacie (KiA), entidade das Igrejas Protestantes da Holanda, o seminário é coordenado pelo Centro UJAMAA (África do Sul), pelo CEBI, pela Universidade Javeriana (Colômbia) e por KiA. Pelo CEBI participam Paulo Ueti, Maria Soave Buscemi, Edmilson Schinelo e Thiago Valentim.

Um ponto alto: visita as Casitas Bíblicas

 “O que aprendemos com o CEBI e com Carlos Mesters foi adaptado à realidade das periferias de Bogotá”. A frase é de Fernando Torres, educador popular colombiano, ao iniciar a apresentação das chamadas Casitas Bíblicas, projeto que o grupo teve a oportunidade de conhecer.

Nascidas em 1990, quando animadores bíblicos de Colômbia conheceram a experiência do CEBI de Leitura Popular da Bíblia no Brasil, as Casitas Bíblicas são espaços onde grupos de pessoas, reunidas em uma casa de família, refletem sobre suas vidas, sobre os desafios de suas comunidades e sobre os problemas a serem enfrentados. À luz da Bíblia, constroem processos locais de transformação social, em defesa da vida das pessoas e de toda a natureza criada.

O grupo visitou três Casitas Bíblicas. Uma delas, cujo trabalho de leitura sociotransformadora é desenvolvido com crianças de periferia, conta com a coordenação de Dona Alícia, de 95 anos: “é o encontro de gerações para o estudo da Bíblia e da Vida”, afirma Astril, jovem animadora.

A maioria das pessoas que participa das Casitas é de origem campesina. Sendo forçadas a deixar o campo por diversos motivos deixam o campo, entre eles a violência da guerra civil, tais pessoas tiveram negado o direito de poder viver com dignidade onde nasceram e se criaram. Vivendo agora nas periferias de Bogotá, encontram nas Casitas ajuda para criar comunidade e construir solidariedade. A metodologia utilizada baseia-se na experiência de Emaús (Lc 24,13-35): “no caminho com Jesus, as pessoas vão sentindo o coração arder e na partilha do pão, na reconstrução da vida social e comunitária, os olhos se abrem”.

Sendo estas pessoas de raízes campesinas, as Casitas também colaboram para o resgate da identidade. Uma experiência que se concretiza nos terraços das casas são as hortas familiares agroecológicas. Em pequenos espaços, utilizando vasilhames diversos, cultivam-se plantas ornamentais, medicinais e hortaliças, resgatando-se e multiplicando-se sementes crioulas. Trata-se de uma forma de preservação e partilha dos saberes vindos dos antepassados e antepassadas. As pessoas não perdem a capacidade de cultivar a terra e, a partir deste trabalho, cuidam da saúde, do ambiente e das relações pessoais e comunitárias.

Pelo testemunho de animadoras e animadores das Casitas, o projeto tem mudado a vida de muitas pessoas, a maneira de ver a realidade e gerado compromissos efetivos com as necessidades das empobrecidas e empobrecidos.