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Toda solidariedade ao povo boliviano: “Dios no esta en el palacio”

Toda solidariedade ao povo boliviano: “Dios no esta en el palacio”
13 de novembro de 2019 Comunicação

por Nilton Júnior*

Esse texto me veio a mente e creio que seja um sopro do Espírito. Pois também o escrevi com esse sentimento misto de tristeza e indignação, mas com muita consciência que a Igreja está Viva, ainda que seja cada dia mais discriminada pelos próprios religiosos. Que esse texto seja acalanto, profecia e despertamento para irmãs e irmãos.

A Bolívia passa por um golpe militar com forte apoio de grupos religiosos cristãos, chegando ao ponto de um comandante dedicar seu exército a Jesus Cristo no púlpito de uma igreja, como também o fato de um dos líderes civis do golpe ajoelhar-se em cima da bandeira do país perante uma bíblia.

Mas uma das palavras de ordem compartilhada nas redes sociais de um desses líderes, me saltou aos olhos: “Dios volverá a palacio”, numa tradução livre “Deus voltará ao palácio”.

Esse desejo manifesto lembrou um episódio relatado na bíblia perante a qual o rapaz se ajoelhou, mas parece não conhecer. Os magos vindos do oriente conheciam a profecia do nascimento de Jesus, o Rei dos Judeus, e se guiando pelos astros até Jerusalém, procuraram no palácio pelo Messias. Onde encontraram Herodes, mas não Jesus.
A estrela os guiou até Belém, periferia da periferia, onde finalmente acharam Jesus nos braços de sua mãe, uma simples camponesa, e puderam enfim adorá-lo.

Será que essa narrativa não nos diz nada?

O “Messias” que habita em palácios é Herodes e não Jesus. O Deus encarnado nesse mundo está com os humildes, pequeninos, pobres e necessitados. Nos palácios seu nome é profanado, seja pelas falas blasfemas, seja pelas decisões opressoras contra aqueles que representam Jesus.

Certamente, muitos dirão “quando te oprimimos?” e receberão a resposta da boca do Nazareno “quando oprimiste a um dos pequeninos”.

Quando foi que Jesus esteve no palácio, senão quando foi preso, torturado e levado injustamente perante as autoridades? Quando a igreja primitiva foi aos palácios, senão para que seu martírio divertisse o profano império?
Como os magos confundiram Herodes com o verdadeiro Rei, muitos hoje confundem os sinais do Reino de Deus com os signos do reinado proposto por Constantino.

Jesus não precisa de palácios. Jesus reina da periferia. Encarnado naqueles que a sociedade pecaminosa faz com que “não sejam”, dando-os o poder de confundir aqueles que julgam que “são”.

Toda solidariedade ao povo boliviano.
Que a justiça cubra aquelas terras.

Que o Santo nome de Jesus não seja profanado por aqueles que o utilizam para oprimir.
Que nosso país esteja atento aos intentos antidemocráticos e nossas instituições respeitem nosso pacto constitucional.

Assim seja

Texto de Nilton Júnior (Natal/RN), membro da Igreja Batista do Coqueiral (PE), Ecólogo, Biólogo e professor da educação básica.