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Seminário LGBT é marcado por críticas à intolerância religiosa

Seminário LGBT é marcado por críticas à intolerância religiosa
25 de maio de 2015 Centro de Estudos Bíblicos
Seminário LGBT é marcado por críticas à intolerância religiosa

 Brasília (DF) recebeu, nos dias 20 e 21 de maio, o 12º Seminário Lésbicas, Gays, Bissexuais, Travestis, Transexuais e Transgêneros (LGBT) do Congresso Nacional, que teve como tema “Nossa vida d@s outr@s – A empatia é a verdadeira revolução”. O evento foi marcado por críticas à intolerância religiosa e ao discurso de ódio contra homossexuais no Parlamento e na sociedade. A questão foi tratada desde a abertura, quando o deputado Jean Wyllys (Psol-RJ) informou não ter contado com o apoio da presidência na divulgação do evento.

Tivemos de enfrentar os deputados conservadores para conseguir aprovar o ‎Seminário LGBT. O discurso de ódio está também dentro do Congresso. Nosso compromisso é confrontar o ódio com a empatia”, disse Jean Wyllys.

Segundo líderes religiosos convidados para o debate, o discurso de ódio e a violência não refletem os fundamentos das religiões. “Intolerância no Brasil tem rosto. É cristã. Não se vê intolerância nas religiões judaica e muçulmana. A intolerância mostra a falta de abertura para se estabelecer um diálogo saudável entre a tradição e o processo de modernização”, alertou a secretária-geral do Conselho Nacional de Igrejas Cristãs do Brasil (CONIC), pastora Romi Becke, da Igreja Evangélica de Confissão Luterana no Brasil (IECLB).

De acordo com a pastora, a intolerância religiosa é um dos grandes desafios do Brasil e há a necessidade de o cristianismo voltar-se para suas fontes de tolerância e diálogo. “Muitas pessoas se identificam como de uma religião, mas desconhecem essa religião.”

“O recurso da violência em nome do credo religioso constitui uma deformação do ensinamento da religião [católica]. O uso da violência nunca poderá justificar ações válidas na religião, nem promover o sentimento religioso autêntico”, explicou o sacerdote católico da Diocese de Lorena (SP), Wagner Ferreira da Silva, que faz parte da comunidade Canção Nova.

Wagner acrescentou que prefere ser acusado de irenista, alguém que, segundo ele, busca a paz de forma idealista, do que ser contabilizado “entre aqueles que, em nome da religião, promovem o ódio ou o espírito de vingança porque não têm coragem de amar indiscriminadamente o próximo como fez Jesus”.

Redes Sociais e Intolerância

A deputada Maria do Rosário (PT-RS) afirmou que as manifestações de ódio, desrespeito e desconsideração nas redes sociais “projetam-se em ondas na realidade objetiva”. Segundo a parlamentar, o discurso das redes sociais compõe e produz a realidade. “Temos de analisar como o discurso da fobia de gênero produz uma violência que chega a níveis insuportáveis”, afirmou.

Wagner acrescentou que o ódio nas redes sociais é a ponta do iceberg da violência. Ao citar falas de papas, ele afirmou que a paz corre perigo quando a dignidade humana não é respeitada, quando a convivência não é orientada para o bem comum: “A violência é o mal, é inaceitável como solução para os problemas.” Segundo ele, o uso da violência constitui deformação das práticas religiosas.

Estatuto da Família

Ainda de acordo com a pastora Romi, o Estatuto da Família (PL 6583/13) em discussão na Câmara é uma forma de projeto restaurador do mundo proposto por uma visão religiosa sem diálogo, assim como a “cura gay”, a redução da maioridade penal e a idealização da mulher como mãe. “A base da intolerância está na dificuldade do reconhecimento no outro. É uma arrogância identitária”, avaliou. Segundo Romi Bencke, a “extrema direita” no Brasil descobriu que a religião é um elemento interessante para levar adiante suas concepções de mundo.

Críticas a Eduardo Cunha

Na abertura do seminário, Jean Wyllys criticou a postura da presidência da Câmara, que, segundo ele, recusou-se a divulgar o evento. O deputado já havia denunciado a questão nas redes sociais.

Por meio da assessoria de imprensa, a presidência da Câmara esclareceu que não divulgou o seminário por não se tratar de evento institucional e tratar de questões que “não são consenso na sociedade”. Informou ainda que todos os veículos da Casa fizeram a cobertura do seminário.

Organização

O seminário foi realizado por três comissões da Câmara (Legislação Participativa; Cultura; e Ciência e Tecnologia, Comunicação e Informática) a pedido dos deputados Jean Wyllys, Luiza Erundina (PSB-SP), Glauber Braga (PSB-RJ), Janete Capiberibe (PSB-AP) e Luciana Santos (PCdoB-PE).

CONIC com informações da Agência Brasil e Agência Câmara Notícias