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O Declínio da Moral no Ocidente e a Decisão para a Democracia pela Corte Americana.

O Declínio da Moral no Ocidente e a Decisão para a Democracia pela Corte Americana.
29 de junho de 2015 Centro de Estudos Bíblicos
O Declínio da Moral no Ocidente e a Decisão para a Democracia pela Corte Americana.
Este é um tema abordado por Luc Ferry numa palestra sobre Philosphie du Progrès: le Romantisme contre les Lumière. O tema é marcante porque é destacável em nossa época uma falência da moral durante o século XX. Na frente desta discussão, iluministas e românticos combatem a dispersão do indivíduo e o enfraquecimento de sua importância frente às marchas para o progresso e desenvolvimento social.

É claro que muitos imaginam que a decadência da moral é a decadência dos valores e dos (bons) costumes. Na verdade, não é! Há uma diferença radical entre o agir moral e o ético. A ação ética é aquela que age de acordo com um sistema específico de valores e, sob ela, há uma forte motivação sob o sentimento de convicção. E por convicção se mata e se morre!

A ação moral é um pouco diferente. É uma ação desprendida a partir de indivíduos que se reconhecem diferentes; que se sabem num contexto social comum, mas com origem de valores éticos distintos – que muitas vezes podem até mesmo ser valores concorrentes. A ação moral é uma disposição de sociabilidade de pessoas que sabem da responsabilidade de cada para a construção da boa convivência pública. Por isso, pessoas morais agem a partir de princípios da responsabilidade social, respeito mútuo, equanimidade dos recursos públicos e ambientais, da interação responsável e pacífica entre os diferentes.

A moral é uma herança da sociedade burguesa – que foi a ideologia da qual emergiram os antagônicos pensamentos socialistas (eurocontinental) e liberais (britânicos). A ascensão das ideologias majoritárias de partidos, movimentos sociais, ações do mercado de capital, etc., sufocaram a individualidade e o comportamento moral. Por exemplo, as promoções nas lojas sufocam o direito à escolha. Muitas vezes o anuncio retira em sua chamada o direito de escolher a não-compra por parte do consumidor. Mas, quem é o consumidor? É o ser humano visto somente do ponto de vista da aquisição e não de sua singularidade que escolhe.

A religião também suga o direito à singularidade. Muitas vezes o religioso não tem direito à subjetividade. O pastor, padre, pai-de-santo ou a mãe-de–santo, rezadeira, o deus, a deusa, a mãe terra, … todos muitas vezes sucumbem a singularidade do fiel. É comum que os oficios e os interditos supostos nas margens do totalmente-outro podem ameaçar a integridade e a calma da vida. Pode-se afirmar que se retira em muitos casos o direito à singularidade. A vida empregatícia, o mercado, a mídia, …. muitos mecanismo e organizações sociais atuam com sucção da responsabilidade Moral dos indivíduos.

Todos nós devemos reaprender a agir moralmente. Não podemos agir sob o medo escatológico de Deus, santos, orixás, caruanas. etc. Estamos numa era em que o planeta tem mais de 5 bilhões de habitantes. Se todos agirem de acordo com seus valores religiosos, políticos, sexuais e econômicos, o mundo entrará num cataclismo ambiental. Daí o fim não será promovido pelos deuses, mas pelos seres humanos de qualquer gênero sexual.

O que os norte-americanos conquistaram na sua Corte Suprema não foi a ditadura gay e nem o início do apocalipse. O que se conquistou foi um importante direito civil num país onde negros e brancos têm sérias dificuldades ideológicas para casarem entre si. A medida constitucional não foi baseada exclusivamente na opinião pública da maioria ou da minoria, mas a partir da garantia da democracia, da equanimidade de justiça para direitos entre os diferentes. É uma ação democrática.