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No meio da crise (Mt 14,22-33) [Pe. José Antonio Pagola]

No meio da crise (Mt 14,22-33) [Pe. José Antonio Pagola]
11 de agosto de 2017 Centro de Estudos Bíblicos

Não é difícil ver na barca dos discípulos de Jesus, sacudida pelas ondas e a transbordar pelo forte vento contra, a figura da Igreja atual, ameaçada desde fora por todo o tipo de forças adversas e tentada desde dentro pelo medo e a mediocridade.

Como lermos este relato evangélico desde uma crise em que a Igreja parece hoje naufragar?

Segundo o evangelista, “Jesus aproxima-se da barca caminhando sobre as águas”. Os discípulos não são capazes de reconhecê-lo no meio da tormenta e da obscuridade da noite. Parece-lhes um “fantasma”. O medo aterroriza-os. O único que é real para eles é aquela forte tempestade.

Este é o nosso primeiro problema. Estamos a viver a crise da Igreja contagiando uns aos outros com desalento, medo e falta de fé. Não somos capazes de ver que Jesus está se aproximando precisamente desde o interior desta forte crise. Sentimo-nos mais sós e indefesos que nunca.

Jesus diz-lhes as três palavras que necessitam escutar: “Ânimo! Sou Eu. Não temais!”. Só Jesus pode-lhes falar assim. Mas os seus ouvidos só ouvem o estrondo das ondas e a força do vento. Este é também o nosso erro. Se não escutamos o convite de Jesus a colocar nele a nossa confiança incondicional, a quem acudiremos?

Pedro sente um impulso interior e sustentado pela chamada de Jesus, salta da barca e “dirige-se para Jesus andando sobre as águas”. Assim temos de aprender hoje a caminhar até Jesus no meio da crise: apoiando-nos não no poder, o prestígio e as seguranças do passado, mas no desejo de nos encontrarmos com Jesus no meio da obscuridade e das incertezas destes tempos.

Não é fácil. Também nós podemos vacilar e afundar-nos, como Pedro. Mas, como ele, podemos experimentar que Jesus estende a sua mão e nos salva enquanto nos diz: “Homens de pouca fé, porque duvidais?”.

Por que duvidamos tanto? Por que não aprendemos nada de novo na crise? Por que seguimos procurando falsas seguranças para “sobreviver” dentro das nossas comunidades, sem aprender a caminhar com fé renovada até Jesus no interior mesmo da sociedade secularizada dos nossos dias?

Esta crise não é o fim da fé cristã. É a purificação que necessitamos para nos liberarmos de interesses mundanos, triunfalismos enganosos e deformações que nos foram afastando de Jesus ao longo dos séculos. Ele atua nesta crise. Ele conduz-nos para uma Igreja mais evangélica. Reavivemos a nossa confiança em Jesus. Não tenhamos medo.