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Mulheres discípulas, profetizas e diaconisas do Novo Testamento: Vozes e presenças que desafiam a Igreja hoje

Mulheres discípulas, profetizas e diaconisas do Novo Testamento: Vozes e presenças que desafiam a Igreja hoje
9 de julho de 2019 Comunicação

por Cleusa Maria Andreatta, Susana Rocca e Wagner Fernandes de Azevedovia, IHU Online*

A presença das mulheres no Novo Testamento ainda é pouco resgatada. O esforço de teólogas feministas busca encontrar o que está expresso, mas não está dito. A voz e a presença das mulheres tornam-se na visão patriarcal e hierárquica a humilhação daquelas que foram as primeiras fiéis e testemunhas da Paixão e Ressurreição de Cristo.

A teóloga Elizabeth Johnson aponta que novos estudos apresentam que no Novo Testamento existem muitas cenas em que “está o amor de Jesus pelas mulheres, a sua preocupação com o bem-estar e o efeito libertador dele em suas vidas”. A teóloga Solange do Carmo enfatiza que em todo o Novo Testamento há a presença marcante das mulheres, sendo no Evangelho o sinal concreto que caminhavam junto a Jesus: “em Mateus, são as matriarcas do Messias, merecedores de seus nomes na genealogia, apesar de sua vida duvidosa (Mt 1,1-16); em Lucas, elas têm estatuto de discípulas (Lc 8,1-2); em João, são elas que ficam ao pé da cruz quando os homens fogem cheios de medo (Jo 19,25-27); em Marcos, são elas que sustentam a fé mais genuína (Mc 5,25-34; 7,24-30) e que, em primeiro lugar, vão ao sepulcro à procura do Mestre recebendo a tarefa de comunicá-lo aos demais (16,1-8)”.

Solange sustenta o protagonismo das mulheres na história e nas epístolas, afirmando as posições de lideranças que elas assumiam. “Em Atos dos Apóstolos e Cartas, são profetizas (At 21,9), líderes comunitárias (At 16,14-15; 18,18-28), diaconisas (Rm 16,1) etc. No Apocalipse, a mulher é símbolo da vitória sobre todo mal, ensinando-nos que o fraco vence o forte pelo poder da fé resistente (Ap 12,1-17). Pululam por toda parte, no Novo Testamento, sinais da presença marcante das mulheres nas comunidades primitivas”, destaca a teóloga.

Recordando o poeta uruguaio Mario Benedetti, “el olvido está lleno de memoria”, é importante destacar que as mulheres não foram esquecidas, mas apagadas pela história que se seguiu. “Ao longo dos séculos, porém, o poder destas histórias muitas vezes foi ignorado porque os homens que, em geral, pregaram e ensinaram não consideravam o sofrimento que as mulheres carregavam”, afirma a teóloga luterana Wanda Deilfet.

Na história, as mulheres tornaram-se oprimidas e maltratadas, por uma fé instrumentalizada e a história distorcida. Solange do Carmo apresenta que a cultura androcêntrica e patriarcal trata a mulher com insignificância de Gênesis ao Novo Testamento. “Desenterram o mito das origens, culpam Eva pelo pecado e justificam os desmandos masculinos. Para completar, pinçam frases esparsas de Cartas do Novo Testamento, como Efésios e a Segunda de Pedro, e declaram a submissão feminina em nome de Deus. Um horror! A fé cristã é instrumentalizada para oprimir e maltratar aquelas que foram acolhidas e amadas pelo Nazareno”.

Abaixo apresentamos uma série de entrevistas e artigos publicados pelo Instituto Humanitas Unisinos que destacam a voz e a presença desafiadora das mulheres do Novo Testamento:

Maria Madalena e as discípulas de Jesus. Protagonistas que resistem a um apagamento. Entrevista especial com Wanda Deifelt

“Durante os séculos iniciais do Cristianismo, o tom libertador e afirmador de igualdade entre homens e mulheres foi sendo paulatinamente abrandado, acomodando-se aos padrões discriminatórios da cultura e da sociedade”, analisa a teóloga.

É numa sociedade patriarcal que Jesus se insere e essa é uma das lógicas que tenta subverter. Esse Cristo reformador quer mostrar que todos são iguais, elevando às mulheres atribuições que eram dedicadas apenas aos varões.

Wanda Deifelt é brasileira, luterana, possui graduação em Teologia pela Escola Superior de Teologia – EST, de São Leopoldo, no Rio Grande do Sul. Tem mestrado pelo Garrett-Evangelical Theological Seminary e doutorado pela Northwestern Univesity, ambas na cidade de Evanston, estado de Illinois, EUA. Atualmente é professora e pró-reitora da Escola Superior de Teologia, da Universidade Federal de Juiz de Fora, da Lit Verlag, da Revista Concílum, da Lutheran World Federation e da Universidade Luterana do Brasil.

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Jesus fundou um movimento liderado por homens e mulheres. Artigo de Christine Schenk

“Com Maria e Isabel, as mulheres estavam presentes e ativas na vida e ministério, do ventre ao túmulo vazio de Jesus. Junto com Maria de Magdala, elas foram as primeiras a proclamar a boa nova da ressurreição-vitória de Jesus sobre a morte”, escreve Christine Schenk, irmã da Congregação de São José, em artigo publicado por National Catholic Reporter, 15-06-2018. A tradução é de Victor D. Thiesen.

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Jesus e as mulheres: “Vocês estão livres” – Parte 1. Artigo de Elizabeth Johnson

“Jesus estava ensinando numa das sinagogas em dia de sábado. Havia aí uma mulher que, fazia 18 anos, estava com um espírito que a tornava doente. Era encurvada e incapaz de se endireitar. Vendo-a, Jesus dirigiu-se a ela e disse: “Mulher, você está livre da sua doença.” Jesus colocou as mãos sobre ela, e imediatamente a mulher se endireitou e começou a louvar a Deus. (Lc, 13,10-13)”, escreve Elizabeth Johnson, religiosa da Congregação das Irmãs de São José, é professora de Teologia na Universidade de Fordham, em Nova York em artigo publicado no Global Sisters Report, 22-04-2014.

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Jesus e as mulheres: “Vocês estão livres” – Parte 2. Artigo de Elizabeth Johnson

“A teologia nas mãos das mulheres descobriu Jesus Cristo como um amigo compassivo, libertador dos fardos, um amigo que consola na tristeza e um aliado nas lutas das mulheres. Por meio de sua vida e de seu Espírito, ele traz salvação – dando-lhes de volta a plena dignidade pessoal diante de Deus. A benção que elas encontram em sua relação com Jesus não é apenas uma benção particular e espiritual, embora seja isso também”, afirma Elizabeth Johnson, em artigo publicado no Global Sisters Report, 01-04-2014.

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As “mulheres diácono” na era apostólica e subapostólica. Artigo de Giancarlo Pani

“Não há dúvida de que no século V (cânon 15, Concílio de Calcedônia) a Igreja tinha diaconisas‘ordenadas’. Se tal ‘ordenação’ (cheirotonia) era considerada um sacramento (com a imposição das mãos, cheirothesia) ou apenas uma bênção ou um sacramental, é um problema que terá que ser esclarecido no futuro tendo também em conta a evolução e a precisão da mesma terminologia litúrgica”, escreve Giancarlo Pani, em artigo publicado por La Civiltà Cattolica, 24-08-2017. A tradução é de André Langer.

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As mulheres e a Igreja. As raízes de uma discriminação. Artigo de Vittorio Mencucci

“A exclusão da mulher do sacerdócio não tem um fundamento na Palavra de Deus. A tradição, por sua vez, é facilmente influenciada pela cultura e pelos costumes das várias épocas pelas quais passa. Isso exige a análise e o escrutínio crítico de todos os elementos, para evitar que seja tomado como verdade aquilo que é apenas um preconceito de uma época.”

A opinião é do teólogo e padre italiano Vittorio Mencucci, pároco em Scapezzano, na Diocese de Senigalia, na Itália, e autor de Donna sacerdote? Ma con quale Chiesa? [Mulher sacerdote? Mas com qual Igreja?] (Ed. Il Pozzo di Giacobbe).

O artigo foi publicado por Rocca, n. 16/17, 15-08-2018. A tradução é de Moisés Sbardelotto.

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Elas, as apagadas da história. Artigo de Solange do Carmo

Uma breve visita ao Novo Testamento faz ver a presença discreta, mas eficaz das mulheres. Em Lucas, elas têm estatuto de discípulas (Lc 8,1-2); Maria Madalena é a discípula perfeita, de quem saíram sete demônios (Lc 8,2); Maria, irmã de Marta, está aos pés do Mestre na posição de discípula (Lc 10,39), assim como também a mulher pecadora na casa de Simão (Lc 7,38). Em João, são elas que ficam ao pé da cruz quando os homens fogem cheios de medo (Jo 19,25-27) e é MariaMadalena a primeira a fazer a experiência com o Ressuscitado (Jo 20,11-18).

Solange do Carmo é doutora em Teologia pela Faculdade Jesuíta — FAJE, atualmente é professora no Instituto de Filosofia e Teologia Dom João Resende Costa da PUC-Minas e no Instituto Santo Tomás de Aquino — ISTA). É sócio-membro da Sociedade de Teologia e Ciência da Religião — SOTER

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Diaconato feminino: exame final. Artigo de Phyllis Zagano

A teóloga estadunidense Phyllis Zagano – pesquisadora da Hofstra University, em Nova York, e membro da comissão vaticana sobre o diaconato feminino instituída pelo Papa Francisco – preparou um questionário em formato de exame final sobre a ordenação de mulheres ao diaconato.

“Você acha que a Igreja Católica hoje pode incluir as mulheres na única ordem do diaconato, do modo como ela foi renovada após o Vaticano II? Você acha que a Igreja Católica deveria fazer isso? Por quê? Por que não?”, pergunta ela.

Em português, Zagano é autora de “Mulheres diáconos: passado – presente – futuro”(Paulinas, 2019). Algumas de suas outras produções podem ser encontradas em sua página pessoal. O artigo foi publicado em National Catholic Reporter, 21-05-2019. A tradução é de Moisés Sbardelotto.

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“Não há nenhuma doutrina contra as diaconisas.” Entrevista com Phyllis Zagano

O conceito de restaurar as mulheres ao diaconato ordenado tem circulado por um longo tempo – no Sínodo de 1987, Cipriano Vagaggini foi convidado a uma intervenção sobre o tema. A questão vai “pegar”. Eu acho que a solução óbvia – restaurar as mulheres à ordenação diaconal – causará alguns descontentamentos até mesmo entre os bispos, a menos e até que eles percebam que os esforços do Papa Francisco de restaurar o seu próprio controle sobre as suas próprias dioceses lhes permitiria ordenar diaconisas se eles precisassem delas, mas não os obrigaria a fazer isso.

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Mística, segundo o professor do programa de Pós-Graduação em Ciência da Religião, da Universidade Federal de Juiz de Fora – UFJF, Faustino Teixeira, “é uma experiência que integra, em reciprocidade fundamental, as dimensões de anima (feminilidade) e animus (masculinidade) que habitam cada pessoa humana”. “Há uma ‘lógica do coração’ que transborda a ‘lógica da razão’”.

Publicado originalmente por IHU Online.

Ilustração de capa: Cartaz da Semana da Cidadania 2018, com a temática: “Mulheres, é hora de transformar o que não dá mais”, promovido pelas Pastorais da Juventude do Brasil — Pastoral da Juventude (PJ), Pastoral da Juventude do Meio Popular (PJMP), Pastoral da Juventude Rural (PJR) e Pastoral da Juventude Estudantil (PJE). Arte: Chiquinho D’Almeida | Comissão Nacional de Assessores da Pastoral da Juventude Nacional – Via IHU Online.