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Mensagem do Ministro Provincial para o Dia de São Francisco de Assis

Mensagem do Ministro Provincial para o Dia de São Francisco de Assis
4 de outubro de 2020 Comunicação

Nossas vozes precisam se unir com as daqueles que defendem a preservação da vida, da cultura dos povos originários e da floresta; e, em respeito pelas espécies vegetais e animais, as criaturas todas, devemos denunciar toda forma de violência, praticada em nome do lucro e do benefício econômico para poucos, escreve Frei Cesar Külkamp, ministro provincial dos Franciscanos em mensagem publicada por Franciscanos, 02-10-2020.

Eis a mensagem.

– Caros confrades de todas as fraternidades da Província da Imaculada Conceição do Brasil, das outras entidades da nossa Conferência dos Frades Menores do Brasil e do Cone Sul e das demais obediências franciscanas;

– Queridas irmãs Clarissas e Concepcionistas, religiosas e religiosos franciscanos, irmãs e irmãos da Ordem Franciscana Secularjuventude franciscana e os tantos irmãos e irmãs que participam de nossa vida, de nosso carisma e de nossa missão;

a todos vocês,

Paz e Bem!

Ao completamos os cinco anos da Carta Encíclica Laudato Si’, um acontecimento de dimensões mundiais eclode como um grito de socorro da natureza. A pandemia que atravessamos vem confirmar que o Papa Francisco tinha razão quando, inspirado em São Francisco, convocava toda a humanidade para um pacto de cuidado e preservação da nossa Casa Comum.

O apelo do Papa tem origem na intuição de São Francisco que, ao se entregar ao seguimento de Cristo, percebeu que a proposta do Evangelho passava necessariamente pela fraternidade humana e universal. Francisco entendeu com sua experiência de fé que o amor a Deus é indissociável do amor ao próximo e do respeito pela Criação: “Tudo está interligado”. E neste dia de São Francisco seremos brindados com mais uma encíclica de matriz franciscana, justamente com a temática da Fraternidade.

Na Laudato Si’, o Papa Francisco situa o planeta, a nossa Mãe Terra do Cântico das Criaturas, entre os pobres mais abandonados e maltratados. Ela vem sendo tratada com abandono e violência, o que nos leva, como humanidade, a uma forte autodestruição.

Na celebração da Bênção Urbi et Orbi, ainda no início da pandemia, o Papa declarava que seria uma grande ilusão para a humanidade acreditar que poderia permanecer saudável vivendo em um mundo doente. E recentemente ele ainda nos recordou: “As feridas causadas na nossa mãe terra são feridas que sangram em todos nós”.

Se nossa Mãe adoeceu, nós também adoecemos com ela e, para recuperar a saúde, precisamos do remédio da conversão do coração ou, nos termos da própria Laudato Si’, de uma urgente “Conversão Ecológica”.

Na Regra de Vida para os frades menores, São Francisco fala do cuidado com os irmãos doentes: “Se algum dos irmãos cair enfermo, onde quer que estiver, os outros irmãos não o abandonem e o sirvam como gostariam de ser servidos” (RnB 10,1). Assim, se a Mãe Terra está doente, não podemos fugir do compromisso com o necessário cuidado pela nossa Casa Comum.

Assim, ao celebrarmos a solenidade de São Francisco, neste ano de 2020, desejo convocar a todos para assumir com entusiasmo as belas iniciativas que estão nascendo como frutos da Encíclica Laudato Si’.

A primeira é o olhar atento e amoroso para a Amazônia, expresso na realização do Sínodo e na Exortação “Querida Amazônia”. No contexto político-econômico em que estamos vivendo, multiplicam-se queimadas e exploração predatória dos grandes ecossistemas. Nossas vozes precisam se unir com as daqueles que defendem a preservação da vida, da cultura dos povos originários e da floresta; e, em respeito pelas espécies vegetais e animais, as criaturas todas, devemos denunciar toda forma de violência, praticada em nome do lucro e do benefício econômico para poucos.

São Francisco de Assis, com sua vida, aponta para valores tão necessários ao nosso tempo!

A pobreza e a humildade, vividas com generosidade, nos mostram um jeito ético e sustentável de conviver em harmonia com as pessoas e com os dons da criação, com o nosso planeta.

O modo fraterno de “viver em relação” privilegia a colaboração em vez da competição, a coletividade no lugar do individualismo, a parceria e não a exploração e a partilha como remédio para o mal da acumulação.

O espírito de minoridade nos leva à compaixão e à gratuidade contra a arrogância egoísta que promove ódio, morte e destruição.

Quanto mais sintonizados com Francisco, tanto mais vamos perceber que, embora frágeis, somos infinitamente amados por Deus.

E Deus nos ama de graça! E também nós somos chamados a distribuir gratuita e generosamente as inúmeras bênçãos e graças que dia após dia recebemos do Senhor.

Que a Festa de Nosso Seráfico Pai, São Francisco, seja, para todos nós, ocasião de renovarmos o primeiro entusiasmo que nos levou a abraçar a vida de irmãs e irmãos menores no seguimento de nosso Senhor Jesus Cristo.

O Senhor vos dê a Sua Paz!

Frei César Külkanmp,

Ministro Provincial