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#ACulpaEDoWitzel: Ágatha, presente!

#ACulpaEDoWitzel: Ágatha, presente!
23 de setembro de 2019 Comunicação

por Sérgio Ricciuto Conte*

Não foi um projétil.
Não foi um erro.
Não foi imprevisto.
Na favela PM estupra.
Na favela PM bota droga na mochila do rapaz que é preso por ter droga na mochila.
Ágatha com certeza tinha mais sonhos que anos de vida.
Tinha mais imaginação que experiência.
Tinha mais esperança que memória.
Lhe fez mal ser brasileira?
Lhe fez mal não ser branca?
Lhe fez mal ser criada na favela?
Com certeza não lhe fez bem não.
Mas o que a matou mesmo não foi isso.
Quem a matou foi a retórica do ódio que levou os assassinos a matar mais e as vítimas a morrer mais.
No Brasil 2019 quem mata não é bala, é a existência inteira.
Estamos dentro de uma enorme arma verde e amarela, há pedaço de mim no gatilho, há pedaço de você no cano, há pedaço de todos nós na bala.
As mãos fazendo arminha são culpadas por todo tiro. O silêncio covarde dos arminhas de paletó é culpado por toda criança morta.
Eu estou gritando, mas não por esperar que isso haja efeito. Grito por causa do meu ser.
Assim como quem mata, já entendemos, mata por causa do seu ser.
Não adianta: há um desejo de morte instalado na cabeça de quem apoia essa gente.
É isso que os levou a votar desse jeito.
Não foi um projétil, foi o desejo de morte.

#aculpaédoWitzel #agatha #elenão #barbárie ##ACulpaEDoWitzel

Ilustração e poesia de Sérgio Ricciuto Conte.