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CEBI-SC: Rio do Oeste sedia a última etapa da Escola Bíblica de Santa Catarina

CEBI-SC: Rio do Oeste sedia a última etapa da Escola Bíblica de Santa Catarina
3 de dezembro de 2018 CEBI Comunicação
Nos dias 02 a 04 de novembro aconteceu em Rio do Oeste a quarta e última etapa da Escola Estadual do CEBI/SC. Nesta etapa estávamos em 14 facilitadoras e facilitadores.

O encontro foi inspirado pelo movimento e pela prática de Jesus, afim de animar e qualificar as práticas do próprio grupo, contribuindo para o processo de transformação da sociedade e das Igrejas.

Para buscar alcançar os objetivos, foram levantados alguns aspectos do contexto em que viveu o nazareno, assim descrito:

  • realidade social, política, econômica e religiosa;
  • missão de Jesus;
  • prática de Jesus em relação aos pobres, mulheres, crianças, doentes, órfãos, viúvas, estrangeiros, vulneráveis e poderosos.

Estudamos essas questões buscando entender o seguimento de Jesus nos dias atuais, pensando  basicamente nos movimentos populares, na missão da educação popular, na teologia da libertação, entre outros temas relacionados a Jesus e seu poder libertador. Essa etapa, assim como as anteriores, foi assessorada por Ildo Bohn Gass que iniciou dizendo que não gosta de dizer “prática libertadora de Jesus”, pois o próprio Jesus já é libertador.

Missão de Jesus

A missão de Jesus que é anunciar o Reino de Deus, conforme Mc 1,14-15 e Mt 4,17, nos impulsionou a reflexão sobre o Reino sem estruturas de exclusão, mas sim, onde todas e todos são incluídos/as: Família de Deus, pai, mãe, irmãos, onde somos iguais.

Segundo Ildo, missão para Jesus é lutar pela preservação da vida. Partilha e cura são palavras e ações chaves para buscar o Reino de Deus. Jesus está preocupado com os corpos saudáveis das pessoas.

Portanto, o foco da missão de Jesus é partilha e cura, assim sendo, a lei podia ser jogada fora, ou seja, não tinha importância para Jesus, pois a vida era mais importante. Outro paradigma quebrado por Jesus nos textos bíblicos estudados foi a questão da família patriarcal, principalmente em Mc 10,28-31, onde se deixa a estrutura familiar e econômica por causa de Jesus, e do evangelho, para receber ainda no tempo presente, cem vezes mais. O curioso é que ao receber cem vezes mais, o pai fica fora da lista. O assessor nos questionou o porquê desse detalhe.

Para dinamizar os trabalhos, o estudo foi dividido em temas e textos, onde citamos alguns:

  1. Jesus e o exercício do poder, Jo 13,1-17. “Eu garanto a vocês: O servo não é maior que o seu senhor, nem o apóstolo é maior do que aquele que o enviou.” Para Jesus o poder é servir e não ser servido, conforme o entendimento de Pedro.
  2. Jesus e o Sinédrio/Templo, Mc 11,11-20. “Minha casa será chamada casa e oração para todos os povos? No entanto vocês a transformaram e abrigo de ladrões”. O templo era lugar de exploração dos pobres, o que Jesus repudia.
  3. Jesus e a Lei, Mc 2,23-28 e Mt 12,1-8. “Vê! Por que eles fazem no sábado o que não é permitido.” Para Jesus as necessidades das pessoas estavam acima da lei. Ou seja, a lei passa pelo estômago.
  4. Jesus e a economia: Mc 6,30-44 “Vocês é que devem dar-lhes de comer”. O pouco guardado no fundo da sacola das pessoas desde que bem distribuído é suficiente para alimentar uma multidão e ainda sobra. A lógica do tudo comprar serve par enriquecer poucos em detrimento da fome de muitos.

Como podemos ver pelos temos estudados, esta foi mais uma etapa de aprendizado e conhecimento bíblico. Em todos/as presentes ficou aquele gostinho de quero mais, e a Escola Bíblica vai deixar saudades. Por outro lado, o desafio continua. Enquanto facilitadoras e facilitadores, nossa missão não acabou com a última etapa da escola, ainda temos nosso grupo esperando nas sub-regiões onde trabalharemos o mesmo tema.

A Escola Bíblica em Santa Catarina

Já tivemos dez escolas no estado com dois anos de duração, sendo normalmente 11 etapas com três dias e meio cada. Nos últimos anos começamos a perceber que essa modalidade não atendia as necessidades do CEBI-SC, pois as pessoas participavam da escola para adquirir conhecimento, mas a grande maioria não assumia nenhum compromisso com o CEBI após o final do curso. O não comprometimento fazia com que não formássemos novas lideranças para o CEBI-SC, nem mesmo pessoas capazes de facilitar novos encontros.

Nos anos de 2016 e 2017, em reuniões de conselho e da coordenação, passamos a discutir uma nova sistemática para a escola do CEBI. Foi aí que chegamos à uma conclusão: precisávamos encontrar meios para comprometer as pessoas a assumirem o compromisso, mesmo que fosse com pequenos grupos.

Ao contrário das escolas anteriores, onde as inscrições eram abertas e tínhamos grupos maiores,  optamos por quatro etapas no mesmo ano, com dois dias e meio cada, não mais aberta para o público. Para nós, era importante formar pessoas que pudessem seguir assessorando outros encontros, para dar continuidade à formação popular no estado. Assim, com indicações dos membros do conselho e com vagas limitadas, abrimos novas turmas, focadas na continuidade do processo formativo.

Nessa dinâmica o objetivo é aprender como facilitar outros grupos.

No processo de ensinar aprendendo e aprender ensinando, a escola aconteceu em dois módulos: tínhamos a programação estadual, e cada sub-região também seguia com a sua. Assim, a pessoa participava da escola e tinha obrigação de facilitar a etapa na sua sub-região, onde servia como laboratório para quem assessorava.

Outro fator importante foi o número de pessoas que conseguimos trabalhar com essa dinâmica. Na escola de formação para facilitadores/as tivemos quinze participantes (vagas limitadas), e nas escolas nas sub-regiões, em média, 50 pessoas participaram.

Como primeira experiência, a avaliação foi positiva. Esperamos não parar por aqui. Nossa preocupação é com a renovação dos quadros para assessoria na leitura libertadora da bíblia.

Texto por Tânia Maria Furtado Pucci, da Sub-região de Lages/SC, e José do Nascimento, da Coordenação.