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CEBI-PR: Velhos/as terão sonhos e jovens terão visões (Mutirão Ecumênico)

CEBI-PR: Velhos/as terão sonhos e jovens terão visões (Mutirão Ecumênico)
CEBI-PR: Velhos/as terão sonhos e jovens terão visões (Mutirão Ecumênico)
22 de outubro de 2013 Centro de Estudos Bíblicos

Durante dois anos o CEBI, juntamente com várias igrejas cristãs e entidades, contribuiu na preparação do Mutirão Ecumênico Sulão VII.

Finalmente, na tarde do dia 18 de outubro, a casa Vereda das Araucárias, em Almirante Tamandaré, região Metropolitana de Curitiba (PR), foi ficando mais colorida alegre, cheirosa, barulhenta e encantadora. Jovens e Velhos foram chegando para refletir o tema Juventude, tolerância e solidariedade num mundo pluralista.

Veio gente dos "quatro cantos": Santa Catarina, Rio Grande do Sul, São Paulo e Paraná. O evento aconteceu entre os dias 18 e 20 de outubro e reuniu 210 pessoas, de oito diferentes igrejas: Anglicana, Batista, Católica, Presbiteriana Independente, Presbiteriana Unida, Luterana (IELB e IECLB) e Metodista.

Sob o lema "Velhos/as terão sonhos e jovens terão visões" (Joel 3.1 ou 2,28 cf. Almeida), a antiga colcha de retalho foi sendo montada e colorida, mas com um novo olhar… e vários momentos de celebração, partilha, música, conversas, diálogos, debates, dança e muita alegria. A colcha do encontro foi costurada em três momentos importantes: o olhar para a realidade, em suas diversas óticas; análise e iluminação do cotidiano a partir da Bíblia; e o estabelecimento de caminhos para a vivência ecumênica, sinais de diálogo.

Ao final a colcha estava quase pronta, só faltava definir para onde levá-la. Vai, junto com a tocha, para Santa Catarina. Lá será realizado o Mutirão de 2016.

 

Contribuição do CEBI

O CEBI Paraná contribuiu diretamente no processo de organização e realização do evento. Revda. Lúcia dal Ponti (Londrina), integrante do Conselho Nacional do CEBI, ajudou na coordenação e animação de todo o encontro. Márcia da Silva (Curitiba), secretária do CEBI-PR, dedicou-se ao trabalho de articulação, à infra-estrutura e à ornamentação do ambiente. João Santiago (Curitiba) cuidou da divulgação e venda dos livros. Larissa Andreguetti (Foz do Iguaçu) contribuiu na equipe de celebrações.

Muita gente do CEBI de várias partes dos estados do Sul também participou. Edmilson Schinelo (Campo Grande/MS) contribuiu na assessoria e Edison Silva (Canoas/RS) ajudou na articulação do evento.

 

Velhos/as terão sonhos e jovens terão visão: as contradições de Joel

(extraído da carta-relatório do encontro)

Edmilson Schinelo, biblista e assessor do CEBI, de Campo Grande/MS, ajudou o grupo a buscar a iluminação bíblica sobre o tema. Iniciou chamando a atenção para o termo tolerância: para a pessoa cristã, o contrário de intolerância não pode ser somente tolerância, mas aceitação diálogo e aprendizado com o diferente.

O assessor destacou que o lema bíblico "velhos/as terão sonhos e jovens terão visão" (Joel 3.1 – na Almeida 2.8) é retirado de um livro bíblico bastante contraditório. Os textos atribuídos ao profeta Joel por um lado defendem que o espírito de Deus será derramado sobre "filhos e filhas, jovens e velhos, servos e servas". Por outro lado, sugerem a inversão do sonho de Miquéias e Isaias: enquanto esses dois profetas defendiam que espadas deviam se transformadas e enxadas e arados, Joel prega exatamente o contrário (Joel 4.9-10 ou 3.9-10 na Almeida). No contexto de ameaças durante o pós-exílio, a postura de Joel é de eliminação de todos os inimigos, apenas o povo de Judá deve merecer a bênção, em Jerusalém os estrangeiros não podem nem pisar (Joel 4.17-21 ou 3.17-21). Ou seja, Joel é também exemplo de intolerância e xenofobia, postura de muitas pessoas e grupos religiosos.

Para evitar os risco de manipulação da Bíblia como forma de reforçar o fundamentalismo e a intolerância, Edmilson alertou que o caminho é lembrar sempre que a vida vem em primeiro lugar e a Bíblia deve iluminar vida (Sl 119,105) e não ser camisa de força. Se as instituições (o Estado, as igrejas e a própria pessoa humana) tendem a ser intolerantes e monoculturais, nas margens a pluralidade acontece como expressão do sonho de Deus para nós.

Por último, Edmilson ajudou o grupo, à luz do texto de Lc 18,1-5, a perceber como ser ecumênico/a é cultivar a rebeldia juvenil, é fazer resistência à injustiça e à opressão. Modelo de oração apresentado por Jesus é uma viúva que exige seus direitos. Tal como Deus armou sua tenda no meio do povo (Jô 1,14), a mulher é capaz de "armar o barraco" diante do "juiz da injustiça" para que o ecumenismo aconteça. Com muita probabilidade, Jesus poderia estar evocando uma mulher jovem: num contexto de ocupação romana, onde os homens morriam muito cedo na guerra, muitas jovens ficavam viúvas.