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CEBI- 42 anos promovendo a Leitura Popular e Libertadora da Bíblia

CEBI- 42 anos promovendo a Leitura Popular e Libertadora da Bíblia
20 de julho de 2021 Comunicação

“O vento sopra onde quer. Você o escuta, mas não pode dizer de onde vem nem para onde vai. Assim acontece com todos os nascidos do Espírito”.

João 3, 8

da esquerda para a direita: Jether e Lucilia Ramalho, Agostinha Vieira de Mello e Carlos Mesters em 20 de julho de 1979

 

E assim Ele soprou entre nós quando alguns militantes da Leitura Popular da Bíblia e da Teologia da Libertação, entre elas e eles Frei Carlos Mesters, Agostinha Vieira de Melo, Jether Ramalho, o pastor metodista Iranildes se reuniram em 20 de julho de 1979, no Convento do Carmo, na cidade de Angra dos Reis, litoral sul do Rio de Janeiro, para fundar o Centro de Estudos Bíblicos-CEBI.

“Foi assim que se fez. E no mês de junho de 1978 ou 1979, pastor Iranildes da igreja Metodista e eu, nós dois representando o Pastor Jether e aquele grupo de pastoralistas, num quartinho do convento do Carmo, iniciamos o CEBI rezando juntos o salmo 146 que diz: “Deus mantém sua fidelidade para sempre, fazendo justiça aos oprimidos, e dando pão aos famintos, liberta os prisioneiros, abre os olhos dos cegos, endireita os encurvados, ama os justos, protege os estrangeiros, sustenta o órfão e a viúva, mas transtorna o caminho dos injustos” (Sl 146,6-9) O Salmo deu o rumo para a caminhada do CEBI, relata Frei Carlos Mesters  em carta sobre Jether Ramalho, por ocasião de sua páscoa ocorrida em junho de 2020  e publicada no site do CEBI: Em carta, Frei Carlos Mesters relembra com carinho a caminhada com Jether Ramalho na fundação do CEBI – CEBI

Para lembrar e celebrar os 42 anos do CEBI, publicamos duas poesias de companheiros da caminhada: uma é do escritor e poeta  Márcio L’o,  que inspirado no lema da XXII Assembleia Nacional do  CEBI, “Construindo caminhos de transformação com as periferias”, nos presenteia com este inspirado poema intitulado “Olhares à Porta”. O outro poema é de autoria de Lenon Andrade, também escritor e poeta, que nos oferta o poema “O nascimento do CEBI em versos e poesia”,

 

OLHARES À PORTA

Marcio L’o

Biblopoesia de Lc 7,11-17 e da celebração de 42 anos do CEBI

 

Se, por acaso, encontrasse

com Carlos hoje, perguntaria:

– Que você tem na porta da memória?

Ainda lembro o que ele falou…

Se perguntasse a você:

– Que tem na porta da mente?

Talvez, não sei, você diria de nossas agora muitas pandemias

Vamos descer mais fundo, abrir portas das periferias

de lá de junto das mulheres e lgbtqia+, dos pretos e das indígenas

das sem-teto e dos sem-terra, das desempregadas e dos encarcerados

das juventudes e dos anciãos

– O que temos nas portas de nossos mo(vi)mentos?

– Temos antigas raízes fincadas e horizonte novos abertos

de compaixão política, de Cafarnaum-Naim

E por ali tinha uma viúva como o livro bem aberto, que disse:

– A vida abre uma porta para o livro, o livro abre outra para a vida

tempos difíceis esses, ainda mais, é preciso transitar pelas duas

Vamos perguntar para essa jovem:

– Que porta tem nos seus olhos?

– A porta da vida

– Como assim, porta da vida?

– A porta da vida

da gente ficar admirado que ela nos visita e fica conosco

poesia e profecia, esperança em levante

E essa notícia se espalhou pela periferia inteira

fizemos festa

– Que porta será que estamos olhando agora?

 

Márcio L’o integra o CEBI Bahia e é autor do livro “Ide e poetizai: biblopoesia”, publicado pelo CEBI Editora.

 

 

O NASCIMENTO DO CEBI EM VERSOS E POESIA

 

Seria mais uma leitura da Bíblia,

Do Levítico e do Deuteronômio

No contexto da explicação teológica

De pretexto para um ponto de vista, talvez?

 

Falava-se das leis de comer e beber

De carne a estragar-se no deserto

Carne suína que sem o sal se perdia,

Estragada, o prejuízo era certo.

 

Um biblista tomado de amor

Fez do estudo, conversa entre amigos

Na abertura do afeto singelo

Permitiu que todos falassem.

 

Na roda o contexto era a terra,

Saúde coletiva e preservação do povo.

Da lavra das mãos que plantam,

Colheu-se jeito novo de ler o Texto.

 

De um modo simples, lógico e profundo,

Tomou a palavra um lavrador

Para dizer que tanto lá como cá

O comer é bênção, pois é fruto da criação!

 

Dizia assim o simples campesino,

Se lá a lei de não comer porco defendia a vida

Aqui, se deixar de comer, a vida se perde.

Comer é lei divina pra manter a comunidade!

 

A Palavra transgrediu, na palavra do camponês,

Abrindo horizontes ainda não percebidos

De ver a vida em diálogo com a Bíblia

De olhar para a Bíblia a partir da história.

 

De um coração camponês nasceu a semente,

Fruto da lida na comunidade e na vida

Ensinou, a partir do seu viver,

Como fazer a leitura popular da Bíblia.

 

Desse jeito de ler o Texto

Nasceu o nosso CEBI

Com Jether, Lucia, Agostinha e frei Carlos

Em 20 de Julho de 79.

 

Pelo irmão camponês somos gratos

Pelas vidas e histórias benditas.

De partilhas em 42 anos

Resistentes assim prosseguimos!

 

Vida longa desejamos a todes!

De trabalho, cultivo e frutos.

Prossigamos na santa leitura

Liderados pelo Vento Divino!

 

Lenon Andrade integra o CEBI Paraíba e é autor do livro “Café com Esperança: Para deixa a vida mais leve”, do CEBI Editora.

 

 

Viva os 42 anos de caminhada do CEBI junto ao Povo de Deus!