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Evangelho: Procurar a partir do interior

Evangelho: Procurar a partir do interior
20 de abril de 2018 CEBI Secretaria de Publicações
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Confira a meditação do Evangelho de Jesus Cristo para o próximo domingo, dia 22 de abril. O texto pertence ao teólogo espanhol José Antonio Pagola, e fala sobre a passagem de João 10,11-1. O trecho corresponde ao Quarto Domingo da Páscoa ciclo B, do Ano Litúrgico.

Boa leitura!

Não se podem desenhar programas ou técnicas que conduzam automaticamente até Deus. Não há métodos para encontrar-se com Ele de forma segura. Cada um terá de seguir o seu próprio caminho, pois cada um tem a sua forma de abrir-se ao mistério de Deus. No entanto, nem tudo favorece em igual medida o despertar da fé.

Há pessoas que nunca falam de Deus com ninguém. É um tema tabu; Deus pertence ao mundo do privado. Mas logo tampouco pensam Nele, nem o recordam na intimidade da sua consciência. Esta atitude, bastante frequente inclusive entre quem se diz crente, conduz quase sempre a uma fé cada vez mais débil. Quando algo nunca é lembrado termina morrendo por esquecimento e inanição.

Há, pelo contrário, pessoas que parecem interessar-se muito pelo religioso. Gostam de colocar questões sobre Deus, a criação, a Bíblia… Fazem perguntas e mais perguntas, mas não esperam a resposta. Não parece interessar-lhes. Naturalmente, todas as palavras são vãs se não há uma busca sincera de Deus no nosso interior.

O importante não é falar de «coisas de religião», mas arranjar sítio para Deus na própria vida.

Outros gostam de discutir sobre religião. Não sabem falar de Deus se não é para defender a sua própria posição e atacar a contrária. De fato, bastantes discussões sobre temas religiosos não fazem senão favorecer a intolerância e o endurecimento de posições. No entanto, quem procura sinceramente Deus escuta a experiência de quem acredita Nele e inclusive de quem o abandonou. Tenho de encontrar o meu próprio caminho, mas interessa-me saber onde os outros encontram sentido, alento e esperança para enfrentar-se com a existência.

Em qualquer caso, o mais importante para nos orientarmos para Deus é invocá-lo no segredo do coração, a sós, na intimidade da própria consciência. É aí onde um se abre confiadamente ao mistério de Deus ou onde se decide viver só, de forma ateia, sem Deus. Alguém me dirá: «Mas como posso eu invocar a Deus se não creio Nele nem estou seguro de nada?». É possível. Essa invocação sincera no meio da escuridão e das dúvidas é, provavelmente, um dos caminhos mais puros e humildes para nos abrirmos ao Mistério e sermos sensíveis à presença de Deus no fundo do nosso ser.

O quarto evangelho recorda-nos que há ovelhas que «não são do redil» e vivem longe da comunidade crente. Mas Jesus diz: «Também a estas, as tenho que atrair, para que escutem a Minha voz». Quem procura, com verdade, Deus, escuta, mais tarde ou mais cedo, esta atração de Jesus no fundo do seu coração. Primeiro com reservas talvez, logo com mais fé e confiança, um dia com alegria profunda.

Texto traduzido e publicado pelo Instituto Humanitas, 20/04/2018.

Foto de capa: Patrick Fore.