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Economia: Do sonho americano ao sonho escandinavo

Economia: Do sonho americano ao sonho escandinavo
24 de outubro de 2008 Centro de Estudos Bíblicos
Economia: Do sonho americano ao sonho escandinavo

Por Jim Lobe, da IPS

 Washington, 23/10/2008 – O "sonho americano" de superação econômica e social parece ter migrado de seu lugar de nascimento, os Estados Unidos, para o norte da Europa, segundo novo estudo da Organização para a Cooperação e o Desenvolvimento Econômico. De seus 30 Estados-membros, cuja maioria também integra a União Européia, os Estados Unidos mostram a maior brecha entre seus habitantes ricos e pobres, depois de México e Turquia, segundo o documento "Crescendo de forma desigual", apresentado esta semana no escritório da OCDE em Paris.

Esta brecha cresceu particularmente nos Estados Unidos desde 2000, isto é, no governo de George W. Bush, segundo o estudo, que concluiu que a brecha entre as classes média e alta norte-americanas aumentou 10%. O crescimento desta desigualdade tem grande impacto na mobilidade social, segundo o secretário-geral da OCDE, Angel Gurría, para quem o informe demonstra a falsidade da idéia de que a desigualdade estimula os pobres.

"A mobilidade social é lenta em um país com alta desigualdade, como Itália, Grã-Bretanha e Estados Unidos. Mas, é muito mais rápida nos países nórdicos, onde a renda é distribuída de maneira mais uniforme", disse Gurría aos jornalistas. "Isto significa que nas nações com mais desigualdade os filhos dos lavadores de pratos têm mais possibilidades de serem lavadores de pratos, e os filhos dos milionários podem presumir que também serão ricos", afirmou, acrescentando que os governo podem fazer muito para promover a mobilidade, principalmente através de políticas impositivas progressistas, mais gasto social, criação de empregos e maior investimento em educação.

O novo informe – pelo qual a desigualdade na maioria dos países da OCDE, não apenas nos Estados Unidos, cresceu notoriamente nas duas últimas décadas – chega a um contexto-chave, devido à atual crise financeira e ao seu impacto nas eleições presidenciais de novembro. A crise motivou críticas sem precedentes em todo o planeta no modelo econômico de livre mercado, que organismos com sede em Washington, como Banco Mundial e Fundo Monetário Internacional, promoveram com vigor a partir dos anos 80.

Esse modelo, conhecido como "Consenso de Washington", afirma que uma confiança maior nos mercados e menor intervenção do governo favorecem o crescimento econômico e geram maiores rendas para as classes média e pobre. A atual crise, entretanto, coloca em dúvida esse modelo, inclusive nos Estados Unidos, onde os membros do opositor Partido Democrata pedem grandes mudanças nas políticas econômicas para começar a reduzir a brecha entre ricos e pobres.

Essas mudanças, incluindo maiores impostos sobre a riqueza, mais investimentos em educação, serviços públicos, criação de empregos e luta contra a pobreza infantil, particularmente, são citados no estudo da OCDE entre os mais efetivos. "Este informe se encaixa em certo discurso democrata de reconhecer que as desigualdades são um problema sério e que são geradas no mercado de trabalho", disse John Schmitt, analista do Centro para Pesquisa Econômica e de Políticas. "A OCDE reconhece que os eu têm um pobre desempenho em mobilidade social, e creio que isso surpreende muitos norte-americanos".

O informe concluiu que os Estados Unidos não são os únicos a mostrarem desigualdades sociais entre os países ricos nas duas últimas décadas. Três em cada quatro nações da OCDE estudadas, as iniqüidades cresceram entre os mais ricos e os mais pobres na França, onde o governo assumiu um papel particularmente agressivo na economia, experimentou uma redução na brecha, enquanto na Grã-Bretanha, onde a desigualdade aumentou durante a administração da primeira-ministra Margareth Thatcher (1979-1990), a brecha diminuiu nas duas últimas décadas mais do que em qualquer outro país.

A maior desigualdade constatada nos países da OCDE foi encontrada no México, onde os lares mais ricos tinham 25 vezes mais renda do que os mais pobres. Na Turquia, a diferença era de 17 para um, e nos Estados Unidos de 16/1. A média de desigualdade para todas as 30 nações da OCDE em 2005 era de nove por um. A menor brecha foi registrada na Suécia e na Dinamarca, inferior a 5 por um. Depois de México e Turquia, os Estados Unidos também apresentam a maior taxa de pobreza entre as nações da OCDE, segundo o informe, que define lar pobre o que tem renda abaixo da média nacional. A taxa de pobreza nos 30 países da OCDE foi inferior a 10% em 2005. O México teve a mais alta, acima de 20%, seguido de Turquia e Estados Unidos, com 17%. As taxas de pobreza mais baixas foram registradas na Suécia e na República Checa. (IPS/Envolverde)

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