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Diretoria do CONIC agora conta com a presença de uma bispa

Diretoria do CONIC agora conta com a presença de uma bispa
3 de maio de 2021 Comunicação

Igreja Episcopal Anglicana do Brasil (IEAB) elegeu sua terceira bispa. O processo ocorreu na Diocese Anglicana do Paraná, em Concílio Extraordinário realizado no dia 24 de abril. Na oportunidade, a reverenda Magda Guedes foi eleita bispa coadjutora na Diocese.  

Logo após a eleição, a comunicação do CONIC conversou com a reverenda Magda. Entre outros assuntos, ela falou da importância das mulheres ocuparem cargos de liderança dentro das igrejas, frisando o histórico da IEAB nesse sentido. 

Confira: 

1) Como você recebeu essa nomeação? 

A Igreja Episcopal Anglicana do Brasil (IEAB) tem um processo de eleição em que somos eleitos para esses cargos. Essa eleição acontece no Concílio de cada Diocese. Antes do Concílio ser realizado há todo um processo “eleitoral”, da qual eu participei como candidata. Esse processo é realizado sempre que o bispo local vai se aposentar. Participam desse Concílio os representantes das paróquias, leigos, e todo o clero diocesano. Me sinto muito agradecida e reconhecida pelo fato de ter sido eleita. Sinto-me   desafiada e comprometida com esse povo do Paraná que me elegeu para ser a sua pastora. Vale lembrar que eu fui eleita bispa coadjutora, pois temos como bispo atual dom Naudal Alves Gomes, que se aposenta esse ano. Quando ele se aposentar, daí sim, serei instalada como bispa da Diocese. 

2) Agora que você estará à frente de uma Diocese Anglicana, quais serão as suas principais prioridades? 

 Eu não tenho prioridades pessoais. Fui eleita para estar com o povo. Portanto, as prioridades que virão são as prioridades da Diocese, do povo do Paraná. Essas, portanto, serão as minhas prioridades. Estarei com todos, juntos e juntas, como pastora, para desenvolver todos os sonhos que estão sendo vividos ali. A Diocese está no processo de Planejamento Estratégico, seguindo a orientação da Igreja Nacional assim tem diversas frentes, incluindo missão, educação teológica, sustentabilidade, diaconia, enfim, uma série de trabalhos que seguiremos fazendo.  Como vê, temos muito trabalho pela frente. 

 3) Por que, na sua opinião, a inserção de mulheres em cargos-chave das igrejas é importante?  

 Sobre a questão do ministério ordenado feminino na igreja, é sempre importante lembrar que essa conquista que temos, em especial na Igreja Anglicana, já vem de muito tempo. Nossa primeira clériga ordenada foi a reverenda Carmen Etel, 36 anos atrás. A partir dela, outras vieram. Hoje somos mais de 40 reverendas no Brasil. Em todas as nossas Dioceses temos reverendas, incluindo 2 bispas diocesanas e eu, agora a terceira bispa eleita. 

É importante sempre frisar que a igreja é de todas as pessoas. Ela é composta por homens e mulheres. Durante muito tempo, nós vivemos a questão do machismo nos ambientes eclesiásticos, nos quais as mulheres só podiam ser professoras de Escola Dominical, ministério de música e grupo de mulheres, dentre outros trabalhos de cuidados da igreja. Mas quando havia algo na esfera de decisão, daí eram os homens que davam a última palavra. No entanto, a Igreja Anglicana, assim como outras denominações, é formada em sua maioria por mulheres. Eu tenho 25 anos no ministério ordenado, e nesse tempo eu sempre percebi que nós, mulheres, temos sempre que fazer “algo a mais”. Não basta fazer apenas o que os homens fazem. Temos de “provar” que somos capazes. Isso é uma questão cultural. Muita gente pensa que mulher não deveria liderar uma paróquia.  

 Por outro lado, vemos que, hoje, as coisas estão mudando. Estive certa vez em uma paróquia que, quando fui eleita, duas mulheres da diretoria não aceitavam a minha eleição. Tempos depois, uma delas disse que “foi contra por eu ser uma mulher”, mas que teve “uma grata surpresa pela minha sensibilidade na questão litúrgica, acompanhamento”. Depois ela se tornou uma grande aliada do meu ministério. Quanto à outra, que inicialmente também foi contra, depois se juntou e todas foram fortalecidas.  

 Nós, mulheres e homens, somos pastores e pastoras de toda a igreja, que é composta por homens e mulheres.  

 Mas ainda há muito a se fazer. Na nossa Igreja, para que possamos ser párocos ou párocas, também há eleição. E os membros e diretoria daquela igreja votam em nomes dentro de uma “lista”. Essa lista, algumas vezes, vem primeiro com os nomes dos homens e, por último, o nome das mulheres. Mas essa prática v. Hoje podemos olhar pra trás e ver que vencemos muitas dificuldades. Todavia, precisamos ficar atentas para que essas conquistas não sejam perdidas.  

 A missão não é nossa, a missão é de Deus! E Ele não faz acepção de pessoas! 

 4) Gostaria de acrescentar algo? 

 Sim. Agora, com essa eleição, eu vou para uma outra realidade: Paraná. Estou feliz porque sei que vou encontrar nesse estado, pessoas que trabalharão muito pela missão. Meu ministério será um ministério pela graça de Deus, com a ajuda de todas as pessoas. Jamais farei algo sozinha, mas junta com irmãos e irmãs que já estão lá há muito tempo fortalecendo essa Diocese, que tem um bispo profético, que cuida do povo, que está no meio do povo. Queremos dar continuidade a esse trabalho tão bonito. Incluir todos é meu desejo e minha oração. 

    

Biografia 

  • Reverenda Magda Guedes Pereira nasceu em Sant’Ana do Livramento, Rio Grande do Sul, fronteira com Uruguai. É clériga da Igreja Episcopal Anglicana do Brasil (IEAB) desde 1996. Além da Teologia, a reverenda tem outra graduação: Pedagogia. 
  • Foi Capelã (1996-1999) da Escola Anglicana em Erechim/RS; desde sua ordenação atuou nas Dioceses anglicanas Sul-Ocidental (1996-2006), Paraná (2007-2010) e Brasília (2011-2017). Atualmente reside na Diocese de Pelotas. Desde julho de 2018 exerce a função de Secretária-Geral da IEAB.  
  • Magda também integra a diretoria do CONIC. 

 Linha histórica da ordenação feminina no Brasil pela IEAB 

  • No Brasil, o ministério feminino, tanto ao diaconato, presbiterado, como ao episcopado, é permitido desde 1984, sendo que a primeira mulher ordenada foi a reverenda Carmen Etel Alves Gomes, em 1985. 
  • A primeira eleita para o Episcopado foi a bispa Marinez Rosa Bassotto, em 20 de janeiro de 2018. Bispa na Diocese Anglicana da Amazônia, na cidade de Belém do Pará. 
  • A segunda eleita para o Episcopado foi a bispa Meriglei Borges Simin, no dia 27 de abril de 2019, na Diocese Anglicana de Pelotas, Rio Grande do Sul. 

  

Fonte: CONIC com informações da IEAB 

Foto: acervo pessoal