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Carta de amor ao meu inimigo (2): Por favor, tire a sua máscara

Carta de amor ao meu inimigo (2): Por favor, tire a sua máscara
1 de outubro de 2018 CEBI Secretaria de Publicações

por Marcos Monteiro*

Meu querido inimigo,

Por que você me dá a impressão de que não é nada do que parece? Você realmente é o inimigo que Jesus me desafia a amar e acho tão difícil? Ou escolheu essa máscara odiosa para angariar apoio dessa parte da população que é machista, racista, homofóbica e violenta?

Há dois anos, achávamos, a maioria do país, que você era apenas um bufão, daqueles que contam piadas politicamente incorretas e que despertam a gargalhada de quem gosta do humor grotesco.

Um amigo meu, Karl Marx, que você considera inimigo também, afirmou que a história se repete somente como farsa. Então você seria um “farsista” e não o fascista que tenta aparentar.

O fascismo era um projeto grandioso, aliás com mania de grandeza, mas era um projeto. O preconceito e ódio que gerou eram partes integrantes. Mas você nunca apresentou um projeto de país. Então, até o seu fascismo é um “farsismo”, ridículo ódio, gargalhada sarcástica e violenta.

Não dá mais para rir do seu discurso, uma piada de mau gosto que passou a graça e só sobrou o cheiro, o mau hálito. Se foi importante para garantir o seu emprego político como deputado, com todas as vantagens, salários e auxílio moradia, não serve para a sua candidatura a presidente.

Você defende bem o seu emprego, mas nunca apoiou como deputado nenhum direito essencial para o trabalhador e a trabalhadora.

Infelizmente, você precisava de uma atitude e um discurso de estadista que nunca ensaiou. De quantos intelectuais, militares e líderes religiosos você precisa para nos convencer de que você não disse aquilo que disse?

Então, deixe eu lhe pedir com todo o carinho: Tire a sua máscara. Não sei se o que você esconde é melhor ou pior. Pelo menos será mais autêntico. Ainda acho que você talvez não seja o fascista que pretende, apenas um “farsista”, alguém querendo ganhar votos para ao menos garantir o seu emprego de político profissional.

Texto de Marcos Monteiro, pastor batista. Esta é a segunda carta publicada pelo autor.

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