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Apostar no amor – Marcos 10,2-16 – IHU

Apostar no amor – Marcos 10,2-16 – IHU
4 de outubro de 2012 Centro de Estudos Bíblicos

Em continuação aos evangelhos dos domingos anteriores, Marcos segue apresentando à sua comunidade diferentes ensinamentos catequéticos. Aos poucos, a catequese mostra aos que iniciam o caminho da fé quem é Jesus e o que significa comprometer-se com ele.

O tema de hoje é o matrimônio, porém não sob o ângulo da casuística, mas sob o ângulo da vontade de Deus. O encontro "catequético" se desenvolve em forma de diálogo. O plano de Deus sob o matrimônio se situa no amor, em uma relação de reciprocidade, de complementaridade do homem e da mulher que se transforma em unidade de vida ("uma só carne") quando um homem e uma mulher optam um pelo outro.

Na história do povo de Israel, esta vontade inicial de Deus nem sempre se realizou. Por diferentes razões, os homens achavam legítimo despedir suas mulheres, então para protegê-las a legislação deuteronomística previu que as mulheres repudiadas recebessem um certificado de divórcio (Dt 24,1).

Recebendo o documento do divórcio, a mulher estaria livre para casar com outro homem, sem ser acusada de adultério. Mas esta intenção também foi esquecida, e o divórcio passou a ser uma demonstração do arbítrio e do machismo.

Tendo em conta este panorama podemos entender melhor a resposta de Jesus, que em primeiro lugar mostra que a legislação do divórcio foi feita para enfrentar a maldade humana: "Foi por causa da dureza do coração de vocês que Moisés escreveu esse mandamento".

E em segundo lugar, Jesus restaura o sentido inicial do matrimônio dentro do projeto de Deus: "o que Deus uniu, o homem não deve separar".

Jesus veio para fazer possível o sonho de Deus referente ao amor humano. Em outra passagem evangélica, vemos como ele mesmo se coloca no meio da festa de bodas para cuidar que o vinho do amor não se acabe, oferecendo-se ele mesmo como a fonte do Amor (Jo 2,1-12).

Qual é a visão de matrimônio da sociedade de hoje? Alimentamos ainda hoje a utopia do matrimônio? Quantas vezes temos escutado o ditado popular: "O amor é bom enquanto dura" expressão de uma mentalidade atual que tem banalizado o amor, que promove diante qualquer dificuldade a separação, considerando quase impossível a fidelidade entre duas pessoas.

A proposta evangélica não é para "super-homens ou super-mulheres", mas para aqueles que, querendo abraçar o ideal cristão de vida, e sendo conhecedores de suas limitações e fraquezas, buscam em Jesus a fonte e o Mestre para viver o caminho do amor.

Falo de caminho porque fomos feitos por amor e para o amor e vivê-lo é um processo, uma arte que se aprende na família, com os amigos, na comunidade… É interessante que o evangelho coloque logo a seguir da explicação de Jesus sobre o matrimônio, este novo desentendimento dele com seus discípulos.

Em um dos domingos anteriores, Jesus já lhes tinha explicado a centralidade das crianças no Reino de seu Pai, mas eles continuam sem entender: "Depois disso, alguns levaram crianças para que Jesus tocasse nelas. Mas os discípulos os repreendiam".

Jesus não gosta nada dessa atitude dos discípulos. Podemos, então, nos perguntar por que não gosta. E que tem isso a ver com a primeira parte do evangelho de hoje? As crianças nos falam de fragilidade, de dependência, de um ser humano em crescimento, com um futuro pela frente.

Jesus não só quer que as crianças fossem a Ele, mas ainda acrescenta uma sentença muito importante: "quem não receber como criança o Reino de Deus, nunca entrará nele".

É um convite que o Senhor nos faz para reconhecer nossa realidade humana mais profunda, somos finitos, limitados, mas com sede de infinito, de plenitude! A vida é o presente que recebemos de Deus para percorrer esse caminho entre o finito e o infinito, entre o amor limitado e a plenitude do amor.

Nesse peregrinar não estamos sozinhos/as como as crianças do evangelho, Jesus pega-nos no colo, abraça-nos, isto é, está conosco, desde já nos concede viver sua amizade, sua companhia amorosa.

É por isso que podemos, apesar das dificuldades da vida pessoal e a dos outros, continuar apostando no matrimônio, no amor duradouro, sabendo que nesse caminho a dois, é preciso deixar entrar, renovar, agir um Terceiro!