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Ações em diversas partes do Brasil e do mundo recolocam pautas sobre os direitos femininos

Ações em diversas partes do Brasil e do mundo recolocam pautas sobre os direitos femininos
15 de março de 2010 Centro de Estudos Bíblicos
Ações em diversas partes do Brasil e do mundo recolocam pautas sobre os direitos femininos
"Num mundo em que mulheres e homens desfrutassem de condições de igualdade (…) Viveriam juntos porque se querem, se estimam no mais puro, belo e desinteressado sentimento de amor". Assim diziam as anarquistas brasileiras no periódico A Voz do Trabalhador, em 1915.

Noventa e cinco anos depois, elas bradam: "Seguiremos em marcha até que todas sejamos livres". Esse é o lema das mobilizações que pautam as ações da Marcha Mundial da Mulher (MMM) que se iniciaram na semana do Dia Internacional da Mulher.

Mais de 15 estados brasileiros foram os cenários da luta durante a comemoração do centenário do 8 de março. Mulheres de movimentos sociais como o Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), Via Campesina, Movimento dos Atingidos por Barragens (MAB), Movimento dos Trabalhadores Desempregados (MTB), Central Única dos Trabalhadores (CUT), Consulta Popular, entre outros, formaram um contingente feminista com mais de dez mil mulheres no total.

As reivindicações da 3ª Ação Internacional da MMM estão baseadas em quatro pilares, considerados temas fundamentais para a vida das mulheres em todo o mundo: autonomia econômica das mulheres, bens comuns e serviços públicos, paz e desmilitarização, e fim da violência contra elas.

Discrepância salarial

No estado de São Paulo, três mil mulheres de 25 estados iniciaram uma marcha, no último dia 8, de Campinas à capital paulista, com previsão de chegada para 18 de março. A parte da manhã é reservada para marchar, enquanto o período da tarde é destinado à formação política em diversos temas.

"Queremos justamente desnaturalizar essa ideia de que o trabalho doméstico é coisa de mulher e tentar entender esse fato como uma construção social, como uma divisão sexual do trabalho", comenta Nalu Faria, da Coordenação da MMM, referindo-se a uma das questões abordadas.

Pesquisa realizada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) em 2009 ainda retrata a opressão social sofrida pelo gênero. Os dados revelam, por exemplo, que quanto maior a escolaridade de ambos os sexos, maior a discrepância salarial entre homens e mulheres: estas ganhando em torno de 72,3% do rendimento recebido pelos homens. "Isso demonstra a divisão sexual do trabalho. Sempre nos tentam fazer acreditar que nós ganhamos pouco porque o que fazemos é pouco valorizado e porque não somos qualificadas. No entanto, quando as mulheres se qualificam, os trabalhos delas continuam sendo desvalorizados", observa Nalu.

Rearticulação

Com caráter internacional, tais atividades estão programadas para serem realizadas em 51 países, como Canadá, Colômbia, França e Espanha, com ações acontecendo até 17 de outubro, dia do encerramento, em Kivu do Sul, na República Democrática do Congo.

Para Tatiana Berringer, da Consulta Popular, tais ações, além de trabalharem sob a ótica dos movimentos coletivos e o direito à reforma agrária, visam também "uma nova rearticulação dos movimentos feministas".

Discute-se, também, conquistas dos movimentos feministas que serviram muito mais para uma reorganização do modelo liberal de produção, como a imersão no mercado de trabalho, do que para uma verdadeira emancipação das mulheres. "O grande desafio de fato é demonstrar para a sociedade como as mulheres ainda vivem nessa situação de opressão e exploração, principalmente por cumprirem uma dupla jornada de trabalho: o reprodutivo e doméstico e o próprio trabalho produtivo, relacionado ao mercado. Intensificando-se, na verdade, tanto a exploração como a opressão das mulheres", analisa Tatiana.

 

As ações nos estados:

Alagoas: em Maceió, manifestantes acamparam em frente ao Palácio do Governo do Estado. Em Arapiraca, ato criticou o avanço da monocultura e a transposição do Rio São Francisco.

Bahia: mais de 1500 mulheres se reuniram em frente à Universidade Federal da Bahia e discutiram temas como soberania alimentar e violência contra a mulher.

Ceará: em Fortaleza, 400 mulheres acamparam em frente à produtora de agrotóxicos Nufarm, exigindo a desapropriação do terreno.

Espírito Santo: 400 mulheres marcharam até o Banco do Brasil, em São Mateus, exigindo políticas para as camponesas. Marcha pelas principais ruas de Vitória contra o latifúndio.

Goiás: caminhada contra o agronegócio no município de Rubiataba.

Mato Grosso: doação de sangue em Várzea Grande.

Mato Grosso do Sul: 300 mulheres caminharam pelas ruas de Campo Grande, entregando ao Incra local uma pauta com reivindicações para melhorias na área de saúde, educação e crédito para as mulheres do estado.

Minas Gerais: exigindo mais acesso ao crédito, 300 mulheres concentraram-se em frente ao Banco do Brasil, em Governador Valadares. Em Belo Horizonte, 500 mulheres acamparam em frente à Assembleia Legislativa e denunciaram a situação de opressão pelo agronegócio, a violência e o machismo.

Paraíba: em João Pessoa, as mulheres marcharam pelas principais ruas das cidades, destacando a violência contra elas. No município de Sousa, 400 mulheres também marcharam, denunciando o uso desenfreado de agrotóxicos pela empresa Santana.

Paraná: cerca de mil camponesas, na cidade de Porecatu, ocuparam a Usina Central do Estado, denunciando o trabalho escravo e a monocultura de cana.

Pernambuco: cerca de 350 mulheres ocuparam a sede da Secretaria de Agricultura, no Recife. No dia 7, 180 mulheres reocuparam a fazenda Uberaba, município de Bonito.

Rio de Janeiro: ocupação da Usina Capim, em Ururaí.

Rio Grande do Sul: ocupação da Delegacia do Ministério da Agricultura, dia 3, e manifestação em frente à Universidade Federal do Rio Grande do Sul contra projeto da construção do Parque Tecnológico, dia 4.

Rondônia: protesto contra a construção da Hidrelétrica no Rio Madeira, em Porto Velho.

São Paulo: 3 mil mulheres marcham, do dia 8 ao dia 18, de Campinas à São Paulo. 150 mulheres ocuparam o Incra de Araraquara e seguiram para a frente da empresa Cutrale.

Tocantis: 800 mulheres da região Amazônica e de movimentos populares marcharam em defesa da vida, da soberania alimentar e dos direitos humanos.

 

Jornal Brasil de Fato