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A opção que não transformou e que perdeu o fôlego

A opção que não transformou e que perdeu o fôlego
21 de março de 2016 Centro de Estudos Bíblicos
A opção que não transformou e que perdeu o fôlego
"Hoje, ainda que continuem existindo governos progressistas, o modo de governar é considerado conservador, como fica muito claro no Brasil", afirma o jornalista uruguaio.

Não há como fazer uma omelete sem quebrar os ovos. É mais ou menos na lógica desse ditado que Raúl Zibechi reflete sobre o que acontece com o governo — dito — progressista e de esquerda no Brasil. “Minha impressão é que se optou por uma forma de governo sem conflitos, nem com a direita, nem com os setores populares”, diz. Para ele, não é uma exclusividade brasileira, mas algo recorrente na América Latina que não levou a profundas transformações sociais. “Ante os ricos, apresenta-se como aquele que pode apaziguar os de baixo. E ante os de baixo, apresenta-se como o grande beneficiário com diversas políticas sociais. Quando esse cenário é dissolvido, os governantes não sabem como se manter”, analisa, ao destacar o que ocorre quando o modelo chega a um limite.

Na entrevista concedida por e-mail à IHU On-Line, Zibechi olha desde a realidade do Brasil que transborda para a América do Sul. Nessa lógica conciliadora, o que há é uma inclusão pelo consumo que, ao invés de romper com o capital, alimenta-se dele. De acordo com o entrevistado, é importante perceber isso para entender por que este é um ciclo que chega ao fim. Uma das causas que levam ao esgotamento, segundo ele, “é que os preços das commodities caíram. Isto é importante, pois a chave para o ‘milagre’ do modelo político-econômico progressista foi que os altos preços de exportação permitiram um grande excedente que tornou possível a melhora da situação dos mais pobres, sem tocar nos privilégios dos mais ricos. Isto acabou. Com o agravante de que os grandes beneficiários desse ‘milagre’ foram os bancos, o setor financeiro”.

Raúl Zibechi é escritor, jornalista e pensador-ativista uruguaio, dedicado ao trabalho com movimentos sociais na América Latina. Foi membro da Frente Revolucionária Student – FER, grupo de estudantes ligados ao Movimento de Libertação Nacional – Tupamaros. Em meados dos anos 1980, começou a publicar artigos em revistas e jornais de esquerda (Página Aberta, Egin, Libertação) e meios de comunicação da América Latina (Pagina/12, Argentina, e Mate Amargo, Uruguai). Foi editor do semanário Brecha e ganhou o Prêmio de Jornalismo José Martí por sua análise do movimento social argentino que levou à insurreição de dezembro de 2001. Entre suas publicações mais recentes, estão Latiendo Resistencia. Mundos Nuevos y Guerras de Despojo (Oaxaca: El Rebozo, 2015), Descolonizar el pensamiento crítico y las prácticas emancipatorias (Quimantú, 2014 y Desdeabajo, 2015) e Preservar y compartir. Bienes comunes y movimientos sociales (Buenos Aires: Mardulce, 2013).

Confira a entrevista.