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A comunidade como espaço alternativo de solidariedade e fraternidade – Mt 18,15-20

A comunidade como espaço alternativo de solidariedade e fraternidade - Mt 18
A comunidade como espaço alternativo de solidariedade e fraternidade – Mt 18,15-20
2 de setembro de 2011 Centro de Estudos Bíblicos

1. Situando

1. Neste Circulo vamos ler e meditar a segunda parte do Sermão da Comunidade. Veremos os assuntos da correção fraterna (18,15-18), da oração em comum (18,19-20), do perdão (18,21-22) e a parábola do perdão sem limites (18,23-35).

2. A organização das palavras de Jesus em cinco grandes Sermões mostra que, já no fim do primeiro século, as comunidades tinham formas bem concretas de catequese.

O   Sermão da Comunidade, por exemplo, traz instruções atualizadas de como proceder em caso de algum conflito que surgisse entre os seus membros. Eram como cinco grandes setas no caminho que apontavam o rumo da caminhada e ofereciam critérios concretos para solucionar conflitos.

2. Comentando

1. Mateus 18,15-18: A correção fraterna e o poder de perdoar

Jesus traz normas simples e concretas de como proceder no caso de algum conflito na comunidade Se um irmão ou uma irmã pecar isto é se tiver um comportamento não de acordo com a vida da comunidade não se deve logo denunciá los. Primeiro procure conversar a sós. Procure saber os motivos do outro. Se não der resultado, leve mais duas ou três pessoas da comunidade para ver se consegue algum resultado. Só em caso extremo, deve levar o problema para a comunidade toda. E se a pessoa não quiser escutar a comunidade, que ela seja para você como um publicano ou pagão, isto é, como alguém que já não faz parte da comunidade. Não é você que está excluindo, mas é a pessoa que se exclui a si mesma.

2. Mateus 18,19: A oração em comum

Esta exclusão não significa que a pessoa seja abandonada à sua própria sorte. Ela pode estar separada da comunidade mas não estará separada de Deus. Caso a Conversa na Comunidade não der resultado e a pessoa não quiser integrar-se na vida da comunidade, resta o último recurso de rezar juntos ao Pai para conseguir a reconciliaçao. E Jesus garante que o Pai vai atender.

3. Mateus 18,20: A presença de Jesus na comunidade

O motivo da certeza de ser ouvido é a promessa de Jesus: "onde dois ou três estiverem reunidos em meu nome, estarei no meio deles!" Jesus diz que ele é o centro, o eixo, da comunidade, como tal, junto com a Comunidade estará rezando ao Pai, para que conceda o dom do retomo ao irmão ou à irmã que se excluiu.

4. Mateus 18,21.22: Perdoar setenta vezes sete!

Diante das palavras de Jesus sobre a reconciliação, Pedro pergunta: "Quantas vezes devo perdoar? Sete vezes?" Sete é um número que indica uma perfeição e, no caso da proposta de Pedro, sete é sinônimo de sempre. Mas Jesus vai mais longe. Ele elimina todo e qualquer possível limite para o perdão: "Não te digo até sete, mas até setenta vezes sete!" Pois não há proporção entre o amor de Deus para conosco e o nosso amor para com o irmão. Jesus conta uma parábola para esclarecer a sua resposta a Pedro.

5. Mateus 18,23-35: A parabola do perdão sem limite

Dívida de dez mil talentos é 164 toneladas de ouro. Dívida de cem denários é de 30 gramas de ouro. Não existe meio de comparação entre os dois! Mesmo que o devedor junto com mulher e filhos fosse trabalhar a vida inteira, jamais seria capaz de juntar 164 toneladas de ouro. Diante do amor de Deus que perdoa gratuitamente nossa dívida de 164 toneladas de ouro, é nada mais que justo que nós perdoemos ao irmão a dívidazinha de 30 gramas de ouro. E atenção! O único limite para a gratuidade da misencordia de Deus e a nossa Incapacidade de perdoar o irmão' (Mt 18,34; 6,15).

 

 

3. Alargando 

A comunidade como espaço alternativo de solidariedade e fraternidade

A sociedade do Império Romano era dura e sem coração, sem espaço para os pequenos. Estes buscavam um abrigo para o coração e não o encontravam. As sinagogas também eram exigentes e não ofereciam um lugar para eles. Nas comuni­dades, o rigor de alguns na observância da Lei levava para dentro da convivência os mesmos critérios injustos da sociedade e da sinagoga. Assim, nas comunidades começaram a aparecer as mesmas divisões que existiam na sociedade e na sinagoga entre rico e pobre, dominaçao e submissao, falar e calar, carisma e poder, homem e mulher, raça e religião. Em vez de a comunidade ser um espaço de acolhimento, tomava-se um lugar de condenação. Juntando palavras de Jesus neste Sermão da Comunidade, Mateus quer iluminar a caminhada dos seguidores e das segujdoras de Jesus, para que as comunidades sejam um espaço alternativo de solidariedade e de fraternidade. Devem ser uma Boa Notícia para os pobres.

 

Texto extraído do livro "Travessia: Quero Misericórdia e não Sacrifício. Círculos Bíblicos sobre o Evangelho de Mateus". De Carlos Mesters, Mercedes Lopes e Francisco Orofino.

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