Bem vindo(a) ao CEBI ! (51) 3568-2560

24º Grito dos Excluídos: Desigualdade gera violência

24º Grito dos Excluídos: Desigualdade gera violência
30 de abril de 2018 Centro de Estudos Bíblicos
grtio-dos-excluidos-2018

O cartaz do 24º Grito dos Excluídos é de autoria de Nivalmir Santana, Artista plástico formado pela Belas Artes de São Paulo e Unesp. Nivalmir trabalha há mais de 28 anos com arte sacra em igrejas espalhadas por todo o Brasil. Atua como músico no curso de verão na PUC SP desde 1991. Há 6 anos formou uma banda de forró pé de Serra chamada Capim novo, e segue comunicando a vida com sua arte.

Segundo Nivalmir Santana, o cartaz retrata a união dos marginalizados e do povo sofrido que luta por vida mais digna. Esse povo unido caminha para o sol, que ilumina todas as classes. O sol para o qual esse povo se volta é Cristo, que pela Páscoa dissipa todas as trevas e clareia todas as coisas. A força da MULHER como figura principal, como geradora da vida, que une as forças e luta com o povo sofrido, especialmente na atual conjuntura que vive o povo brasileiro.

“A arte pretende trazer esperança, não se prende nas mazelas sociais e injustiças, mas olha para o bem comum, amplia o olhar para ver de outra forma e anima os caminhantes nessa árdua e gratificante tarefa de construir o reino de Deus, começando aqui e agora.”

História do Grito dos Excluídos/as

A proposta do Grito surgiu no Brasil no ano de 1994 e o 1º Grito dos Excluídos foi realizado em setembro de 1995, com o objetivo de aprofundar o tema da Campanha da Fraternidade do mesmo ano, que tinha como lema “Eras tu, Senhor”, e responder aos desafios levantados na 2ª Semana Social Brasileira, cujo tema era “Brasil, alternativas e protagonistas”. Em 1999 o Grito rompeu fronteiras e estendeu-se para as Américas.
O que é

O Grito dos Excluídos é uma manifestação popular carregada de simbolismo, é um espaço de animação e profecia, sempre aberto e plural de pessoas, grupos, entidades, igrejas e movimentos sociais comprometidos com as causas dos excluídos.
O Grito é uma descoberta, uma vez que agentes e lideranças apenas abrem um canal para que o Grito sufocado venha a público.

O Grito brota do chão e encontra em seus organizadores suficiente sensibilidade para dar-lhe forma e visibilidade. O Grito não tem um “dono”, não é da Igreja, do Sindicato, da Pastoral; não se caracteriza por discursos de lideranças, nem pela centralização dos seus atos; o ecumenismo é vivido na prática das lutas, pois entendemos que os momentos e celebrações ecumênicas são importantes para fortalecer o compromisso.

Lemas

1995 – “A Vida em primeiro lugar”
1996 – “Trabalho e Terra para viver”
1997 – “Queremos justiça e dignidade”
1998 – “Aqui é o meu país”
1999 – “Brasil: um filho teu não foge à luta”
2000 – “Progresso e Vida Pátria sem Dívida$”
2001 – “Por amor a essa Pátria Brasil”
2002 – “Soberania não se negocia”
2003 – “Tirem as mãos… o Brasil é nosso chão”
2004 – “BRASIL: Mudança pra valer, o povo faz acontecer”
2005 – “Brasil em nossas mãos a mudança”
2006 – “Brasil: na força da indignação, sementes de transformação”
2007 – “Isto não Vale: Queremos Participação no Destino da Nação”
2008 – “Vida em primeiro lugar Direitos e Participação Popular”
2009 – “Vida em primeiro lugar: A força da transformação está na organização popular”
2010 – “Vida em primeiro lugar: “Onde estão nossos Direitos? Vamos às ruas para construir o projeto popular”
2011 – “Pela vida grita a TERRA… Por direitos, todos nós!”
2012 – “Queremos um Estado a Serviço da Nação, que garanta direitos a toda população”
2013 – “Juventude que ousa lutar constrói projeto popular”
2014 – “Ocupar ruas e praças por liberdade e direitos”
2015 – “Que País é este, que mata gente, que a mídia mente e nos consome”
2016 – “Este Sistema é insuportável: Exclui, degrada, mata!”
2017 – “Por direitos e Democracia, a luta é todo dia”

O Grito trouxe inovações à mobilização social. A Criatividade, a Metodologia e o Protagonismo dos Excluídos são marcas do Grito.

Metodologia

O Grito privilegia a participação ampla, aberta e plural. Os mais diferentes atores e sujeitos sociais se unem numa causa comum, sem deixar de lado sua especificidade.

Criatividade/Ousadia

O Grito tem a cada ano, um lema nacional, que pode ser trabalhado regionalmente, a partir da conjuntura e da cultura local. As manifestações são múltiplas e variadas, de acordo com a criatividade dos envolvidos: caminhadas, desfiles, celebrações especiais, romarias, atos públicos, procissão, pré-Gritos, cursos, seminários, palestras…

Protagonismo dos Excluídos

É fundamental que os próprios excluídos assumam a direção do Grito em todas as fases – preparação, realização e continuidade, o que ainda é um horizonte a ser alcançado.

Parcerias

O Grito foi concebido para ser um processo de construção coletiva, neste mutirão estão juntos Pastorais Sociais, Semana Social Brasileira,Movimentos Populares, sociais e sindical, Campanha Jubileu, Grito Continental, Igrejas, Mutirão contra a Miséria e a Fome.

Por que o 7 de setembro

Desde 1995, o Grito dos Excluídos realiza-se no dia 7 de setembro. É o dia da comemoração da independência do Brasil. Nada melhor do que esta data para refletir sobre a soberania nacional, que é o eixo central das mobilizações do Grito.
Nesta perspectiva, o Grito se propõe a superar um patriotismo passivo em vista de uma cidadania ativa e de participação, colaborando na construção de uma nova sociedade, justa, solidária, plural e fraterna. O Dia da Pátria, além de um dia de festa e celebração, vai se tornando também em um dia de consciência política de luta por uma nova ordem nacional e mundial. É um dia de sair às ruas, comemorar, refletir, reivindicar e lutar. O Grito é um processo, que compreende um tempo de preparação e pré-mobilização, seguido de compromissos concretos que dão continuidade às atividades.

Objetivo

  • VALORIZAR a vida e anunciar a esperança de um mundo melhor, construindo ações a fim de fortalecer e mobilizar a classe trabalhadora nas lutas populares. Denunciar a estrutura opressiva e excludente da sociedade e do sistema neoliberal que nega a vida e quer nos impedir de sonhar.
  • DEFENDER a vida dos/as excluídos/as, assegurar os seus direitos, voz e lugar. Construir relações igualitárias que respeitem a diversidade de gênero, cultural, racial, religiosa e sejam esperança para juntas e juntos lutarmos por outro mundo possível.
  • CONSTRUIR espaços e ações organizadas politicamente a fim de fortalecer e mobilizar o povo a lutar por um projeto de sociedade mais igualitária e fraterna que valorize a vida, a distribuição de terra, renda e bens para todos;
  • DENUNCIAR as estruturas opressoras da sociedade, as injustiças cometidas pelo modelo econômico neoliberal, a concentração de renda, a criminalização dos movimentos, dos defensores e defensoras dos direitos humanos e das lutas populares;
  • OCUPAR os espaços públicos e exigir do Estado a garantia do acesso e a universalização dos direitos básicos como educação, segurança pública, saúde, transporte, alimentação saudável, saneamento básico, moradia. Lutar contra a privatização dos recursos naturais e contra as reformas que retiram direitos dos trabalhadores;
  • COBRAR dos governantes uma auditoria integral da dívida pública (interna e externa) que consome aproximadamente 45% do nosso dinheiro (orçamento federal) pagando juros e amortizações aos especuladores.

Eixos

  1. DEMOCRATIZAR A COMUNICAÇÃO
    Na era da informação quem detém a mídia tem poder sobre a opinião das pessoas. A comunicação é um bem público que o Estado concede o direito de operar, só que no Brasil essa operação atende a interesses particulares, dos endinheirados que só visam o lucro.
    Existe um oligopólio familiar dos canais de televisão, rádios, jornais, revistas, portais de internet, que dificultam a entrada de outros canais que poderiam trazer pautas alinhadas com o interesse público. Somente com a regulamentação da mídia será possível falar em diversidade da informação e, deste modo, caminhar para uma sociedade mais democrática.
    Denunciamos esse modelo de mídia e comunicação e exigimos a sua regulamentação, assim como um processo transparente de democratização da informação em nosso país!
  2. DIREITOS BÁSICOS
    O Brasil “democrático” foi construído com um desejo impetuoso das elites de dominar, acumular e lucrar mais e mais à custa do povo. É um Brasil que desrespeita os direitos fundamentais: à vida, à dignidade, a ter direitos. Nossa história é marcada pela violência e dominação através da guerra e extermínio dos povos originários (indígenas, negros e quilombolas), dos pobres, das mulheres e da juventude. Este sistema não nos suporta, não suporta os povos, os direitos. O acesso, ampliação e universalização dos direitos fundamentais conquistados e garantidos na Constituição Federal de 1988, e que não foram plenamente implementados e universalizados, hoje estão sendo ameaçados.
    A elite brasileira nunca aceitou esses direitos e conseguiu, com o apoio da mídia conservadora, realizar um golpe “democrático” no Brasil, em 2016, e estabelecer uma agenda de retrocessos nos direitos da classe trabalhadora. Em nome da crise econômica, o governo golpista de Michel Temer está fundamentando a redução e a negação de direitos básicos, com o corte dos investimentos sociais, beneficiando ao sistema financeiro transnacional.
    Estamos no meio de um ataque aos direitos dos trabalhadores e trabalhadoras: congelamento dos investimentos por 20 anos, reformas da previdência e trabalhista que abrem um leque para privatizações dos serviços básicos. Assim, privilegiando as empresas que vão operar estes serviços, em um verdadeiro assalto aos direitos sociais.
    Vamos nos juntar e fortalecer a luta e a resistência contra qualquer retrocesso e ameaça aos nossos direitos (saúde, educação, aposentadoria, terra, água, salário maternidade, transporte, etc.). Nenhum direito a menos! Por isso, a rua é o nosso lugar!
  3. ESTADO FOMENTADOR DE VIOLÊNCIA
    A política do Estado mínimo imposta pelo sistema capitalista neoliberal busca a acumulação de capital, em detrimento das políticas sociais, cuja implementação, muitas vezes, fica a cargo de terceiros. Prática que fomenta as várias situações de violência.
    A primeira refere-se ao descaso com a qualidade dos serviços oferecidos (água, saneamento, educação, saúde, transporte, dentre outros), por vezes terceirizados e precarizados. Uma segunda forma é quando o Estado destrói nossos territórios, degrada e mata, gera violência e criminaliza as lutas e os lutadores/as, como no desastre de Mariana. A terceira situação de violência é a criação de formas de acabar com as poucas leis ou mecanismos específicos de proteção: Estatuto da Criança e do Adolescente, do Idoso; Lei Maria da Penha, políticas afirmativas, que indicam claramente as desigualdades sociais e vulnerabilidades existentes, numa espécie de “epidemia de indiferença”, com a cumplicidade do Estado.
    A violência é justificada como forma para o Estado funcionar, ela é “silenciosa” e seletiva com os setores vulneráveis da sociedade a fim de contê-los. O sistema capitalista exclui a juventude negra, pobre e da periferia, degrada o meio ambiente e mata negros, mulheres, índios, quilombolas, LGBT(s) e não nos suporta!
  4. QUE PROJETO DE PAÍS DESEJAMOS? QUE ESTADO QUEREMOS?
    O Estado sempre foi assediado e disputado pelo capital como instância que lhe garante acessos, facilidades e proteção. A corrupção não é uma novidade, nem no Brasil, nem em lugar algum do mundo, ela faz parte do sistema e o mantém. Portanto, devemos
    nos desvencilhar desta armadilha que foi montada sobre a corrupção e de processos eleitorais, e refletir sobre: Que Estado queremos? Que país desejamos? Certamente, uma nação que sustente um projeto comum, que garanta o crescimento econômico, não dos grandes empresários, das instituições milionárias, mas sim dos trabalhadores. Com distribuição de renda de forma igualitária, garantia de fato dos direitos a todos e todas, especialmente os/as mais vulneráveis e excluídos/das. Um Estado que olhe com atenção aos pequenos/as produtores, à agricultura familiar, à indústria nacional, à educação pública, gratuita e de qualidade. Que fortaleça, promova e universalize o SUS, desenvolva a pesquisa e a ciência; facilite o acesso à cultura, à habitação, à terra, ao trabalho, à alimentação. Um Estado que preste atenção às populações que vivem na e da floresta. Um Estado alicerçado na garantia e acesso aos direitos e comprometido com o povo e a vida. Um Estado soberano, não a serviço de interesses estrangeiros.
  5. PARTICIPAÇÃO POLÍTICA É EMANCIPAÇÃO POPULAR
    Sob um governo golpista e ilegítimo, as experiências coletivas estão em xeque. O trabalho de base e a formação de coletivos de luta e resistência, nos mais diferentes recantos de nosso país, rompem com esse novo padrão que tentam nos impor.
    Reconstruímos o país com as Diretas Já, elaboramos uma avançada Constituição Cidadã, conquistamos vários direitos que hoje estão ameaçados. Isso indica que não há um modelo pronto. A juventude que ocupou as escolas nos desafia a repensar o método, a pedagogia do trabalho de base e, principalmente, retomar com nova linguagem, novo jeito de dialogar, nos apropriando dos instrumentos de comunicação que dispomos.
    Devemos romper com a lógica de pensar a participação a partir de processos de representação eleitoral, de cargos públicos eletivos, sem descartá-la, mas dando a ela um novo significado. Precisamos também ressignificar os espaços de participação históricos que conhecemos e usamos diversas vezes: os plebiscitos, referendos, conselhos gestores, orçamento participativo e etc. Já, que alguns destes instrumentos foram sendo apropriados na sua estrutura e discurso por governos de plantão e deixaram de representar os verdadeiros interesses da população.
    A participação política é fundamental para provocar processos de mudanças estruturais, na construção de uma sociedade, de um Estado e um país livre, democrático, justo e igualitário. Todos e todas somos convidados a participar para construir a democracia e assegurar nossos direitos.
  6. UNIR GENEROSAS/OS NAS RUAS
    A rua traz consigo dois sentidos, principalmente para moradores das periferias, pode ser um ambiente de acolhimento, mas também de abandono e perigo. Toda a violência sofrida pela periferia, sobretudo a policial, provoca o medo das pessoas de frequentar a rua como um espaço de convivência e de uso coletivo, o que nem sempre é uma preocupação em alguns bairros de classe média.
    Com muita persistência, alguns coletivos, indivíduos e organizações vêm ressignificando o que é ocupar a rua e os sentidos que isso implica na vida cotidiana das pessoas. O que acontece pela contínua efervescência da cultura periférica, com diversos grupos que atuam a partir de linguagens artísticas e mostram seu trabalho, conseguindo se organizar politicamente e transformar a realidade local.
    A rua é um espaço de troca de vivências e saberes, é também onde construímos e defendemos nossos direitos que, hoje mais do que nunca, estão sendo postos à venda pelo próprio governo/Congresso para atender aos interesses do capital, a quem obedece servilmente. A rua é o lugar da resistência e historicamente tem sido o nosso ponto de encontro, dos generosos/as, dos lutadores/as, da militância.
    Em tempo de retrocessos democráticos se torna mais urgente e necessário ocuparmos esse espaço.
    Vamos para as ruas não só para lutar, mas também para celebrar. Ocupar a rua é vivenciar, é sentir, é olhar o outro sem (pré)conceitos, racismo, machismo, homofobia, é olhar o outro na sua integralidade e como companheiro/a.
    O Papa Francisco também nos convoca. Não deixemos mais o sistema incorporar e abrir um abismo entre nós e nossos companheiros e companheiras de caminhada. A praça, a rua, os bares… vamos enchê-los de novo! Vamos nos misturar de novo, porque juntos, generosas e generosos, vamos conseguir pensar um projeto de sociedade mais democrático, em que todos e todas tenham voz, vez e lugar.
  7. UMA ECOLOGIA INTEGRAL
    A Campanha da Fraternidade desse ano trouxe para a reflexão os biomas brasileiros, as ameaças a
    que estão submetidos e a convocação para lutar em sua defesa. Falar de bioma não é só falar de plantas, animais, fungos e as relações entre si, mas também inclui os seres humanos. Cada bioma é um grande conjunto de pequenos ecossistemas que reúne uma comunidade de seres vivos de todo o tipo em um único território.
    O ecossistema em que vivemos, por mais artificial que seja, como as grandes cidades – que ainda assim fazem parte dessa comunidade – deixa sua marca em nós: nossa história, nossa infância, nossa visão de mundo, nossas relações, mesmo o nosso tipo (bio)físico. Tudo em nós tem a marca da grande comunidade e ancestralidade a que pertencemos.
    Denunciar e lutar contra a destruição dessa comunidade é lutar por nossa casa comum, pela vida em toda a sua integralidade, pelo Planeta, “que sofre em dores de parto”. O agronegócio empobrece o solo, polui as águas e leva perigo a todo o ecossistema. O monocultivo, os agrotóxicos, os transgênicos, a exploração irracional das florestas e a atividade mineradora podem causar desastres criminosos, como o de Mariana (MG) e toda a Bacia do Rio Doce. Deixam críticas as condições de vida e contribuem para as mudanças climáticas. A destruição faz parte do sistema ganancioso de acumulação e lucro do capital. A vida, as abelhas, as plantas, tudo vira uma mercadoria. Devemos lutar pelas mudanças desse sistema que exclui, degrada e mata. É preciso resistir e lutar: pela nossa história, pela vida do Planeta, por “Vida em primeiro lugar”!

O Grito dos/as Excluídos/as conta com uma Coordenação Nacional, Secretaria Nacional, Coordenações locais e estaduais. O diferencial é a rede de articuladores/as e voluntários/as espalhados/as pelos rincões do Brasil, que ajudam animar o processo de construção do Grito.

Para que de fato o Grito seja dos/as excluídos/as, um dos desafios que se coloca é quanto à linguagem que deve ser menos de textos e discursos e mais de imagens, místicas, atividades culturais, onde todas as pessoas sejam capazes e participem do processo de construção, antes, durante e após o Grito. Ou seja, dos pré-Gritos, do Grito e do pós-Grito. E que os gritos levados para as ruas e praças se tornem pauta de reivindicações junto aos poderes locais.

Fonte: site oficial do Grito dos Excluídos. Editado por Leoni Alves Garcia, publicado por CEB´s do Brasil, 29/04/2018.

Liga228 situs judi bola merupakan situs judi bola online dengan pasaran terlengkap.

Kunjungi situs judi bola terlengkap dan terupdate seluruh asia.

Situs sbobet resmi terpercaya. Daftar situs slot online gacor resmi terbaik. Agen situs judi bola resmi terpercaya. Situs idn poker online resmi. Agen situs idn poker online resmi terpercaya. Situs idn poker terpercaya.

situs idn poker terbesar di Indonesia.

List website idn poker terbaik.

Game situs slot online resmi

slot hoki terpercaya

slot terbaru

rtp slot gacor

agen sbobet terpercaya

slot online judi bola terpercaya slot online terpercaya judi bola prediksi parlay hari ini