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CEBI-PE: Seminário Fraternidade e Superação da Violência de Gênero

CEBI-PE: Seminário Fraternidade e Superação da Violência de Gênero
13 de junho de 2018 CEBI Secretaria de Publicações
CEBI Pernambuco realizou o seminário com recorte do tema da Campanha da Fraternidade.

O CEBI Pernambuco realizou nos dias 01 a 03 de junho de 2018, o seminário com o tema: Fraternidade e Superação da Violência de Gênero, que é um recorte da Campanha da Fraternidade 2018, promovida pela ICAR em todo Brasil, mas que pela dimensão do tema, tem a adesão das diversas confissões religiosas.

O evento

A abertura do evento ocorreu na Universidade Católica de Pernambuco com conferência da professora da UMESP Dra. Valéria Cristina Vilhena. A pesquisadora nos presenteou com a exposição de sua dissertação de mestrado, que trata da violência doméstica cometida contra mulheres evangélicas, analisando as principais dificuldades destas mulheres em continuar o acompanhamento psicológico, jurídico e social, oferecido pela Casa Sofia, em São Paulo.

A dissertação tem como título Uma igreja sem voz: análise de gênero da violência doméstica entre mulheres evangélicas.

Sábado

No sábado, dia 02, realizamos o painel: Superando as violências de gênero, no qual as três convidadas apresentaram suas experiências no campo da sociologia, do direito e da teologia, respectivamente.

A Promotora de Justiça Henriqueta de Beli, do Ministério Público de Pernambuco – MPPE, abordou diversos casos de violência cometidas contra mulheres e a relação entre a religião e a perpetuação destas violências, que muitas vezes encontra ecos no próprio judiciário ao fundamentar suas decisões com versículos bíblicos que contrariam as pretensões das mulheres.

A socióloga Silvia Camurça, do SOS Corpo, fez uma análise de conjuntura na perspectiva de gênero, mostrando como o machismo, e, em especial, o patriarcalismo, fazem parte das estruturas de poder das classes sociais detentoras de propriedades, sendo tais práticas reproduzidas entre todas as classes, com particularidade para as mulheres negras e transgêneros.

Por fim, a professora. Dra. Valéria Vilhena, representando a EIG – Evangélicas pela Igualdade de Gênero, trouxe para o debate a perspectiva teológica a partir de seu lugar de fala como mulher, feminista, cristã, de origem pentecostal, que se encontra cobrada pelas feministas não cristãs e pelos cristãos não feministas, ressaltando que é possível sim, ser feminista e ser cristã, afirmando e reafirmando suas posições como mulher evangélica pentecostal (mas poderia ainda ser: negra, lésbica…) que reconhece o racismo estrutural, a homofobia, a violência contra as mulheres e o feminismo como movimento plural.

Questionando, ainda, as igrejas quantos suas chaves de leitura, suas interpretações/hermenêuticas, se são pela vida ou pela morte?

Se são pelos oprimidos ou pelo opressores. Se é cristofacista ou de Jesus de Nazaré? Se produzem teologia a partir do povo ou do império? Se são pelo direito das minorias por justiça social, ou pelo neoliberalismo do explorador.

Cristofascismo

Cristofacismo é um termo cunhado pela teóloga luterana Dorothee Sölle, em 1970, que utilizou o termo para descrever segmentos da igreja cristã que ela caracterizou como totalitários e imperialistas. Sua preocupação estava em torno da forma ditatorial com que o Cristo era imposto na vida social, na política, na cultura, excluindo aqueles que não marcham sob sua bandeira, aquela do Cristo final, normativo e vitorioso.

Leitura Feminista da Bíblia

No domingo, dia 03, realizou-se na Igreja Batista de Bultrins a oficina: desconstruindo os fundamentalismos e intolerâncias de gênero na qual Valéria Vilhena apresentou a Leitura Feminista da Bíblia como uma proposta, dentre outras, de superação das violências de gênero.

Ressaltou como a chamada “ideologia de gênero” tenta destruir, violentamente, as conquistas das mulheres e das pessoas transgêneros que lutam incansavelmente por igualdade e direitos civis. Neste aspecto, a Leitura Feminista da Bíblia mostra-se como uma leitura libertadora das estruturas patriarcais e machistas que ainda insistem em negar direitos das mulheres e da comunidade LGBTI.

O evento, organizado pelo CEBI-PE, teve a presença de cerca de cem pessoas, que participaram ao menos de um dos três momentos ofertados, contando ainda, com o apoio do Coletivo Vozes Marias, do Instituto Humanitas da Universidade Católica de Pernambuco, e da Igreja Batista de Bultrins.

Partilha de José Josélio.