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CEBI-MT realiza roda de conversa sobre diversidade

CEBI-MT realiza roda de conversa sobre diversidade
13 de novembro de 2019 Comunicação

via CEBI-Baixada Cuiabana*

A bíblia é uma carta de amor e não de morte.

Ir além da lei dos fariseus e ficar com o amor.

O amor salva. O respeito salva.

Precisamos acolher a dor de nossas irmãs e irmãos.

Essas foram algumas frases marcantes ditas durante a roda de conversa “Cristãos e a Diversidade: uma experiência de acolhida às pessoas LGBT”. A atividade ocorreu neste sábado (09) em Cuiabá, na sede do Centro de Estudos Bíblicos (Cebi)/Mato Grosso. Confira galeria de fotos ao final.

A roda de conversa teve assessoria dos padres redentoristas Carlos Alberto Holanda Martins (Fortaleza/CE) e Helton Thyers Melo de Oliveira (Teresina/PI), que trabalham com grupos católicos de acolhida a LGBTs. A atividade contou com cerca de 30 pessoas de diversas iniciativas religiosas e sociais.

Entre elas: Pastoral do Migrante, CEBs, Mães pela Diversidade, Um Grito Pela Vida (combate ao tráfico humano), Evangelicxs pela Diversidade (evangélicos), Grupo Livremente, Congregação das Irmãs da Divina Providência, lideranças petistas e Conselho Nacional do Laicato do Brasil (CNLB).

Acolher a dor

Padre Carlos teve contato com as questões LGBT a partir do trabalho que desenvolvia em Teresina, no santuário de Nossa Senhora do Perpétuo Socorro. Em meio às 20 mil pessoas que passavam pelo local para rezar, refletir e confessar encontrou repetidos relatos de lésbicas, gays, bissexuais, travestis, transexuais e transgêneros que tentavam se matar, se automutilavam, eram [email protected] fisicamente e moralmente. Principal motivo: rejeição por parte da família ou da igreja.

A partir disso resolveu estudar o assunto e se inteirar dos trabalhos existentes no país. Hoje em dia ele organiza um grupo de acolhida em Fortaleza, com a participação de pessoas LGBT e familiares. “Temos mística, palavra de reflexão e em seguida fazemos a partilha da vida, quando cada pessoa coloca suas dores, fala do seu dia a dia, relata suas esperanças”.

No Brasil são 21 grupos de acolhida a pessoas LGBT na igreja católica. Não há ainda uma Pastoral da Diversidade. Existem mais avanços nos lugares onde há apoio de padres, bispos e protagonismo de leigas e leigos. É um processo constante que envolve teoria, escuta e prática.

“Devemos acolher a dor dos pobres, assim como acolher todos os tipos de dor e valorizar o amor. Porque dor não se mede, e só sabe quem sente. Por isso devemos acolher a dor das pessoas enquanto elas estão vivas e não depois de mortas”, comentou padre Carlos.

Padre Thyers, que é psicólogo, disse que a igreja tem que dialogar com a modernidade, valendo-se das ciências, como a Ciência Política, a Antropologia, a Sociologia e a Psicologia. Deve ser uma “igreja poliédrica”, com vários carismas e dons, como foi desde o apóstolo Pedro, e não focada num só jeito de fazer pastoral.

“Precisamos ser igreja e enxergar Deus a partir da relação com nossas irmãs e irmãos, e não de regras e dogmas. Pois igreja é carne, é pessoa, mais do que tijolos e concreto. Porque Deus se fez humano na pessoa de Jesus, e isto é central na nossa fé”, expôs padre Thyers.

“Jesus me ama. Mas e você?”

Após os comentários dos padres a palavra foi aberta para as demais pessoas se manifestarem. Várias relataram casos de violência dos quais ficaram sabendo ou que sofreram na própria pele. Colegas que se mataram. Gente que se corta para tentar aliviar o sofrimento. Pessoas que foram expulsas de casa ou que não são aceitas pelos familiares. Jovens que deixaram a igreja por uma palavra ofensiva durante uma homilia ou reunião.

Houve depoimentos de que o amor e o respeito salvam vidas, porque evitam o suicídio e aumentam a autoestima. Também houve um forte questionamento sobre a hipocrisia de muita gente que se diz cristã, vai à igreja, mas no dia a dia é preconceituosa e violenta. E algumas pessoas LGBT ainda questionaram sobre o que é amar de verdade, destacando que quando escutam alguém falar ‘Jesus te ama’, se perguntam ‘E, você, me ama?’.

“Não consigo entender uma igreja que segue Jesus e pratica a intolerância, contribuindo com o aumento da depressão, do suicídio e do estímulo à violência contra a população LGBT. Jesus praticou o amor com todas as pessoas, principalmente com as excluídas. E a palavra bíblica nos ensina: ‘Amem a Deus sobre todas as coisas e a teu próximo como a ti mesmo”, disse, emocionada, a coordenadora estadual das “Mães pela Diversidade”, Josi Marconi.

Pensamento parecido com o da estudante de Saúde Coletiva da Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT), Beatriz Folha, que cobra mais autenticidade de quem se diz cristão. “A igreja precisa englobar as minorias, como as mulheres marginalizadas, as populações negra e LGBT. A igreja precisa abraçar as pessoas fisicamente e levar formações”.

Junto a esse trabalho se soma o Cebi. “Nós somos um centro de formação pastoral baseado na leitura popular da bíblia e que busca a transformação da realidade. Estamos juntos nessa caminhada em que o amor é o principal fundamento”, disse Alex Sandro Pereira, da coordenação do Cebi/Baixada Cuiabana.

Na ocasião, Clóvis Arantes, do Livremente, convidou as pessoas presentes para participarem da Parada da Diversidade Sexual de Cuiabá, que será no próximo sábado (16), com o tema “Somos muitos, podemos estar em qualquer profissão”. O tema dialoga com a questão trabalhista e da previdência.

Texto de Gibran Lachowski e Ana Paula Carnahiba (assessoria de comunicação das CEBs MT/Regional Oeste 2).

Fotos: CEBI-MT