Artigos e Reflexões

Jesus de Nazaré e a politica do bem viver

Por Marcos Aurélio dos Santos*

 

Jesus foi político, não há como negar. Jesus viveu intensamente a política em um contexto de opressão aos pobres e marginalizados de seu tempo. Foram muitos encontros politizados com passoas vítimas dos sistemas de dominação. Basta ler os Evangelhos. Eles nos contam sobre encontros de libertação protagonizados pelo subversivo da Galiléia. Encontros de amor, solidariedade, libertação e compaixão. Leia o caso do cego de Jericó, dos dez leprosos, da mulher do fluxo de sangue, da samaritana, dos endemoniados, das crianças pobres, vítimas da pós guerra, dos que reclamavam sobre os altos impostos de César, das multidões de grupos de resistência na Galileia, de sua forte reação à exploração por parte dos líderes no templo e etc.

Jesus não comungou com a politicagem dos fariseus, saduceus, do sumo sacerdote e de outros religiosos parceiros do império romano, nem foi filiado a nenhum partido político, nem tão pouco gastava seu tempo indo ao palácio ou ao templo, lugares de centralidade dos poderes da política, do comércio e da religião. Jesus fez política com o povo. A política do bem viver, da prática do bem comum, da solidariedade, da vida comunitária, da luta pela libertação dos pobres. Jesus viveu a política na vida, no caminho, com pé no chão.

O subversivo da Galileia enfrentou com coragem os sistemas de opressão do seu tempo, o que lhe custou tortura, prisão e assassinato. Seu caminho politizado de amor e libertação não incluía os que tiravam proveito do povo para a promoção de seus projetos pessoais, de hierarquias e poder dominante, por isso Jesus rejeitou os assentos das principais cadeiras da religião, aliás, Ele não veio para ser um grande líder religioso, nem para fundar uma nova e poderosa religião. Jesus veio para inaugurar uma nova era, um novo tempo, anunciando as boas novas de alegria aos pobres, dizendo que é chegado o reino de Deus, reino de paz, justiça e alegria no Espírito. Jesus articula com o povo a política da vida abundante, de igualdade e partilha, a partir do caminho libertador.

Jesus teve amor político. Uma política que priorizava as pessoas em vez das coisas, priorizou a igualdade entre as pessoas, por isso, ensinou que o maior deveria ser o menor, e o primeiro, o último. Jesus fez a política da vida abundante, do respeito e cuidado com a vida, na construção de um mundo melhor. Jesus não ficou ausente da realidade e contexto do seu tempo, por isso mergulhou no mundo dos pobres, principais vítimas da opressão.

Jesus foi político amoroso, subversivo e cheio de esperança, assim como seus discípulos e discípulas devem ser, no aqui e agora.

*Assessor da Escola Fé e Política Padre Sabino e membro do CEBI RN.

 

 

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