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Preparemos o Natal de cabeça erguida e de mãos dadas !

Preparemos o Natal de cabeça erguida e de mãos dadas !
25 de novembro de 2021 Comunicação

Por Itacir Brassiani

 

O tempo litúrgico do Advento é marcado pela expectativa e pela vigilância ativas, pelo discernimento, de engajamento, de preparação. Enquanto o mercado, movido por sua sede voraz de faturamento sempre maior e ancorado no mito interesseiro do bom velhinho, grita de mil modos seu apelo ao consumo, as comunidades cristãs se reúnem nas casas e nas igrejas para abrir outros caminhos, para não desviar o foco e descobrir os frágeis sinais da ousadia de um Deus que vem e arma sua tenda no coração da humanidade.

Como cristãos, o que nos move, nesse tempo, é o que verbalizamos na oração da coleta de celebração de hoje: o ardente desejo de acolher o Reino de Deus, de congregarmo-nos à comunidade dos justos, de caminhar com nossas boas ações ao encontro do Ungido de Deus. Nossa preocupação não gira em torno de luzes que piscam, de músicas harmoniosas, de despensas abarrotadas, de presentes vistosos… Com o salmista, repetimos, como um mantra: “Mostrai-me, ó Senhor, vossos caminhos, e fazei-me conhecer a vossa estrada!”

Nunca é demais sublinhar que a preparação para o natal de Jesus, que é também exercício para entrar no dinamismo do Reino de Deus, não é coisa fácil. Na verdade, é luta! Não é por acaso que, no evangelho, Jesus pede atenção, coragem e prontidão. E lança um alerta: que as preocupações com vantagens e sucessos, a gula e a embriaguez não embotem nossa sensibilidade.  Preparar o natal de Jesus e entrar na lógica do Reino de Deus supõe engajamento incansável para palmilhar caminhos de justiça e fraternidade, de igualdade e solidariedade, de compaixão e partilha. E isso nunca foi fácil!

Fácil é seguir o GPS e as placas de indicação que nos levam ao templo do consumo, aos palácios da indiferença, às praças do faturamento e do acúmulo. À nossa embotada sensibilidade, tudo isso parece tão aprazível, tão luminoso e tão precioso. Temos a ilusão de que nisso estão os fundamentos sólidos e imutáveis de uma vida feliz, da tão sonhada dignidade humana. E, então, uma simples diminuição do poder de consumo basta para que as nações se angustiem e as pessoas mergulhem no medo. Entretanto, Jesus diz que estas forças, aparentemente estáveis e invencíveis, deverão ser abaladas, e isso é bom!

Os caminhos do Evangelho são outros! “Verdade e amor são os caminhos do Senhor”, diz o salmo. “O Senhor vos conceda que o amor entre vós e para com todos aumente e transborde sempre mais”, diz São Paulo, ousando apresentar-se como exemplo e modelo. Nisso precisamos progredir sempre, assustados e feridos que estamos pela violência e pela intolerância que tem marcado os últimos anos da vida política e social da nação brasileira. E, mais ainda, preocupados com o perigoso namoro de certos grupos políticos, sociais, empresariais e eclesiais com o autoritarismo e com o obscurantismo.

Precisamos mergulhar no espírito do Advento a aguçar a evangélica sensibilidade que nos ajudará a identificar os pequenos sinais que teimam em aparecer nos ventres de mulheres humilhadas, nas estrebarias das periferias mais hediondas, nas mãos abertas e desarmadas de gente que confia na fraqueza, nos corações generosos que compartilham sonhos e caminhos, nos movimentos que se erguem como o indefeso Davi diante do Mercado gigante e idólatra. Precisamos levantar a cabeça diante dos que venceram pela mentira e pretendem governar pela intimidação, pois outro é o Humano.

Quem nos mantém de pé é o Filho do Homem, aquele que mostrou a divina humanidade das suas entranhas, aquele que é caminho por sua solidariedade, verdade por sua acolhida indiscriminada e vida pelo dom desmedido de si mesmo; o resto é embriaguez e armadilha. O que nos move é a Boa Notícia que ele testemunhou e anunciou: o povo de Deus, humilde e humilhado, será grande e forte, apesar de suas vitórias e através da sua infinita capacidade de recomeçar, de nascer sempre de novo. E esse nascimento é dom que acolhemos na oração, ajoelhados diante do mistério da manjedoura e da cruz.

Deus pai e mãe, amor eternamente jovem e criativo que está sempre vindo ao nosso encontro para armar em nós tua morada! Dissipa o medo e cura as feridas que a vitória dos violentos deixou em nossos corpos, e a divisão que provocou em nossas igrejas. Conduz aqueles que ainda acreditam em ti ao templo silencioso e misterioso do lar e da carpintaria de Nazaré, e ajuda-nos a perceber que ali moram a resistência mais corajosa e a ousadia mais criativa e libertadora. Mostra-nos, ó Senhor, teus caminhos, e faze-nos conhecer a tua estrada! Sustenta-nos em pé, levanta nossas cabeças e entrelaça nossas mãos! Assim seja! Amém!