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Jesus desestabiliza os poderes nos interpela nos pobres!

Jesus desestabiliza os poderes nos interpela nos pobres!
12 de novembro de 2021 Zwei Arts

Leia a reflexão sobre Marcos 13,24-32, texto de Itacir Brassiani

Boa leitura!

A grandeza e o poder das pessoas e instituições parecem garantir-lhes a submissão dos fracos e granjear-lhes uma admiração que dura no tempo. Quando conjugadas com o medo suscitado pela violência congênita ao poder, geram o mito da invencibilidade. Quanto mais poder e mais grandeza tiver uma pessoa ou entidade, mais estável será. O cristianismo rejeita este mito que imobiliza e amordaça, e afirma que tudo o que parece firme e inabalável acaba desabando pela ação corrosiva e libertadora da fé, recusa a sedutora resignação a um presente sem sabor e sem justiça, e espera ativamente um outro mundo possível.

Vivemos um tempo de crises profundas e caminhamos sem referências seguras. Os grandes mitos e narrativas desapareceram. A esperança fez as malas e desertou, sem deixar o endereço para contatos. Falar de esperança passou a ser considerado algo anacrônico. Por isso, a fuga aparece como a única possibilidade para viver em paz. Sem esperança de futuro, o presente se apresenta como refúgio que garante uma doce sensação de sabedoria. Mas o tempo foge do nosso controle e parece sempre mais acelerado.

É grávido de tribulações e preocupações o tempo que vivemos. Muitas são as pessoas que se perguntam: é possível que o humano venha a prevalecer, ou aquilo que chamamos de humano não passa de uma ideologia enganadora? Ou será que o humano foi possível apenas no passado, e suas sementes não podem mais germinar na terra poluída e ressequida do nosso tempo? Não seria o nosso apenas um tempo de indivíduos solitários na multidão, de seres desconfiados e violentos, de consumidores vorazes, destes que negociam o sonho de um mundo novo pelos novos e fugazes lançamentos do mercado?

Mas aqui, de novo e como sempre, quem acredita em Jesus Cristo e organiza a vida a partir dele, rema contra a corrente e afirma que o humano pleno se manifestará, está se manifestando, já está presente no meio de nós. O ‘filho do homem’, aquele que é verdadeiramente humano, está vindo ao nosso encontro, solicitando e possibilitando abertura, acolhida, esperança, conversão. É isso que ensina o evangelho de hoje, recorrendo a uma linguagem apocalíptica e chamando a atenção para a mudança, para o nascimento de algo novo.

O evangelho não quer insinuar que uma catástrofe cósmica esteja se aproximando, nem suscitar medo e fuga diante dos dramas da história. Ao contrário, convida-nos a entrar na história e tomar posição nas lutas inadiáveis que estão sendo travadas. Sol, lua e estrelas simbolizam os poderes aparentemente sólidos e indestrutíveis. Mas esta solidez é apenas aparente, pois o advento do homem novo depõe os poderosos dos seus tronos e eleva os humildes; afirma a dignidade dos últimos; faz germinar sementes e florir os desertos; desarticula as forças e estruturas que propõem a violência como solução.

O questionamento e o abalo da ordem velha e cambaleante não é tudo. É apenas o sinal de que o humano está nascendo, batendo à porta e pedindo para entrar. E, na medida em que ele for acolhido e se tornar regra da nossa vida, uma nova humanidade nascerá, sem fronteiras nem restrições, “reunindo as pessoas que Deus escolheu, do extremo do céu ao extremo da terra”. A parábola da figueira pede atenção a sinais pequenos e discretos dessa mudança. A velha e injusta ordem social simbolizada pelo templo deve chegar ao fim para que desponte um outro mundo. E isso começa em nós, não no Planalto ou no Congresso!

O ‘filho do homem’ e seus seguidores, os pobres da terra, serão os protagonistas desta mudança. A imagem dele “vindo sobre as nuvens com grande poder e glória” é uma referência ao Jesus Cristo elevado na cruz. No filho do homem perseguido e crucificado resplandece o que é verdadeiramente humano e se revela a glória e o poder de Deus. O advento do humano se dá definitivamente em Jesus crucificado, em sua solidária fidelidade às dores e à dignidade dos pobres. É em torno dele, identificado com os pobres e as vítimas, que se reúnem as pessoas de boa vontade, qualquer que seja o povo e a religião à qual pertencem.

Tu és, Jesus de Nazaré, divinamente humano e humanamente divino, e fora de ti não tenho bem algum, nem esperança que valha a pena. Tu és minha herança e meu cálice. Estás sempre à minha frente e à minha direita, e por isso não vacilo. Minha alegria e minha serena esperança é perceber os pequenos e promissores sinais de realização do teu e nosso sonho, o Reino de Deus, o céu novo e a terra nova, o nascimento do homem novo, que acolhe os pobres em seu seio e os socorre solidariamente. Nisso se alegra meu coração e exulta a minha alma, e até meu corpo, sempre tão vulnerável, repousa seguro. Amém! Assim seja!