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Reflexão do Evangelho: Discipulado de Mulheres – Samaritana

Reflexão do Evangelho: Discipulado de Mulheres – Samaritana
12 de março de 2020 Zwei Arts

Leia a reflexão sobre João 4,1-41, texto de Tea Frigerio.

Boa leitura!

Ir, ver, estar, conhecer, seguir, amar, testemunhar, anunciar, são os verbos do discipulado. Nem todo ir é andar de discípulo, de discípula.

A mulher ia todo dia ao poço. Um ir obrigado. Um ir cotidiano. Um ir trabalho. Era sua tarefa cotidiana: dura, escaldante, pesada, monótona. Aquele dia, como todo dia foi com seu cântaro atingir água ao poço. De longe avistou um homem, um viajante. Receosa se aproximou: ignorar, estar alerta para o que der e vier. O desconhecido podia se tornar um perigo, uma ameaça? O passo firme, o coração vacilando e ao chegar ao poço um pedido a surpreendeu: “dá-me de beber” (Jo 4,7). O homem era judeu e bem atrevido lhe dirigia a palavra em publico e pedia água. A água da hospitalidade a uma mulher samaritana!

Hospitalidade é sagrada. Ao viajante não se pode negar água, mas pode-se questionar: “como tu pedes água a uma mulher, a uma samaritana?” (Jo 4,9). No pedido, na interrogação inicia-se a conversa. Conversa que começa a partir do trabalho, passa pela vida pessoal, entra na religião. Conversa que ora corre paralela, ora é desencontro, até se tornar encontro, parceria.

Água, água viva, dom, derramar do Espírito, memória bíblica, espiritual a fala de Jesus.

Ao falar de água a mulher tem um objetivo claro: tornar menos pesado e entediado seu trabalho. Quem sabe, o judeu tenha um segredo para não vir mais até a nascente e mesmo assim ter abundância de água. Falas que correm paralelas sem se encontrar. E teu marido, pergunta Jesus. É vida pessoal! Ao falar de sua vida pessoal a samaritana fecha a conversa: no íntimo da pessoa pode entrar somente quem tem entrada franca.

O homem, o judeu, o inimigo atávico do seu povo, considerada raça mestiça e heterodoxa, não tem permissão de entrar. Desencontro, embora as palavras acordem uma memória antiga a da origem do seu povo. Então a mulher dá uma virada, ela toma a palavra, puxa a conversa e o assunto é religião. Religião era justamente um dos motivos da inimizade. “Onde adorar: no Garizim ou em Jerusalém?” “Nem no Garizim nem em Jerusalém, em espírito e verdade” (Jo 4,19-21.23). A mulher entende, pois, sua experiência fala de corpo habitado na gestação. E, se o corpo da mulher pode ser habitado, o corpo humano pode ser habitação de Deus.

Judeu, homem, profeta, enviado, palavras de encontro, palavras de diálogo, palavras de revelação. “És quem esperamos? Sou Eu que falo contigo” (Jo 4,25-26). À pergunta uma resposta, revelação: Sou eu. O andar se torna correr. O cântaro é esquecido. Não é água que oferece! Oferece um anúncio, um testemunho: “Venham ver encontrei, ele me disse tudo o que fiz!” (Jo 4,39). Na sua voz ecoam as palavras de Jesus: “Mestre onde moras? Venha ver!” (Jo 1,39). Na corrente do discipulado, um novo anel. No anúncio a parceria. Mulher, Samaritana, discípula, evangelizadora.

Ver, andar, conversar, pedir, questionar, dialogar, abrir-se ao Outro, à Outra, o nascer da parceria do anúncio, da parceria do Reino.

Poço: memória matriarcal
Poço: trabalho duro
Poço: encontro desafiante
Poço: revelação surpreendente
Poço: anuncio novidade
Poço: testemunho parceria
Poço: memória da mulher Samaritana.

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