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Comentário do Evangelho

Comentário do Evangelho
11 de agosto de 2021 Zwei Arts

Leia a reflexão sobre Lucas 1,39-56, texto da Pastora Odja Barros

Boa leitura!

O evangelho deste domingo Lucas 1,39-56 nos recorda o encontro de duas mulheres grávidas se visitam. Maria visita sua prima Isabel que carrega em seu ventre o profeta João Batista. Isabel ao ouvir a voz de Maria, sente seu corpo estremecer e cheia da Ruah (Espírito) reconhece no ventre da jovem prima Maria, o Messias (1,43) e declara: Bendita é você entre as mulheres e bendito é o filho dará à luz” (1,41).  Assim como Maria Madalena foi a primeira anunciadora da Ressurreição, Isabel foi a primeira anunciadora da boa nova da Encarnação de Deus no ventre de Maria. Deste encontro surge o canto de Maria, o Magnificat.

O Magnificat é a resposta de Maria ao anúncio de Isabel. O Magnificat é considerado o grande cântico de libertação do Novo Testamento.  A potente memória evocada e anunciada no Magnificat canta a boa nova de Deus que se revela na história através de pobres, humildes e espoliados da terra. O Magnificat exalta a Deus que atentou para toda gente humilde representada no corpo de Maria, uma mulher jovem, pobre de Nazaré da Galiléia. Nela a escolha divina se realiza convertendo seu corpo em habitação do Deus Altíssimo, dignificando-a e junto com ela todas as pessoas humilhadas do seu tempo. O Magnificat é uma louvação a Deus por essa escolha revolucionária!

Este canto chamado de Magnificat, é o único testemunho completo que Lucas põe na boca de uma mulher em seu Evangelho. Esse canto por seu conteúdo e construção é considerada uma passagem única, não apenas pelos aspectos formais, mas por ser cantado em primeira pessoa, dando voz às mulheres, como um dos grupos mais vulnerabilizados e silenciados naquela sociedade patriarcal e androcêntrica: “a minha alma engrandece ao senhor …” (v.46) “o meu espírito se alegra…” (v.47) me chamarão… (v.48) “o poderoso fez grande coisas em meu favor…” v.49). É belo contemplar a voz ativa de Maria no cântico, e como todo seu corpo e sentidos é envolvido na ação divina.  O corpo de uma mulher pobre, oprimida, converte-se no centro da experiencia reveladora e salvadora de Deus. Por isso, é de grande a importância o Magnificat para mulheres a outros grupos oprimidos que sofrem a opressão produzidas por sistemas e estruturas que geram e sustentam desigualdades e injustiças.

O magnificat traz muitas alusões ao cântico de Ana (I Sam. 1,11;2,1-10). E sua origem provêm provavelmente de um grupo da tradição judaica conhecido como “anwim” (pobres de Javé) que alimentava a esperança messiânica de uma redenção que vêm a partir de baixo, dos pobres, para, com e partir dos pobres. Maria é cantora dessa esperança!  Seu ventre carrega a esperança messiânica de “anawim” de ontem e de hoje que permanecem teimosamente crendo e anunciando o Deus que se revelou a Maria de Nazaré. Quantas pessoas hoje sentem-se desprezadas, abatidas e desesperançadas frente à realidade de injustiças sem conseguir vislumbrar horizontes e futuros. Na experiencia de Maria de Nazaré e na profecia por ela cantada, somos chamadas a fortalecer nosso espírito e renovar nossa fé e esperança no Deus de Maria de Nazaré, o deus que age a favor de  “anawim” , pobres de Deus do mundo.

O Magnificat que exalta ao Deus que escolheu transformar uma jovem pobre de Nazaré em bem-aventurada por todas as gerações, é muito mais que um cântico. É uma declaração de fé que inaugura o mundo alternativo de Deus sem poderes e dominação.  Maria é a mensageira desse mundo desejado por Deus como uma sociedade de igualdade e justiça para todas as pessoas – uma sociedade onde não haja superiores e inferiores, pobres e ricos, poderosos e subalternizados, A proposta anunciada é de transformação das estruturas que legitimam a dominação e sustentam as desigualdades sociais, raciais e gênero.

Para realizar o que é cantado no Magnificat de Maria de Nazaré, não basta dizer sim. É preciso uma ação ativa de transformação: Depor   tronos, poder e poderosos, exaltar humildes, saciar famintos e despedir ricos de mãos vazias.  O Deus exaltado no Magnificat é o Deus que quis revelar-se ao mundo através dessa experiencia que destrona poderes e que no corpo de Maria realizou esses feitos. Foi este Deus que Maria exaltou em seu cântico: “Seu nome é santo e sua misericórdia perdura de gerações a gerações para aqueles que o temem”. Este foi o Deus experienciado e cantado por Maria no Magnificat! O Deus que habita em lugar santo, mas está junto das pessoas humildes e abatidas, exaltando-as e fartando-as de bens.

O Magnificat proclama o nome do Deus que quis se revelar ao mundo através do corpo e experiência de mulher, proclama um outro mundo onde não haja ricos e pobres, poderosos e oprimidos.  Por isso a experiencia divina revelada no Cântico de Maria deve contribuir para alimentar nossa fé e nossa esperança na construção de um mundo sem tronos e onde “anawim” possam fartem-se de bens!

Oração e benção

Reconhecendo a presença e ação da Ruah divina em nossas vidas e em nossas comunidades, oremos o Magnificat de Maria, acolhendo a missão de construir um mundo sem dominação onde haja igualdade e reciprocidade, derrubando tronos e poderes que produzem marginalização política, social e religiosa das mulheres e outros grupos oprimidos. Que a Ruah que inspirou Maria em seu cântico, desafie a cada um de nós a dizer um SIM de compromisso para fazer acontecer o mundo alternativo de Deus cantado no Magnificat.  Que a benção de Maria de Nazaré, cantora do amor revolucionário de Deus derramado em toda gente empobrecida seja derramando sobre nós, participando-nos sua atitude e canção profética. Em nome de Deus que é pai e mãe, em nome do seu filho Jesus Cristo, e todos seus filhos e filhas, em nome da Ruah, espírito feminino e amoroso de Deus, Amém!