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Adorar em espírito e verdade: superar a intolerância pelo diálogo

Fazendo ecoar o Dia Nacional de Combate à Intolerância Religiosa, partilhamos o artigo do nosso irmão Adriano Viana, do CEBI Espírito Santo. Boa leitura!


A ação de educar exige dedicação e paciência. É um processo que precisa de tempo. É fato que o diálogo é um caminho necessário para experiências libertadoras de ensino-aprendizagem. Um texto bíblico fecundo para nos ensinar o poder da dialogia para superação da intolerância religiosa é Jo 4, 1-42.

Nesse texto da tradição joanina, ou seja, elaborados a partir das experiências das comunidades cristãs que produziram o evangelho de João, temos descrito um diálogo entre Jesus e uma mulher samaritana.

A conversa toda é riquíssima, merece uma leitura atenta! No entanto, os versículos de 20 a 23 são os essenciais para entendermos que a proposta de Reino de Deus apresentada por Jesus e seus seguidores é de uma experiência religiosa plural, tolerante e que valoriza a tradição de diferentes povos e grupos.

Nos versículos destacados acima, a Samaritana questiona Jesus sobre o local que se deve adorar a Deus. O grupo dos samaritanos, herdeiros da divisão da monarquia após a morte do rei Salomão (1Rs 12), e também influenciados pelo legado de dominação assíria durante o oitavo século antes da era comum (2Rs 17, 24), possuíam o monte Garizim como local de culto e adoração. O templo construído nesse local pelo reino do norte foi destruído por João Hircano, no período da dinastia dos hasmoneus, porém os samaritanos continuaram utilizando o monte como local de culto.

Embora a tradição judaica-cristã esteja centrada em uma fé monoteísta, as experiências religiosas sincréticas e plurais estão nas entrelinhas tanto do Primeiro como do Segundo testamentos. A assembleia de Siquém, em Js 24, é exemplo de uma aliança de grupos religiosos diferentes. No tempo de Jesus essa cidade era chamada de Sicar (Jo 4,5). É justamente nessa localidade, junto ao poço de Jacó que acontece o encontro e o diálogo entre a Samaritana e Jesus.

Ao questionamento se é em Garizim ou em Jerusalém que se deve adorar a Deus, Jesus responde que os verdadeiros adoradores adoram “o Pai em espírito e verdade”. Essa resposta está imersa na proposta ecumênica de Reino de Deus presente no cristianismo primitivo. Todas as experiências religiosas precisam ser valorizadas e são pontos de partida para a utopia do Reino.

O cristianismo primitivo educou para a pluralidade religiosa em meio a diversidade cultural do império romano. Seja em comunidades de origem judaica, grega, egípcia, líbica, síria, romana, etc. Muitos internalizaram a tolerância religiosa e o respeito às experiências diferentes de relacionar-se com Deus, sempre apontando a proposta de Reino apresentada por Jesus. Porém, a história é dinâmica e foram sendo produzidas as experiências de intolerância e perseguição a grupos que professavam uma fé diferente da cristã.

A Leitura Popular da Bíblia tem, além de outras, a missão de educar para o reconhecimento do valor de experiências diversas de religiosidades. Todas as expressões de fé possuem sua dignidade cultural e histórica. Nenhuma é melhor ou pior que a outra. São diferentes. Em sintonia com a experiência libertadora de Jesus Cristo somos convidados a abrir nossos corações e mentes para dialogar com o diferente.

Adriano de Souza Viana. Participa do CEBI-ES. Cursou o DABAR, é Mestre em Ensino de Humanidades pelo Instituto Federal do Espírito Santo – IFES. Pesquisa Educação Ambiental. É licenciado em Filosofia e Bacharel em Teologia.

 

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