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Preso em uma solitária por 43 anos, ex-Pantera Negra Albert Woodfox é libertado nos EUA

Preso em uma solitária por 43 anos, ex-Pantera Negra Albert Woodfox é libertado nos EUA
21 de fevereiro de 2016 Centro de Estudos Bíblicos
Preso em uma solitária por 43 anos
Ativista dos movimento negro deixou prisão no dia em que completou 69 anos; ‘nada vai reparar o confinamento desumano ao qual o Estado o submeteu’, diz a Anistia Internacional.
Albert Woodfox deixou nesta sexta-feira (19/02) a prisão onde esteve encarcerado em uma solitária por 43 anos nos Estados Unidos, o que fez dele a pessoa que mais tempo ficou nesse tempo de confinamento no país. O ativista dos direitos dos negros deixou detenção no dia em que completou 69 anos.

Woodfox é o último dos chamados "três de Angola" — em referência ao nome do estabelecimento prisional onde estava — a ser libertado. Ele integrava o grupo dos Panteras Negras, que militava por autodefesa dos negros contra o racismo e a violência policial.

 Em junho do ano passado, o juiz federal James Brady ordenara que Woodfox fosse libertado imediatamente e vetou um novo julgamento pelas acusações de ter assassinado o guarda prisional Brent Miller.

Ainda assim, o Estado da Louisiana entrou com recurso e o ativista continuou preso.

 
"Nada vai reparar verdadeiramente o confinamento solitário cruel, desumano e degradante ao qual o Estado da Louisiana o submeteu", afirmou Jasmine Heiss, da Anistia Internacional.

Três de Angola

Os três Panteras Negras foram detidos em 1971 por um assalto à mão armada e foram levados para o Estabelecimento Prisional do estado do Louisiana — a maior prisão de segurança máxima dos EUA, conhecida como Angola, em referência a uma antiga plantação para onde os escravizados eram levados no século 19. Eles negaram qualquer participação em atos criminosos.

Libertação gerou ampla repercussão nas redes sociais:

Meses depois, Woodfox e Wallace foram acusados, julgados e condenados pelo homicídio do guarda prisional Brent Miller e enviados para a solitária. King, por sua vez, foi acusado de estar envolvido na morte do guarda, mas não foi julgado; foi condenado pela morte de outro detento. King e Wallace foram soltos, respectivamente, em 2001 e 2013. Wallace morreu poucos dias após deixar a prisão.

Apesar das condenações, eles sempre negaram envolvimento nas mortes. Integrantes do Panteras Negras — movimento em defesa dos direitos dos negros e contra a violência policial —  eles afirmaram durante todo o tempo em que estiveram detidos que foram colocados na solitária por lutarem por melhores condições de vida na prisão.