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Pedagogia do Oprimido completa 40 anos

Pedagogia do Oprimido completa 40 anos
22 de setembro de 2008 Centro de Estudos Bíblicos
Pedagogia do Oprimido completa 40 anos

Há exatos 40 anos era escrito por Paulo Freire o livro Pedagogia do Oprimido. Traduzido para mais de 40 línguas, a obra é considerada o mais importante trabalho do autor e a principal referência mundial para o entendimento e a prática de uma pedagogia libertadora.

Para comemorar a data, começou, na última terça-feira (16), o VI Encontro Internacional do Fórum Paulo Freire. Promovido pelo Instituto Paulo Freire e pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP), o evento busca ser um espaço de estudo e atualização do legado freiriano. O evento acontece até o dia 19, no Teatro Tuca e Tucarena, da PUC, na cidade de São Paulo (SP).
A conferência de abertura contou com a participação de professores, pesquisadores e estudantes da área de educação, tanto no âmbito nacional, como internacional, além de pessoas que conheceram, conviveram e eram amigos de Paulo Freire.
Para o economista e professor titular da PUC, Ladislau Dowbor, Paulo Freire não é passado, mas, sim, futuro. "Pedagogia do oprimido permanece muito atual", ressaltou o economista. "O oprimido deve se organizar, pois a economia tende a ser opressora, mas se transforma caso a população efetivamente se mobiliza", completou.
"Uma obra completa, que mostra uma educação que transborda os limites, que inclui e que convida o indivíduo a nutrir as formas desejantes de mundo, experimentando-o, recriando-o, inventando ferramentas para expandir territórios de liberdade e respeito à dignidade humana", destacou o economista.
Segundo Dowbor, reler a Pedagogia do Oprimido em 2008 pode provocar encontros de um tempo em que, pelas intensidades e insurgências, não permitiu perspectivar o frescor e o pavor das contradições e das efervescências com que as esperanças e os medos se manifestaram no Brasil e no mundo em 1968.
Reinventar formas e espaços para fazer com que a educação seja mais humanizadora, foi outro tópico levantado no evento por Antônio Teodoro, professor da Universidade Lusófona e membro do Instituo Paulo Freire de Portugal. "A opressão deve ser substituída pela igualdade, todos sendo cidadãos do mesmo mundo, tendo direitos iguais, pois a diferença nos inferioriza", destacou.
O filósofo, professor titular da PUC e doutor em educação Mário Sérgio Cortella, que foi orientado por Paulo Freire e o substituiu na Secretaria da Educação paulistana no governo de Luiza Erundina (PT), explicou que a pedagogia freiriana é realmente do oprimido e não sobre o oprimido. "Paulo Freire sofreu na pele as conseqüências da opressão. Ele fala de dentro, sendo um dos oprimidos. Quando se fala ‘de' é uma forma subjetiva, diferente de quando se fala ‘sobre', uma visão de fora", comentou.
A obra
Traduzido para mais de 40 línguas, Pedagogia do Oprimido foi escrito por Paulo Freire no Chile, durante o exílio. Publicado em 1970, a obra, em linhas muito gerais, trata de dois tipos de pedagogia: a pedagogia dos dominantes, chamada de bancária, na qual a educação existe como prática da dominação, e a pedagogia do oprimido, que precisa ser realizada como prática da liberdade. O movimento para a liberdade deve surgir e partir dos próprios oprimidos. Dessa forma, a pedagogia decorrente será construída com o oprimido e não para ele. Assim, Paulo Freire coloca que não é suficiente que o oprimido tenha consciência crítica da opressão, mas que se disponha a transformar essa realidade.
Mais sobre a obra de Paulo Freire pode ser encontrada em sites como a Biblioteca Digital Paulo Freire, da Universidade Federal da Paraíba (UFPB), e o Instituto Paulo Freire.
Fonte: http://envolverde.ig.com.br/?materia=51841