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Para favorecer Temer, Folha omitiu opção ‘novas eleições’ em pesquisa

Para favorecer Temer, Folha omitiu opção ‘novas eleições’ em pesquisa
20 de julho de 2016 Centro de Estudos Bíblicos
Para favorecer Temer
No último sábado (16), a Folha de São Paulo divulgou em seu site os resultados da pesquisa Datafolha, encomendada pelo jornal, com a manchete “Para 50% dos brasileiros, Temer deve ficar; 32% pedem volta de Dilma”. Segundo a pesquisa, apenas 4% dos brasileiros não queriam nenhum dos dois, 3% preferiam novas eleições, 2% deram outras respostas e 9% disseram não saber. No entanto, segundo revelou o site The Intercept, do jornalista americana Gleen Greenwald – o mesmo que revelou os documentos secretos vazados por Edward Snowden -, os entrevistados tinham apenas duas opções de resposta na pesquisa, ou Temer ou Dilma, e não a opção novas eleições, que aparecia na frente em pesquisas anteriores.

A última pesquisa feita pelo Datafolha, antes da votação do impeachment, foi realizada em 9 de abril e apontava que 60% dos entrevistados desejavam a renúncia de Temer após o impeachment de Dilma, e 79% defendiam novas eleições após a saída de ambos. Isto é, novas eleições era a opção preferida de quatro a cada cinco entrevistados, não a permanência de Temer, o que representaria uma queda sem precedentes estatísticos caso apenas 3 a 100 brasileiros preferissem novas eleições dois meses depois.

Ao divulgar os resultados definitivos da pesquisa, o Datafolha apontou: “Entre a volta de Dilma e a continuidade de Temer à frente do governo, 50% avaliam que, para o Brasil, seria melhor que o peemedebista continuasse no cargo até 2018, e 32% gostariam que Dilma voltasse. Uma parcela de 9% não opinou, e outros 9% apontaram outras respostas”.

Portanto, a pesquisa não deu a opção para os entrevistados de escolher novas eleições, mesmo assim 3% das pessoas disseram que preferiam esse caminho. Na matéria de sábado, a Folha omitiu a informação. “Pesquisa do Instituto Datafolha realizada nos dias 14 e 15 aponta que 50% dos brasileiros preferem que o presidente interino Michel Temer continue no poder até 2018. A volta da presidente afastada Dilma Rousseff ao Palácio do Planalto foi a opção de 32% dos entrevistados. Os 18% restantes não escolheram nenhum dos dois, disseram não saber ou que preferiam novas eleições”, diz o primeiro parágrafo da matéria.

A distorção da pergunta e da manchete fica evidente quando confrontadas com as outras respostas dadas pelos entrevistados nessa mesma pesquisa. O Datafolha apurou que apenas 14% das pessoas ouvidas consideram a gestão Temer ótima ou boa e que 31% veem como ruim ou péssimo. Além disso, 35% dos entrevistados sequer souberam responder corretamente qual era o nome do atual ocupante do cargo de presidente da república.

Questionada pelo Intercept, a diretora do Datafolha Luciana Schong confirmou que a pergunta sobre novas eleições não foi feita pelos entrevistados e que a formulação da questão foi feita a pedido do jornal. Ele também reconheceu que a avaliação de que 50% dos brasileiros defendem a permanência de Temer na presidência é imprecisa.

Em entrevista ao Intercept, Luciana Schong do Datafolha insistiu que foi a Folha, e não o instituto de pesquisa, quem estabeleceu as perguntas a serem colocadas. Ela reconheceu o aspecto enganoso na afirmação de que 3% dos brasileiros querem novas eleições “já que essa pergunta não foi feita aos entrevistados”. Luciana Schong também conta que qualquer análise desses dados que alegue que 50% dos brasileiros querem Temer como presidente seriam imprecisos, sem a informação de que as opções de resposta estavam limitadas a apenas duas.