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“Obrigado, Jeannine”. O Papa ao lado da freira pró-Lgbt

“Obrigado, Jeannine”. O Papa ao lado da freira pró-Lgbt
10 de janeiro de 2022 Comunicação

“Obrigado, Irmã Jeannine, por sua proximidade, compaixão e ternura”. Assim se conclui, com esse tom amistoso, a carta que Francisco enviou à Irmã Gramick em 10 de dezembro passado.

 

A reportagem é de Paolo Mastrolilli, publicada por La Repubblica, 09-01-2022. A tradução é de Luisa Rabolini.

 

Por trás do texto, publicado sexta-feira pela revista America, existe, no entanto, um novo passo dado pelo Papa para a inclusão da comunidade homossexual na Igreja, neste caso em direta contradição com a obra de seu antecessor.

Porque em 1999 havia sido justamente o Prefeito da Congregação para a Doutrina e a Fé, Ratzinger, quem assinou a cláusula que proibia Jeannine de continuar a atividade pastoral dirigida às pessoas homossexuais. Mais de vinte anos depois, chega a reabilitação, com o abraço do Pontífice que quase repara o passado, reconhecendo “o quanto sofreu essa ‘mulher corajosa’”.

Jeannine Gramick é uma freira que está envolvida com a comunidade LGBTQ há mais de meio século. Ela começou na faculdade quando tinha 29 anos e se tornou amiga de um homossexual que havia deixado a Igreja Católica para ingressar na Igreja Episcopal.

Jeannine contou ao Washington Post que ela organizava missas em seu apartamento para os homossexuais que deixaram a Igreja, e “quando a liturgia terminava, eles tinham lágrimas nos olhos, porque se sentiam bem-vindos novamente”.

Gramick era membro das School Sisters of Notre Dame e, em 1977, junto com o padre Nugent animaram o Ministério New Ways para atender a comunidade LGBTQ. Sua atividade e seu livro “Construindo Pontes” atraíram a atenção da hierarquia e, em 1984, o arcebispo de Washington Hickey os informou que não poderiam continuar a atividade na diocese da capital dos EUA.

Seguiu-se a investigação da Congregação para a Doutrina e a Fé, que terminou com a carta assinada em 31 de maio de 1999 pelo prefeito Ratzinger e pelo secretário Bertone, que em nome de João Paulo II haviam ordenado a Gramick e Nugent a interrupção do trabalho pastoral.

Jeannine havia passado para as Sisters of Loreto, para continuar sua obra de qualquer maneira: “Sempre senti que o Espírito Santo estava me guiando”, explicou ela à revista America. Agora recebeu a carta em que o Papa escreve: “Penso nos seus 50 anos de ministério, que foram 50 anos com este estilo de Deus”. Ela comentou que “Eu me senti maravilhosamente. Como se estivesse recebendo uma carta de um amigo”. Francisco não mudou a doutrina, reiterando que a Igreja não pode abençoar as uniões de pessoas homossexuais, mas tentou reabrir a porta dizendo que se buscam a Deus “quem sou eu para julgar?“. Em teoria, a doutrina não condena as pessoas homossexuais, mas o ato sexual não voltado para a reprodução, que é o desígnio de Deus, o que também se aplicaria aos casais heterossexuais.

A questão, no entanto, tem um valor político que ultrapassa aquele doutrinário e, portanto, coloca o Papa em contraste com os conservadores estadunidenses. Outro elemento de atrito, depois das questões da vida, da imigração, da linha social, que está no centro da disputa sobre o futuro da Igreja entre Francisco e seus opositores.

 

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Matéria publicada no prtal do Instituto Humanitas-UNISINOS/Adital