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Inconsciente e consciente: Os dois mundos do Ser Humano

Inconsciente e consciente: Os dois mundos do Ser Humano
30 de abril de 2019 Comunicação

texto de Pr. Djalma Torre via Marcos Monteiro*

Depois de um longo período de pastorado, investi numa formação em Psicanálise, que estou me preparando para o exercício de análise do idoso.

Dentre os muitos temas estudados, decidi postar o texto acima, pela sua relevância para a vida do indivíduo:

O conhecimento do inconsciente constitui uma das grandes e mais extraordinárias descobertas da humanidade. E Freud é o grande credor dessa façanha. Quanto ao consciente, ele é objeto de estudo de vários saberes, e é trabalhado em muitos sentidos, do religioso ao científico, do popular ao formal, mas nem todos conhecem o seu sentido profundo e valor.

Juntar os dois, então, é uma tarefa gigantesca. É certo que constituem, inconsciente e consciente, dois campos de estudo que requerem conhecimento e experiência para fazê-lo. Atrevo-me a entrar nesse mundo povoado de mistério com tremor e temor, mas extremamente desafiado pelo que vou ter pela pela frente.

Trata o texto, afirmo logo de início, de um ensaio psicanalítico, preparado como trabalho de final de semestre, como uma tentativa de começar a explorar este fascinante tema que me encanta e desafia. Ninguém espere dele algo mais do que o que ele se propõe a ser:o início do estudo de um tema grandioso e de vital importância para a vida humana.

A compreensão do inconsciente e consciente

O inconsciente possui uma sintaxe própria, uma forma e não uma coisa ou um lugar. É uma lei de articulação. O inconsciente e o consciente têm formas diferentes e linguagem diferentes para submeter seus conteúdos. O que define inconsciente e consciente não são seus conteúdos, mas o modo segundo o qual cada um dos dois sistemas opera, impondo a seus conteúdos determinadas formas.

A representação consciente é a representação da coisa, acrescida da representação da palavra a que ela pertence. Já a representação inconsciente é apenas a representação da coisa. O inconsciente possui as primeiras e verdadeiras catexias objetais. Opré-consciente se torna possível quando a representação da coisa é hiper-atexizada através da ligação com as representações da palavra correspondente. Essa ligação entre a coisa e a palavra ainda não é o consciente, mas sim a possibilidade de se tornar consciente. A linguagem possibilita a constituição de um EU independente.

Cada sistema psíquico, segundo Freud (1915), possui uma estrutura própria com características marcadamente distintas; o inconsciente tem como núcleo representantes pulsionais que procuram descarregar sua energia. No inconsciente não há o principio da não-contradição; o que ocorre é um maior ou menor investimento de uma representação, mas não a expulsão de uma por ser incompatível coma outra.

Desde o “Estudo Sobre Histeria” (1895), e o “Projeto Para Uma Psicologia Científica” (1895), Freud distingue dois tipos de energia nervosa: entre um estado livre de energia e um estado ligado. O primeiro corresponde ao processo primário e o segundo ao processo secundário. O processo primário é o modo de funcionamento do inconsciente (sistema). É caracterizado por um estado livre de energia.Tem dois mecanismos básicos: deslocamento e condensação.

O deslocamento é o escoamento, o deslizamento de uma energia de investimento ao longo de uma via associativa, encandeando diversas representações, o que leva a fazer figurar uma representação no lugar da outra. Possui uma função mais ou menos defensiva, como no sonho, por exemplo, que permite aceitar pela censura, representações atenuadas; como, do mesmo modo, se dá no caso do sintoma fóbico.

Na condensação, uma representação única aparece como ponto comum a diversas cadeias associativas de representações, e é sobre ela que se investem suas energias; esta fica, pois, no lugar de todas aquelas que nela se reúnem. (Boulanger),m 2006).

No processo primário a energia tende a escoar livremente, passando de uma representação para outra e procurando a descarga de maneira mais rápida e direta possível, o que caracteriza o princípio do prazer.

O processo secundário é o modo de funcionamento do sistema consciente/pré-consciente. Aí, a energia é ligada. A energia tende a ter sua descarga retardada, de maneira a possibilitar um escoamento controlado.No processo secundário as representações são investidas de forma mais estável. A introdução do pensamento reflexivo e da temporalidade traz consigo tamnbém a substituição do princípio do prazer pelo princípio da realidade.

O mundo do inconsciente

No inconsciente estão as pulsões, que são duas forças complementares. Pulsão de vida e pulsão de morte. As pulsões são forças que estimulam o corpo a liberar energia mental. Freud as divide em duas categorias: as pulsões de vida que se referem à autopreservação, esta forma de energia manifesta é chamada de libido e a pulsão de morte que é uma força destrutiva, e pode ser dirigida para dentro.

O mundo do consciente

O consciente é a parte da mente que estamos cientes. Freud, porém, se interessou mais pelo inconsciente, que é uma área menos explorada e exposta.

O consciente refere-se às experiências que a pessoa percebe, incluindo lembranças e ações intencionais. A consciência funciona de modo realista, de acordo com as regras do tempo e do espaço. O consciente é a nossa mente. Parte do material que não está consciente num determinado momento pode ser facilmente trazido para a consciência. Esse material é chamado pré-consciente.

O inconsciente e o consciente no mundo do ser humano

A respeito da atuação do inconsciente e do consciente no mundo psíquico do ser humano, a contribuição teórica de Freud é muito especial. Para ele o comportamento é governado por processos inconscientes e não somente pelos processos conscientes. Freud explica a libido como uma pulsão sexual instintiva, existente desde o nascimento, e esta é a força motivadora do comportamento.

Enquanto no consciente, como uma parte da mente, é possível se chegar através da reflexão, ou da observação do interior da mente, no inconsciente é possível controlar o consciente a depender das necessidades e exigências do ser humano.

Até Freud o ser humano era definido como um ser racional, que controlava as suas ações através do desejo. Freud demonstrou, ao pesquisar o inconsciente, que a existência apenas do consciente não explicava satisfatoriamente o comportamento humano, incluindo muitas de suas patologias.

O inconsciente não é a profundeza da consciência, nem aquilo que a subjetividade tem de caótico e impensável. “O inconsciente não é o mais profundo,nem o mais instintivo, nem o mais tumultuado, nem o menos lógico, mas uma outra estrutura, diferente da consciência, mas igualmente inteligível,.”(Roza, 2005, p.173).

Conclusão

Eis, pois, alguns subsídios para a compreensão desses dois mundos da vida do ser humano. O conhecimento do inconsciente é uma necessidade hoje, pois muito das situações que vivemos mantém relação com o inconscientes. Particularmente tenho muita apreciação pela vertente do Direito que vem desenvolvendo programas denominados de Justiça Restaurativa, uma linha de atuação junto ao apenado. Do mesmo modo venho investindo um pouco sobre o assunto no mundo religioso.

Espero que o nosso interesse aumente para o estudo e a compreensão de muitos dos problemas humanos a partir desse mundo interior ainda bastante desconhecido.

Salvador, Bahia, novembro de 2016.

Publicado no site de Marcos Monteiro.