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Depois de SP e GO, alunos do Rio ocupam 31 escolas estaduais

Depois de SP e GO, alunos do Rio ocupam 31 escolas estaduais
14 de abril de 2016 Centro de Estudos Bíblicos
Depois de SP e GO
Num movimento semelhante ao visto em São Paulo e em Goiás, alunos da rede estadual de ensino do Rio ocupam 31 colégios em todo o Estado, segundo a Secretaria de Educação.

Entre as pautas dos manifestantes estão melhores condições de aula nas escolas, além do apoio à greve de professores do Estado –que já dura mais de um mês. Os estudantes também pedem o fim do sistema de avaliação do Estado do Rio, o Saerj.

Uma das ocupações é a do Colégio Estadual Heitor Lira, na Penha, zona norte do Rio, referência na formação de professores. Há pouco mais de uma semana, cerca de 150 alunos ocupam o colégio, reclamando do currículo.

No início do ano, os estudantes foram informados do corte de algumas matérias voltadas para a prática pedagógica, ministradas na parte da tarde e que visam a prepará-los para lecionar no ensino básico. "Se não tivermos o básico para nos formar como professores, como iremos dar aulas depois?", disse Thalia Oliveira, 18.

De acordo com os estudantes do Heitor Lira, as salas enfrentam superlotação, faltam porteiros e seguranças. Os laboratórios e as bibliotecas também não podem ser utilizadas por falta de funcionários. Thalia pretende prestar vestibular neste ano, mas demonstra pessimismo. "No terceiro e no segundo ano são cortadas da grade aulas de matérias como história, geografia, biologia e química. Assim, ficamos sem base."

A reportagem visitou ainda a ocupação do Colégio Estadual Clóvis de Monteiro, em Manguinhos, também na zona norte. Os principais problemas do colégio são referentes à estrutura.

"As salas não têm ar-condicionado, alguns ventiladores estão com defeito, falta manutenção nas quadras esportivas e aula em laboratório é um mito aqui", diz o aluno Jeferson, 16. Os estudantes reclamam ainda da falta de lanche e de distribuição de uniformes. Durante a visita, eles mostraram à Folha cinco caixas encontradas em uma sala com uniformes que não foram distribuídos pela direção.

A área onde o colégio está localizado é cercada por favelas, de onde vêm boa parte dos alunos. "Eles estão lutando pela dignidade. Os professores aqui são excelentes, mas a escola está precisando de uma reforma", afirmou a cuidadora de idosos Claudete Pereira, 38, mãe de um dos alunos.

Outro Lado

A Secretaria de Estado de Educação tenta por fim às ocupações de maneira pacífica, afirmou Caio Lima, chefe de gabinete. Nesta semana, a pasta obteve decisão favorável pela reintegração de posse do colégio Prefeito Mendes de Moraes.

Horas depois, no entanto, os estudantes conseguiram uma liminar que garantia a permanência deles no local.

Nesta terça (13), a secretaria, em nota, informou que se reuniu com representantes da ocupação, mas não houve acordo entre as partes.

"A secretaria, no entanto, não vê nos líderes do movimento intenção em desocupar as unidades, pois há envolvidos que nem sequer fazem parte da comunidade escolar", diz a nota, em referência à presença de integrantes de movimentos estudantis em algumas ocupações, como a Assembleia Nacional dos Estudantes Livre (Anel).

A Anel afirma, porém, que não participa das decisões dos estudantes.

 
*A reportagem é de Ronald Lincon JR., publicada por Portal UOL, 14-04-2016.