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Conferência dos Religiosos do Brasil se une em defesa dos povos indígenas do Mato Grosso do Sul

Conferência dos Religiosos do Brasil se une em defesa dos povos indígenas do Mato Grosso do Sul
25 de novembro de 2015 Centro de Estudos Bíblicos
Religiosos e religiosas provenientes de todos os estados do Brasil se reuniram em Brasilia para a primeira reunião de coordenadores das seções regionais da Conferência dos Religiosos do Brasil (CRB), recém eleitos em Assembleias Gerais Ordinárias em 2015.

Na ocasião, a coordenadora da CRB de Cuiabá (MS) e religiosa pertecente à Congregação das Franciscanas de Nosssa Senhora Aparecida, Irmã Iriete Ignez Lorenzzetti, expôs a situação na qual vivem os povos indígenas Guarani-Kaiowá, junto aos quais atua o Conselho Indigenista Missionário (Cimi), religiosos e religiosas que assumiram uma atitude profética de defesa destes povos.

Lorenzzetti destacou que o Mato Grosso do Sul é o estado com o maior índice de mortalidade por assassinatos pela questão territorial. “Temos uma grande quantidade de terra concentrada nas mãos de alguns fazendeiros e esses usam as terras já demarcadas da população indígena. A vida religiosa não pode ficar calada diante desses conflitos, dessa situação de desrespeito de criminalização”, assegura.

A religiosa também falou sobre o apoio dado ao Cimi no estado do MS, em função da CPI que foi instalada pela Assembleia Legislativa. “Hoje estamos junto com o Cimi, que vem sofrendo uma CPI. O que as autoridades alegam é que o Cimi é culpado pela organização dos povos indígenas. A própria Constituição Brasileira garante uma organização dos povos dentro das suas culturas e realidades. Temos uma população indígena articulada, organizada que caminha com as próprias pernas”.

Solidários, solidárias e indignados com a situação da qual já tinham conhecimento e dela se aproximaram mais com a exposição de Lorenzzetti, religiosas e religiosos presente no encontro manifestaram o seu sentimento a respeito da realidade na qual vivem os Guaranis- Kaiowá e tantos outros povos indígenas no Brasil.

Padre Rubens Pedro Cabral, coordenador da CRB de São Paulo (SP), afirmou: “Vivemos numa sociedade que exclui todas as pessoas que tem uma cultura diferente, uma postura diferente e sobretudo aqueles que não tem recursos financeiros ou políticos, recursos que venham trazer para a pessoa um poder aparente que lhe garanta o sustento e a vida. A causa indígena exige uma postura governamental séria porque eles precisam de acompanhamento e infelizmente os organismos do governo também estão corrompidos, fecham os olhos para a situação que eles vivem, têm dificuldade de se aproximarem da sua realidade garantindo a cultura e esses também são contaminados pelo nosso sistema capitalista. Manifestamos a nossa indignação, o que fizemos através do manifesto”.

A presidente nacional da CRB, Irmã Maria Ines Vieira Ribeiro, ressaltou a importância da defesa dos povos indígenas e de todos aqueles que estão colocados à margem da nossa sociedade. “Como consagradas/os a serviço do Reino, seguindo os passos de Jesus, que assumiu a causa do mais pequeninos e marginalizados, não podemos deixar de repudiar o que continua acontecendo com nossos irmãos indígenas, originários, donos primeiros dessa terra amada, o Brasil! Somos de fato, incondicionalmente favoráveis a preservação de sua cultura e territórios devidamente demarcados e respeitados. Nos unimos e temos esperança que avancem os trabalhos realizados pelo Cimi e outros órgãos, entidades e políticos em favor das populações indígenas”.