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Comitê Popular da Copa denuncia Fifa e Estado por violações aos direitos humanos

Grande mídia evita cobrir protestos durante a copa
Comitê Popular da Copa denuncia Fifa e Estado por violações aos direitos humanos
23 de junho de 2014 Centro de Estudos Bíblicos

Com apenas uma semana de Copa do Mundo no Brasil, Fortaleza, no Estado do Ceará, já acumula inúmeros casos de violações aos direitos humanos, entre violência institucional e detenções. Nas últimas três manifestações na capital cearense, 26 adultos foram detidos e 15 adolescentes apreendidos. Em nota, o Comitê Popular da Copa denuncia, em especial, os abusos ocorridos no protesto da última terça-feira, 17 de junho, quando a seleção brasileira enfrentou o México na Arena Castelão. Nesse sentido, as entidades estão encaminhando representações ao Ministério Público Estadual (MPE) e à Controladoria Geral do Estado do Ceará, assim como pedidos de esclarecimento à Defensoria Pública Estadual e uma denúncia à Ordem dos Advogados do Brasil (OAB). Sem esquecer, no entanto, de responsabilizar a FIFA e o Estado pelos excessos cometidos.

Na manifestação do dia 17, uma série de abusos e desvios de conduta das forças policiais foram flagrados: policiais participando e incentivando linchamentos de manifestantes, detenção de pessoas sem qualquer justificativa para tal e apreensões de equipamentos de proteção, como óculos e vinagre. Denúncias por meio de vídeos, imagens fotográficas e depoimentos descrevendo os atos irregulares foram entregues ao Comitê Popular da Copa no Ceará, que os apresentará aos órgãos responsáveis.

Para o Comitê, a participação das Forças Armadas – integrante do maior esquema de segurança da história de Fortaleza – também tem de ser destacada, uma vez que foi acionada previamente, enquanto o ministro da Defesa afirmava que o seu uso só se daria em casos de emergência grave. A própria versão revisada da Operação de Garantia da Lei e da Ordem (Op GLO), determinada pela Presidenta da República, Dilma Rousseff, condiciona o uso das Forças Armadas à forma "episódica, em área previamente estabelecida e por tempo limitado, que tem por objetivo a preservação da ordem pública e da incolumidade das pessoas e do patrimônio em situações de esgotamento dos instrumentos para isso previstos".

Segundo o levantamento do Comitê Popular da Copa no Ceará , a manifestação ocorrida no dia 17 teve a participação de cerca de 1 mil pessoas, unificando povos indígenas, trabalhadores do campo e da cidade, famílias removidas, movimentos sociais, partidos de esquerda e indivíduos e grupos libertários, apresentando uma pauta diversa – indo desde a denúncia de violação de direitos para a realização da Copa do Mundo, até pautas específicas de comunidades e povos atingidos e categorias de trabalhadores.