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Palavra da Direção: A terra e a floresta gemem

Palavra da Direção: A terra e a floresta gemem
23 de agosto de 2019 Comunicação

por Direção Nacional do Centro de Estudos Bíblicos*

EM MEMÓRIA DO GRITO DELA… A terra e a floresta gemem

Nestes dias em que as sociedades humanizadas começam a se posicionar socialmente e ecologicamente falando em defesa da Amazônia, ouvimos atônitos as autoridades brasileiras preocupadas com o mercado e seus projetos neoliberais a vociferar asneiras e palavras infundadas sobre aquecimento global, desmatamento e proteção da Amazônia.

Quando os olhares de vários países se voltam para o Brasil e a preocupação com o “pulmão” do mundo; quando as tradições originárias do Brasil são ameaçadas e violentadas desde seu habitat e, mesmo assim, se fortalecem na resistência e na teimosia pela proteção da mãe terra (lembremos da marcha das mulheres indígenas em Brasília com o tema Território: nosso corpo, nosso espírito); quando organizações não-governamentais protestam contra o governo e sua política de privatizações, destruição da natureza e não adesão às proposições internacionais em defesa do meio ambiente; enquanto isso, uma parcela da sociedade se indigna e ensaia seus protestos e oposições e outra parcela da sociedade se apresenta alheia e expõe preocupações e opiniões que giram em torno dos acontecimentos no capítulo da novela, na compra de uma mercadoria, nas “verdades” que circulam no Facebook e nas redes sociais e na repetição de discurso falacioso, mentiroso e ganancioso daqueles que estão fazendo a natureza sangrar.

Este governo e seus aliados que agora se assentam no Planalto Central estão depredando a natureza, eliminando a consciência ecológica e cometendo um grande eco-cídio. As queimadas que se alastram extrapolam a dimensão dos problemas naturais e seguem para a direção de crimes socioambientais: Os gemidos da terra e da floresta Amazônica neste momento se encontram com os gemidos do rio Doce em Mariana/MG e o rio Paraopeba em Brumadinho/MG. Também o grito da floresta aumenta com os gritos das mulheres e das adolescentes diante do feminicídio e da violência contra seus corpos.

O CEBI quer unir a sua voz aos protestos e rechaços das empobrecidas, dos empobrecidos, das tradições e comunidades indígenas e quilombolas e da Amazônia contra o bando de destruidores que se instalaram no poder. A exemplo de Javé que pergunta para Caim: onde está o teu irmão Abel? (Gn 4), as Deusas e os Deuses da vida irão perguntar para cada um e cada uma: onde está a tua irmã? Pois o grito/clamor do sangue dela chegou até nós. Em memória do grito dela e do grito delas possamos juntar em sociedade para dar um basta às atrocidades e violência exercidas e aplaudidas por este governo e seus aliados nacionais e internacionais.

Estes que estão no poder fazendo a natureza chorar não se preocupam nem consigo mesmo, tampouco com seus filhos e com seus netos, pois pretendem entregar para as gerações futuras um planeta sem mata, um rio sem água e um mundo sem vida. A natureza geme diante de humanos sem coração, sem espírito e sem humanidade.

Em memória do grito dela, basta!

Rafael Rodrigues da Silva
Lucia Dal Pont
Maria de Fátima Castelan

Direção Nacional do CEBI

Nota por Direção Nacional do CEBI.

Foto de capa: Araquém Alcântara/ instagram.com/araquemoficial