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Mc 6.1-13: A prática libertadora de Jesus revela o rosto de Deus [Mercedes Lopes]

Mc 6.1-13: A prática libertadora de Jesus revela o rosto de Deus [Mercedes Lopes]
30 de junho de 2015 Centro de Estudos Bíblicos
Mc 6.1-13: A prática libertadora de Jesus revela o rosto de Deus [Mercedes Lopes]

No tempo de Jesus, vários movimentos de renovação buscavam uma nova maneira de viver em comunidade. Esses movimentos tinham também seus missionários (cf. Mt 23,15). Contudo, estes não confiavam na comida do povo que nem sempre era ritualmente “pura”. Por isso, levavam comida na sacola. Mas os discípulos e as discípulas de Jesus recebem recomendações diferentes, que ajudam a entender aspectos importantes da missão de anunciar a boa-nova:

1º – Deviam ir sem nada. Não podiam levar bolsa, nem ouro, nem prata, nem dinheiro, nem bastão, nem sandálias, nem sequer duas túnicas. Jesus pede para eles e elas confiarem na hospitalidade do povo e acreditarem que serão bem recebidos. Com esta atitude, os discípulos e as discípulas criticavam as leis de exclusão ensinadas pela religião oficial e mostravam, pela nova prática, que tinham outros critérios de vida em comunidade.

2º – Deviam comer o que o povo lhes desse e não ir comer separado. Comendo junto com os pobres, os discípulos e as discípulas de Jesus estavam realizando um aspecto fundamental da missão de Jesus: criar comunhão de mesa. Para a religião do templo, comer junto com estrangeiros, pecadores, mulheres, deficientes físicos, etc. era um perigo. Ao comer juntos, eles se contagiariam com a impureza dessas pessoas. Jesus os ensina a não ter medo de perder a pureza, tal como era ensinada na época. Eles tinham outro acesso à intimidade com Deus.

3º – Deviam ficar hospeda dos na primeira casa que aceitasse a paz para conviver de maneira estável e não andar de casa em casa. Ao permanecer na mesma casa, deviam participar da vida e do trabalho das pessoas que os acolhessem, recebendo em troca casa e comida.

Essa postura dos discípulos e das discípulas tem dois objetivos:

a) confiar na partilha do povo e

b) criar laços profundos de convivência no trabalho, na oração e na escuta da boa-nova. Isto também explica a severidade da crítica contra os que recusavam a mensagem (6,11), pois não recusavam algo novo, mas, sim, o seu próprio passado, quando viviam em comunidade.

4º – Deviam dar uma atenção especial às pessoas doentes e fragilizadas: expulsar demônios e curar os doentes, ungindo-os com óleo (6,13). Esta ação gratuita dos discípulos e das discípulas era um sinal da chegada do Reino de Deus. Para demonstrar a força de vida que a chegada amorosa de Deus estava realizando, deviam tocar as pessoas, como fazia Jesus, que segurou a mão da sogra de Simão (1,30); tocou no leproso (1,41); pegou a filha de Jairo pela mão (5,41); deu a mão ao cego de Betsaida e o conduziu para fora do povoado (8,23), com delicada atenção. Desta maneira, os discípulos e as discípulas irão tocar os corações das pessoas para que se experimentem acolhidas e amadas por Deus. Essa experiência resgata a vontade de viver e realiza a cura a partir do coração.

Estes eram os quatro pontos básicos que deviam marcar a atitude dos missionários e das missionárias que anunciavam a boa-nova de Deus em nome de Jesus: hospitalidade, comunhão de mesa, partilha e acolhida às pessoas excluídas. Se estas quatro exigências fossem preenchidas, eles e elas podiam e deviam gritar aos quatro ventos: “O Reino chegou!” (Mc 6,7-13). Pois o Reino de Deus que Jesus nos revelou não é uma doutrina, nem um catecismo, nem uma lei. O Reino de Deus acontece e se faz presente quando as pessoas, motivadas pela sua fé em Jesus, decidem conviver em comunidade para, assim, testemunhar e revelar a todos que Deus é Pai e Mãe e que, portanto, nós, seres humanos, somos irmãos e irmãs uns dos outros.