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CEBI-PR: Ponta Grossa realiza o 1º encontro e Espiritualidade Bíblica

CEBI-PR: Ponta Grossa realiza o 1º encontro e Espiritualidade Bíblica
8 de junho de 2018 Centro de Estudos Bíblicos

via Wania Scarpetto*

O CEBI-Ponta Grossa realizou o 1º encontro de Espiritualidade Bíblica do grupo ARCO (Animação, Reflexão e Comunhão), um grupo ecumênico de pessoas de diversas gerações que foram motivadas a buscar este espaço alternativo de relações e da partilha da Palavra de Deus. Além disso, o grupo pode dividir sonhos, esperanças e uma boa comida no dia de Pentecostes.

No dia 20 de maio, reuniram-se, na Chácara de Maria Nair e pastor Acir Rickli em Ponta Grossa, cerca de 25 pessoas de tradições católica e evangélica, vindas de Ponta Grossa, Curitiba, Pinhais, Castro e Guarapuava. Há mais anos, elas caminham juntas na Leitura Libertadora da Palavra. Também estavam presente Wania Scarpetto, Jair e Maria José, respectivamente coordenadora e membros do Conselho do CEBI-PR, bem como Ildo Bohn Gass da secretaria de formação do CEBI Nacional.

Esse grupo, que vem se reunindo há uns 20 anos, já foi muito animado na primeira década de 2000. Aos poucos, foi diminuindo e, a partir de 2012, ficou um pequeno grupo que intitularam de ARCO. Agora, reúne-se duas a 3 vezes ao ano. Como o próprio nome diz, buscam espaços alternativos de encontro, de Leitura Popular da Bíblia e, como não poderia faltar num grupo de amigos de tantos anos, comensalidade e partilha do alimento sagrado feito carinhosamente por tantas mãos que se entrelaçam num gesto de amizade e de ternura.

O que buscamos

O encontro teve início com uma carinhosa acolhida e um delicioso café da manhã preparado pelo casal anfitrião e enriquecido pelos participantes que trouxeram seus quitutes para partilhar. Maria Nair iniciou o momento de espiritualidade dando as boas-vindas ao grupo e explicou o sentido do “espaço sagrado” onde a Palavra de Deus nasce do chão da vida.

Após as apresentações, iniciamos o momento litúrgico com a reflexão sobre o Espírito de Pentecostes: “O Vento, o fogo e a Palavra”. Lemos também o texto de padre Thomaz Hughes (em anexo) sobre Pentecostes. Foi um momento de profunda espiritualidade, no qual deu para sentir o dinamismo do Espírito no silêncio, na introspecção.

Na sequência, houve um rico momento de reflexão compartilhada. A partir do texto de Atos 2,1-12, cultivamos uma atitude de abertura ao Espírito que hoje está presente em nossas vidas, tal como o vento que não se vê nem se pode pegar, mas o sentimos nos tocando. O texto bíblico que meditamos é fruto da catequese de Paulo de Tarso. Na teologia paulina, a doação do Espírito foi adiada em 50 dias para coincidir com a festa judaica de Pentecostes. Nessa festa, os judeus celebram a doação da Lei no monte Sinai. Paulo, com esse adiamento, quer dizer-nos que, a partir de Jesus de Nazaré, Pentecostes deixa de ser a festa da Lei e passa a ser a festa do Espírito Santo. A partir de Jesus, a ética que deve nos mover não é a da Lei que vem de fora, mas a ética do discernimento interior e comunitário no Espírito, que é liberdade, pois “o Senhor é Espírito, e onde está o Espírito do Senhor, aí está a liberdade” (2 Coríntios 3,17). Não é por acaso que Paulo escreve: “A letra (da Lei) mata, o que dá a vida é o Espírito” (2 Coríntios 3,6).

Segundo a estudante de Artes, Larissa, de 28 anos, sua participação no grupo “é um respiro, um espaço alternativo, onde posso recuperar as forças e encontrar lucidez para levar a uma prática cristã, realinhar-me e aprender. A gente aprende na chegada, no café, na reflexão bíblica e na partilha”.

Dionízio Vandressen, de 70 anos, um pequeno agricultor de Guarapuava, está há mais de 40 anos neste serviço pastoral. Para ele, o CEBI é fonte na luta e a mística que ocupa grande espaço da sua vida e nas lutas do povo sem voz e nem vez. “Essa é a água limpa que precisamos retomar, a partir de baixo, do chão desta realidade que estamos vivendo, preparando o terreno, fazendo um esforço para preservar essa água”.

A Igreja Presbiteriana do Brasil tem uma Secretaria nacional para a 3ª idade. Em Ponta Grossa, essa secretaria está a cargo do casal Maria Nair e pastor Acir. E há um grupo de 3ª idade que periodicamente se reúne. A partir das dificuldades das pessoas de 3ª idade, consideradas descartáveis por muitos, o tema escolhido para este encontro foi “Em busca de sentido para essa fase que é a última!”

Momentos como esse, de reflexão e encontro de cebianos de idade avançada, têm-se fortalecido em busca de uma luz na Sagrada Escritura para o sentido da Vida e a dimensão espiritual da existência. Para contribuir nesse processo, pastor Acir propõe a seguinte questão:

“O CEBI já tratou de inúmeros temas, como na perspectiva da juventude, da mulher, negritude, grupos LGBT, ecologia, etc., mas pouco abordou sobre Bíblia e terceira idade. Nós, que temos o melhor biblista do Brasil nessa fase da vida e em plena atividade e lucidez, que é frei Carlos Mesters, por que não o desafiamos com vista à produção de um subsídio?”

Esse desafio já deu resultados, e um pequeno subsídio já está sendo gestado, com a finalidade de auxiliar na reflexão em encontros de pessoas da 3ª idade.

A partir dessa experiência, foram acertados dois encontros com a presença de Ildo no final de agosto. Um será com o grupo de 3ª idade no sábado. No domingo, será com o grupo ARCO.

Saímos desse encontro com energia boa e com entusiasmo renovado para aprofundar os estudos e dar início a esse projeto. Concluímos nosso encontro na comensalidade, partilhando a vida e as delícias colocadas sobre a mesa. Foi um encontro de pessoas que se amam e que trazem o CEBI no coração, como algo que agrega, que une e que alegrou quem ali se encontrava e acredita num mundo melhor.

Texto e fotos de Wania Scarpetto, Coordenadora do CEBI-PR. Ponta Grossa/PR, 20/06/2018.