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Reflexão do Evangelho: Festa de Santa Maria Madalena

Reflexão do Evangelho: Festa de Santa Maria Madalena
3 de julho de 2020 Zwei Arts

Leia a reflexão sobre Maria Madalena, texto de Ildo Bohn Gass.

Boa leitura!

Neste dia 22 de julho, comemora-se a festa de Santa Maria Madalena. Convém lembrar que, nas Igrejas Ortodoxas, Madalena ostenta o título de “Apóstola dos Apóstolos”, uma vez que é a Apóstola (a Enviada) da ressurreição: “Eu vi o Senhor!” (cf. Jo 20,17-18). Esse título foi dado a Madalena por Santo Tomás de Aquino (1225-1274), por ser ela a primeira pessoa que fez a experiência com Jesus ressuscitado e logo compartilhou a sua experiência com os demais apóstolos.

Se, com o Golpe de Estado, 2016 foi um ano trágico para o povo brasileiro, sinais proféticos brotavam em outras terras. Em 03 de junho daquele ano, o Papa Francisco elevou Maria Madalena do grau de “memória” para o de “festa”, equiparando-a com os apóstolos.

Com essa iniciativa, Francisco pretende destacar a importância de Maria Madalena, como exemplo de verdadeira e autêntica evangelizadora, uma mulher que mostrou um grande amor por Jesus e por ele foi amada.

A decisão de Francisco é um passo importante no caminho para a igualdade entre mulheres e homens também na igreja romana.

De um lado, é importante perceber o protagonismo desta Apóstola dos Apóstolos nas comunidades cristãs das origens como força para hoje buscarmos o reconhecimento pleno das mulheres.

De outro, é igualmente importante desconstruir a injustiça histórica que se fez com Madalena. Tudo começou com o papa Gregório Magno (540-604) que propagou a ideia de que Madalena era prostituta. A partir de uma leitura equivocada de Lc 7,36-50, Gregório identificou a pecadora, que unge os pés de Jesus, com Madalena. No ido ano de 596, ensinou aos seus fiéis, na catedral de Milão, que o exemplo dessa mulher impura e prostituta, porém santa convertida, deveria ser seguido por todas as pessoas. Gregório Magno podia estar imbuído de piedade, querendo apresentar Madalena como modelo de pecadora arrependida. Porém, ao assim apresentar a maior líder do movimento de Jesus nas comunidades joaninas, Gregório revela o quanto estava imerso na estrutura patriarcal de uma igreja que, entre outras, até hoje não aceita a igualdade de gênero em todas as suas instâncias. E acusar Maria Madalena de uma falha moral deslegitima sua autoridade e liderança, dificultando a luta das mulheres por igualdade. Daí a importância de redescobrir o papel exercido por Maria de Magdala, Galileia, na continuidade do movimento de Jesus.

Para compreender o protagonismo de Madalena na continuidade do movimento de Jesus, você poder ler, na sequência, o artigo de Mercedes Lopes.

Papa eleva celebração de Santa Maria Madalena a festa litúrgica [Ildo Bohn Gass]

Escultura da “Santa Ceia” na Igreja de Santa Maria Madalena (Foix, França)