Reflexão do Evangelho

É Preciso Superar o Medo (MT 14, 22-33)

Por trás de qualquer texto bíblico temos uma realidade social, como é o caso do Evangelho de Mateus que nasceu a partir de experiências comunitárias, diante dos desafios enfrentados pela comunidade situada, segundo alguns estudiosos, na Antioquia da Síria, nos anos 80 D.E.C, cujo período foi marcado por intensas perseguições  do Império Romano contra as comunidades cristãs da segunda geração e os conflitos internos.

A perícope  de Mateus 14,22-33 aponta  esses dilemas vividos na comunidade Matiana. Não era fácil para aquele grupo enfrentar os “fantasmas” e as “tempestades” diante do medo de desaparecer no contexto de conflitos e perseguições. Assim, precisaria superar e seguir em frente. Por Jesus aparece e pede não ter medo.

É neste contexto que surge a literatura Matiana para fortalecer a fé da comunidade.Trata-se de um texto de gênero narrativo não biográfico, cheio de figuras de linguagem, o que nos leva a entender que não podemos “pegar ao pé da letra”,  e sim, considerando a proposta do autor para a sua comunidade , extrair lições para as nossas hoje.  Neste sentido, vamos apresentar alguns elementos-chave que podem ser debatidos nas vivências em comunidade.

  1. Jesus pediu para os discípulos irem á frente. Mas, não os abandona (versículo (Mt 22-23).

Jesus obriga os discípulos a irem para Cafarnaum sem ele, pois iria depois. Pode até soar como autoritarismo, mas se trata de uma postura pedagógica motivadora, a fim de impulsionarem a saírem da “zona de conforto” e acolher os estrangeiros.  Por trás do texto estaria a comunidade formada, em sua maioria,  por pessoas vindas do judaísmo, as quais  precisavam ser uma eclésia que se fizesse acolhedora universalmente.

Diante disso, perguntamos: o que tem impedido as nossas comunidades de hoje serem, de fato, um espaço acolhedor junto às diversidades?

 A barca deve seguir diante dos “fantasmas” e das “tempestades” ( Mt 14, 24-26).

O medo pode paralisar ou impulsionar â ação. Enquanto seguiam na barca veio o medo que “paralisa” diante da tempestade. A barca pode simbolizar a comunidade que se deparava com dois grandes desafios: o primeiro seria os “fantasmas” inculcados na cabeça de muitos, já que a maioria vinha do judaismo. O segundo desafio seria a tempestade, podendo simbolizar a força imperial que perseguia as comunidades cristãs. Domiciano, o último Imperador da Dinastia Flávia, foi um dos mais perversos.  A memória da guerra entre judeus e Roma ainda estava bastante presente.

Diante da nossa reflexão, perguntamos: que  “fantasmas” e “tempestades”  hoje têm colocado medo nas comunidades que buscam defender uma sociedade justa igualitária segundo o Projeto de Jesus?

  1. Não duvidar, e sim, ter a certeza de chegarmos seguros e salvos ( Mt, 14, 27-33)

Diante das crises vividas pela comunidade era preciso reconhecer Jesus como o Messias anunciado pelo Primeiro Testamento. Isto implicaria, pois em uma ruptura  de uma religião que não acolhia os pobres e excluídos. Paulo freire entendia a esperança como elemento constitutivo da práxis de libertação, isto é, ela se dá  no fazer acreditando. Quando a comunidade tem certeza, não se deixa vencer pelo medo. Mas para isto, era preciso assumir com convicção Jesus como o Mesias libertador dos pobres e excluídos.

Por fim, concluímos com a seguinte indagação: quais práticas emancipadoras podem fortalecer, ainda mais, as nossas comunidades em um contexto de tantas injustiças sociais?

Ernande Arcanjo – CEBI-CE

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