Reflexão do Evangelho

11º Domingo do Tempo Comum, Ano A – Mt 9,36—10,8

O Evangelho deste domingo é o Evangelho da missão. Após apresentar uma síntese da atividade missionária de Jesus, Mateus apresenta a constituição da nova comunidade e o envio missionário dessa comunidade.

  1. A atividade missionária de Jesus. O versículo anterior – Mt 9,35 – que não é proclamado na leitura, mas faz parte da perícope, faz uma síntese da atividade missionária de Jesus: “Jesus percorria todas as cidades e povoados, ensinando em suas sinagogas, proclamando o Evangelho do Reino e curando toda enfermidade e toda moléstia” (9,25). Mateus já havia apresentado esta síntese no início do evangelho, em 4,23 e Lucas e Marcos também confirmam (Mc 1,39; Lc 6,17-19). Jesus anuncia o Reino e apresenta a prática nova do Reino. A missão evangelizadora de Jesus tem duas dimensões: a palavra e a prática. As ações de Jesus concretizam o que ele anuncia. Os capítulos anteriores mostram a Palavra de Jesus (os capítulos 5, 6 e 7), e a prática de Jesus (capítulos 8 e 9)

Ainda não é suficiente ouvir apalavra de Jesus e compreender a sua prática. É preciso sentir os sentimentos de Jesus. “Ao ver as multidões Jesus encheu-se de compaixão por elas, porque estavam cansadas e abatidas, como ovelhas que não têm pastor”. Para nós, a compaixão nasce no coração. Para os judeus nasce nas entranhas. A compaixão é um sentimento materno, porque é nas entranhas, no ventre materno que a vida é gerada. A compaixão é o sentimento que a mãe sente pelo filho que gerou nas suas entranhas, e é eternamente responsável por ele. Assim é Jesus, tem o sentimento materno da responsabilidade da vida que gera. Mas Jesus também é um pastor, porque as ovelhas estão cansadas e abatidas. O pastoreio é uma atividade masculina. Do pastor se exige uma personalidade forte e corajosa, capaz de enfrentar perigos, das feras e da noite, para defender o rebanho. Assim é Jesus, um missionário completo, que integra perfeitamente, em sua atividade missionária, o feminino e o masculino. Ele é plenamente humano.

  1. A instituição da comunidade missionária. Jesus chamou os doze. E conhecemos os seus nomes. Foi ele quem chamou. Foi iniciativa de Jesus e não dos discípulos. A comunidade missionária faz parte do querer de Jesus. Foi ele que quis assim. A comunidade, para os discípulos, não é uma opção, uma escolha que se pode ou não fazer. Ela é constitutiva da identidade do discípulo. Não se pode ser um verdadeiro discípulo sem comunidade. Ela faz parte da forma de vida de discípulo. A comunidade cristã faz parte da essência do Evangelho. A comunidade é o primeiro impacto do anúncio do Reino, é a primeira consequência da evangelização, e do trabalho missionário de Jesus.

Na comunidade de Jesus todos tem nome, ninguém é anônimo, nem desconhecido, todos tem identidade e personalidade própria. A comunidade de Jesus é uma comunidade plural, de origens e mentalidades diversas. Há nomes hebraicos e gregos, há pescadores, pelo menos um publicano e um zelote. É uma comunidade aberta, pluricultural. Ninguém é perfeito, um foi traidor, mas todos participam do mesmo chamado do mestre e da mesma missão.

  1. A missão da Comunidade. “Jesus deu-lhes autoridade para expulsar os espíritos impuros e curar toda doença e enfermidade” (10,1). “Jesus enviou os doze” 10,5). “Por onde andardes, proclamai: ‘O Reino dos Céus está próximo” (10,7). A missão é mandato de Jesus, não é uma das opções. A comunidade cristã, ou é missionária, ou não é de Jesus. Não é uma escolha, ser ou não ser missionária. A missão faz parte da natureza e da identidade da comunidade.

Qual é a missão da comunidade? Evangelizar, é a primeira resposta que todos damos a esta pergunta. O que é evangelizar? É só olhar para Jesus. Evangelizar é tornar presente o Reino de Deus, pela prática e pelas palavras da comunidade. A prática e a palavra são os dois braços da evangelização. Muitas vezes acreditamos que evangelizamos com as palavras. As palavras sem a prática do Reino, são vazias, não evangelizam. A bem da verdade, a pedagogia de Jesus é envolver os discípulos na sua missão. A missão dos discípulos é fazer aquilo que Jesus fez. É fazer o mesmo que Jesus fez: anunciar o Reino (Mt 5, 6 e 7) e fazer as obras o Reino (Mt 8 e 9). A pessoa de Jesus é Evangelho. Assim também é o missionário, a sua pessoa deve ser evangelho. Jesus delega os discípulos para fazer o que ele mês fez: “deu-lhes autoridade para expulsar os impuros e curar toda doença e doença” (10,1). Jesus deu poder aos discípulos, para serem mais fortes do que a maldade do mundo. A prática é uma só: tornar presente o Reino. A palavra também é uma só: o Reino dos Céus está próximo” (10,7). Comunidade missionária é aquela que atualiza, no seu contexto histórico, a prática do Reino e a Palavra de Jesus.

Frei Atílio Battistuz, OFM
CEBI Roraima

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