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Proteger as florestas é garantir a água da América Latina e Caribe

Proteger as florestas é garantir a água da América Latina e Caribe
23 de março de 2016 Centro de Estudos Bíblicos
Proteger as florestas é garantir a água da América Latina e Caribe
A América Latina e Caribe possuem uma enorme riqueza em recursos florestais e hídricos, que devem ser protegidos para se erradicar a fome e alcançar os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável, assinalou a FAO [Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura], durante o Dia Internacional das Florestas, este 23 de março.

"A água e as florestas estão intimamente ligados – explica Jorge Meza, da Unidade Florestal da FAO –, já que as florestas filtram a água, aumentam os níveis de umidade do ar e a incorporam mais profundamente na terra, evitando a sua evaporação”.

A América Latina e o Caribe recebem 29% das precipitações do planeta e possuem 23,4% da área florestal mundial, recursos estratégicos para a segurança alimentar e a geração de serviços ecossistêmicos.

Em nível mundial, os vales hidrográficos e as áreas pantanosas proporcionam até 75 por cento dos recursos de água doce; por exemplo, mais de 70% da pluviometria do Vale do Rio da Prata, na América do Sul, se origina a partir da evaporação e transpiração da selva amazônica.

Segundo a FAO, as florestas também podem reduzir os efeitos das inundações e prevenir e reduzir a salinidade das terras áridas, e a desertificação.

A seca é um dos sintomas mais negativos da mudança climática. Mediante o armazenamento da água, as árvores e as florestas podem fortalecer a resistência às secas.

Combater o desmatamento para cuidar da água

A FAO conclama os governos a intensificarem o manejo das florestas e reduzirem o desmatamento, como uma ferramenta para melhorar a quantidade e qualidade da água disponível.

Nas últimas décadas, a perda de área florestal na região foi reduzida. Entre 1990 e 2000, foram perdidos 4,45 milhões de hectares por ano, enquanto que entre 2010 a 2015 essas perdas foram reduzidas para 2,18 milhões de hectares, principalmente devido a uma diminuição das perdas no Brasil, Mesoamérica e Cone sul.

No Caribe, houve um aumento líquido das áreas florestais, que cresceram onde, antes, havia plantações de cana-de-açúcar e outras atividades agrícolas. Este aumento é particularmente evidente em Cuba, República Dominicana, Porto Rico e Trinidad e Tobago.

Fora do Caribe, Chile, Costa Rica e Uruguai são os únicos países que apresentaram um aumento na área florestal durante o período 2010-2015.

Entretanto, as perdas líquidas anuais da região continuam sendo muito superiores às perdas globais. "Quando o desmatamento se eleva, gera-se erosão do solo e se altera a qualidade da água. As florestas regulam o regime hídrico e, quanto mais natural seja o ecossistema, mais efetiva será essa função”, explica Meza.
Meza destaca que, além de proteger o desaparecimento da água de qualidade, o correto manejo florestal reduz a pobreza, mediante a criação de postos de trabalho, produção de alimentos, prevenção de incêndios florestais, proteção dos vales hidrográficos, assim como a prestação de outros serviços, tais como a eliminação de dióxido de carbono do ar que respiramos.

Extração de água duplicou na América Latina

A situação dos recursos hídricos da região é dupla: alguns dos lugares mais áridos e úmidos do planeta se encontram na América Latina e Caribe. Isto significa que a disponibilidade de água varia consideravelmente entre países e mesmo entre áreas distintas de um mesmo país.

Segundo a FAO, nas três últimas décadas, a extração de água foi duplicada na América Latina e Caribe, em um ritmo muito superior à média mundial. Nesta região, o setor agrícola, e especialmente a agricultura de irrigação, utiliza a maioria da água, responsável por cerca de 70% das extrações. Em seguida, há a extração para uso doméstico, com cerca de 20%, e a indústria, com 10%.