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Reflexão do Evangelho: A Paz esteja com vocês

Reflexão do Evangelho: A Paz esteja com vocês
2 de abril de 2018 Centro de Estudos Bíblicos
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Confira a reflexão do evangelho sobre Jo 20,19-31, escrita pelo padre Tomaz Hughes.

Boa meditação!

No texto anterior (20,11-18), Maria Madalena trouxe a notícia da Ressurreição aos discípulos incrédulos. Agora, é o próprio Jesus que aparece a eles. Não há reprovação nem queixa nas suas palavras, apesar da infidelidade de todos eles. Há somente a alegria e a paz que Ele já tinha prometido no seu último discurso (14,27).

Três vezes, Jesus proclama o seu desejo para a comunidade dos discípulos: “A paz esteja com vocês!” (vv. 19.21.26). O termo “paz” (irene em grego) procura traduzir – embora de uma maneira inadequada – o termo hebraico Shalom, que é muito mais do que “paz”, tal como o nosso mundo a compreende. Shalom, e palavras derivadas, ocorrem mais de 350 vezes no Antigo Testamento.

O Shalom é a paz que vem da presença de Deus, da justiça do Reino. É tudo que Deus deseja para todos os seus filhos e suas filhas. O Shalom inclui tudo o que Deus quer para o seu povo. Jesus não promete a paz do comodismo. Porém, ao contrário, envia os seus discípulos na missão árdua em favor do Reino. Promete o Shalom, pois Ele nunca abandonará quem procura viver na fidelidade ao projeto de Deus.

Podemos dizer que o Shalom tem dois aspectos inseparáveis: é dom e desafio para os cristãos. É dom, porque somente Deus pode dá-la. É desafio, pois tem que ser construído dia após dia na vida pessoal, familiar, comunitária e social de cada pessoa.

Jesus soprou sobre os discípulos, como Deus fez (o mesmo termo é usado) sobre Adão quando infundiu nele o espírito de vida (Gn 2,7). Jesus os recria com o Espírito Santo. Normalmente, imaginamos o Espírito Santo descendo sobre os discípulos em Pentecostes. Mas, no plano teológico do autor de Atos (At 2,1-13), aquilo era como a narrativa oficial da decida do Espírito para dirigir a missão da Igreja no mundo.

Agora, não é mais a letra da Lei (uma vez que, na festa de Pentecostes, os judeus faziam memória da doação da Lei no Sinai), mas é o dinamismo do Espírito que orienta as comunidades para seguirem firmes no caminho do Reino. Para João, o dom do Espírito, que por sua natureza é invisível, flui da glorificação de Jesus, da sua presença junto ao Pai.

O dom do Espírito neste texto tem a ver com o perdão dos pecados, isto é, de tudo o que é contrário ao projeto de Deus.

Mais uma vez, no primeiro dia da semana, Jesus aparece aos discípulos (notemos a ênfase sobre o Domingo – duas vezes nos vv. 19.26). Desta vez, Tomé está presente. Ele representa os discípulos da comunidade joanina do fim do século, que estavam vacilando em sua fé no Ressuscitado, diante dos sofrimentos e tribulações da vida. Assim, ele nos representa, quando nós vacilamos e duvidamos. Jesus nos fortalece com as palavras: “Felizes os que acreditaram sem ter visto”.

Essa, muitas vezes, será a realidade da nossa fé: acreditar, contra todas as aparências, que o bem é mais forte do que o mal e a vida mais forte que a morte. Somente uma fé profunda e uma experiência da presença do Ressuscitado vão nos dar essa firmeza.

Tomé confessa Jesus nas palavras que o salmista usa para Javé (Sl 35,23). No primeiro capítulo do Evangelho segundo João, os discípulos deram a Jesus uma série de títulos que indicaram um conhecimento crescente de quem Ele era (Rabi, Mestre, Rei de Israel, Deus, etc.). Aqui, Tomé lhe dá o título final e definitivo: Jesus é Senhor e Deus!

O Evangelho terminava com essa proclamação triunfante da divindade de Jesus (o Capítulo 21 é um epílogo, adicionado mais tarde). No início, João nos informou que “o Verbo era Deus”. Agora, ele repete essa afirmação e abençoa todos os que a aceitam baseados na fé. A meta do Evangelho foi alcançada: mostrar a divindade de Jesus, para que acreditando, todas as pessoas pudessem ter a vida n’Ele.

Fonte: O autor, padre Tomaz Hughes, foi colaborador e enviou reflexões para o CEBI até o momento de sua páscoa em 2017. O religioso tinha 69 anos, era irlandês e trabalhava no Brasil desde 1971.