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O 8 de março, um alerta de memória!

O 8 de março
O 8 de março, um alerta de memória!
7 de março de 2014 Centro de Estudos Bíblicos

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Nancy Cardoso Pereira (2007) nos ensina que o 8 de março para os movimentos internacionalistas de mulheres, nunca foi um dia fácil de engolir! Nos inícios de 1900 as mulheres socialistas celebravam seu dia de luta entre o fim de fevereiro e o começo de março relembrando acontecimentos importantes como greves, manifestações e enfrentamentos. Ainda segundo Pereira (2007, p.1).

Em 1917, na Rússia, as mulheres socialistas realizaram seu Dia da Mulher no dia 23 de fevereiro. Neste dia, em Petrogrado, um grande número de mulheres operárias, na maioria tecelãs e costureiras, contrariando a posição do Partido, que achava que aquele não era o momento oportuno para qualquer greve, saíram às ruas em manifestação; foi o estopim do começo da primeira fase da Revolução Russa, conhecida depois como a Revolução de Fevereiro.

No calendário ocidental, a data correspondia ao dia 8 de março pelo fato de ser esse o dia que possui uma história bastante controversa, ou como afirmam algumas pesquisadoras, foi construído um mito em torno de uma suposta greve de mulheres trabalhadoras que, segundo relatos, foram queimadas porque protestavam por melhores condições de trabalho e salário em 1857.

Para as autoras de um encarte sobre essa polêmica, “(…) A questão-chave é ver por quê, no mundo bipolar da Guerra Fria dos anos 60 do século passado, os dois blocos em disputa aceitaram a versão de uma greve de mulheres, em 1857, nos EUA, e esqueceram uma outra greve de mulheres, em 1917, na Rússia. Os motivos são mais políticos que psicológicos. (p. 4) (http://www.piratininga.org.br/publicacoes/mulher-miolo.pdf)

Para Vera Soares (2010) nos anos 1960, o mundo vivia uma grande convulsão político-ideológica e a bipolaridade da Guerra Fria estava no auge e a história do 8 de março surgiu e acabou sendo aceita pelos dois blocos em disputa. O que aparece nesses modos de contar essa história é que a dirigente socialista Clara Zetkin (1857-1933), integrante do Partido Comunista Alemão, propôs a data, em 1910, na Conferência das Mulheres, em homenagem às trabalhadoras tecelãs em greve, que morreram em um incêndio na fábrica onde trabalhavam em 8 de março de 1857.

Esta história, segundo Soares (2010), teve origens, provavelmente, em pelo menos três fatos, dois deles ocorridos na mesma cidade de Nova York, 50 anos depois da suposta greve de 1857. O primeiro foi uma longa greve de costureiras que durou de 22 de novembro de 1909 a 15 de fevereiro de 1910. O segundo foi um dos tantos acidentes de trabalho, no começo do século 20, ocorrido na mesma cidade da greve das costureiras, em 1911. Nesse episódio, em 25 de março, durante um incêndio, causado pela falta de segurança nas péssimas instalações de uma fábrica têxtil, foi registrado a morte de 146 pessoas, sendo 125 mulheres. As portas da fábrica estavam fechadas, como de costume, para que as operárias não se dispersassem na hora do almoço. Esse incêndio foi, evidentemente, descrito pelos jornais socialistas, numerosos nos EUA naqueles anos, como um crime cometido pelos patrões, pelo capitalismo. E o terceiro fato remete á Revolução Russa que teve no dia 8 de março de 1917 (23 de fevereiro no Calendário Juliano), a manifestação de trabalhadoras russas do setor de tecelagem que entraram em greve e pediram apoio aos metalúrgicos. Para alguns historiadores da Revolução de 17, como também afirma Trotski, esta teria sido uma greve espontânea, não organizada, e seria o primeiro momento da Revolução de Outubro.

O que aprendemos com essa narrativa é que o dia 8 de março é um dia de memória às lutas de mulheres em torno do mundo inteiro para que a vida da humanidade tenha dignidade a partir da experiência da vida das mulheres.

E, nesse caso, para que saibamos mais da experiência da vida de mulheres é preciso que se contem essas histórias. Narrativas que nos coloquem num contexto e que ao entrarmos nele saibamos mais de nós mesmas. Na pesquisa e no ensino em escolas e universidades temos a responsabilidade da busca pela memória e também pelo que se vive hoje. Desse modo, hoje, temos buscado como docentes e investigadoras formas de visibilizar a história passada mas também a história atual de mulheres que nos alentam, nos alertam e nos movem a buscar por vida em abundância.

Quando, por exemplo, resgatamos história como as de Hildegard de Bingen, do século XI, estamos querendo observar e perceber o que uma mulher desse tempo conseguiu fazer apesar de todos os muros que se produziam historicamente em torno das mulheres. Essa “senhora” construiu com muita habilidade e trabalho “(…) Num mundo medieval dominado pela insegurança, pelo clero e por senhores feudais, dois conventos e os administrou. Escreveu livros de teologia, medicina e ciências naturais, compôs música sacra. Sua maior batalha, no entanto, foi não se deixar calar. (ALBUQUERQUE, 2008, S/P)

Do mesmo modo, quando pesquisamos a história de Chiquinha Gonzaga, grande musicista do século XIX, estamos nos aproximando de uma história de violência doméstica, discriminação e difamação que se apresenta em muitas histórias das mulheres e mais ainda negras em nosso Brasil. As mulheres negras têm a experiência a nos contar de que são as mais marginalizadas e invisibilizadas na nossa história.

Assim que o dia internacional das mulheres é um alerta de memória e de celebração. De poder dizer às mulheres que já se foram e que nos brindaram com a busca pela liberdade, um muito obrigada! Sem elas ainda estaríamos nos silêncios opacos dos corredores escuros e sem vida. São mulheres com rosto, cor e classe social distintas, são também as nossas avós e mães a nos proteger e incentivar com seus olhares atentos e orgulhosos por verem que estamos a caminho de um mundo mais equitativo, mais digno e mais humano.

Referências bibliográficas e consultas feitas em páginas de Internet.

ALBUQUERQUE, Carlos. Hildegard von Bingen: a mulher que uniu o céu e a terra. In.: http://www.dw.de/hildegard-von-bingen-a-mulher-que-uniu-o-c%C3%A9u-e-a-terra/a-3178037
DINIZ, Edinha. Chiquinha Gonzaga: uma história de vida. Nova edição revista e atualizada. Editora Zahar, 2009.
GONZÁLEZ Ana Isabel Álvarez. As Origens e a Comemoração do Dia Internacional das Mulheres. SOF – Sempre Viva Organização Feminista e Editora Expressão Popular. In. http://www.fpabramo.org.br/artigos-e-boletins/artigos/mitos-e-realidades-do-8-de-marco
Dia 8 de março. In. http://www.piratininga.org.br/publicacoes/mulher-miolo.pdf
PEREIRA, Nancy C. No dia 8: luta e indignação

* Edla Eggert é graduada em Pedagogia e especialista em Metodologia do Ensino Superior. Tem mestrado em Educação e doutorado em Teologia. Atualmente, é coordenadora do PPG em Educação da Unisinos onde pesquisa a relação entre Educação, Desenvolvimento e Tecnologias. É organizadora da obra Processos educativos no fazer artesanal de mulheres do Rio Grande do Sul e autor de livros como Educação popular e teologia das margens (http://www.youtube.com/watch?v=qUQjej-ZxCw).
 
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