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Morre Rose Marie Muraro: “semicega e de olhos abertos ao novo”

Morre Rose Marie Muraro: “semicega e de olhos abertos ao novo”
Morre Rose Marie Muraro: “semicega e de olhos abertos ao novo”
23 de junho de 2014 Centro de Estudos Bíblicos
Morreu hoje, sábado, 21 de junho, aos 83 anos, no Rio de Janeiro, Rose Marie Muraro, uma das pioneiras do Movimento Feminista no Brasil. 
Rose Marie enfrentava um câncer na medula óssea há cerca de 10 anos. No dia 15 de junho, já hospitalizada no Rio, entrou em coma e veio a óbito no dia de hoje. O velório começa às 8h deste domingo, no Memorial do Carmo, no Caju, e a cremação está marcada para as 16h.

Proveniente de família de posses, Rose perdeu o pai quando era jovem. E bem cedo rompeu com a família, para se engajar em movimentos sociais. Nos anos de 1940, aproximou-se de dom Helder Câmara. “Era impossível não ser atraído por ele,” lembra Rose Marie Muraro, em Memórias de uma mulher impossível (1999).

Amiga pessoal de Leonardo Boff, com quem trabalhou na Editora Vozes de 1970 a 1984, Rose Marie era considera por ele “uma grande intelectual com olhos abertos para o novo”. A expressão serve como um trocadilho, uma vez que Rose nasceu quase cega (apenas com 5% da visão) e só pode enxergar melhor aos 66 anos de idade.

Segundo Boff, foi ela que abriu seus olhos para questões de gênero e foi por incentivo dela que escreveu O rosto materno de Deus. Em 2002, Boff e Muraro lançaram juntos o livro Masculino / Feminino.

Mesmo apontando limites nas teorias de Rose Marie, o movimento feminista é unânime em reconhecer que ela ajudou a abrir caminhos. Escreveu 44 livros, sendo que parte significativa de seus estudos foram reunidos no livro Sexualidade da mulher brasileira: corpo e classe social no Brasil.

Perseguida tanto pelo Vaticano como pela Ditadura Militar, Rose Marie foi responsável pela publicação de importantes obras durante o tempo de maior repressão. Graças a sua postura, o Brasil pode ler livros de Celso Furtado, Darci Ribeiro e Paulo Freire. Sobre seu trabalho de editora, dizia: "Já nos anos 60 eu dizia: eu também quero pôr fogo no mundo. Fui pôr fogo no mundo, fui ser editora. E eu vi que eram os livros que punham fogo no mundo".

(Edmilson Schinelo)